Integrantes da 'Quadrilha dos Pipoca' são condenados à prisão

Três homens, presos em 2018 com fuzis e explosivos, foram sentenciados pela Vara de Delitos de Organizações Criminosas a 8 anos e 6 meses de reclusão, cada. Defesas contestam condenação e provas da investigação

Legenda: Com o trio, foram apreendidos três fuzis, um revólver, munições, dois coletes, uma balaclava e explosivos

Três homens apontados como integrantes da 'Quadrilha dos Pipoca' (grupo cearense especializado em ataques a instituições financeiras) foram condenados a um total de 25 anos e 6 meses de prisão, pelos crimes de organização criminosa e posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, pela Vara de Delitos de Organizações Criminosas, da Justiça Estadual do Ceará.

O juiz determinou que José Alberto da Silva Lima, Francisco Herbet Melo da Silva e Francisco Willame Macário Hilário Júnior devem cumprir 8 anos e 6 meses de reclusão, cada, em regime inicialmente fechado, sem direito de recorrer em liberdade. A sentença foi proferida no dia 25 de março deste ano, mas foi publicada no Diário da Justiça Eletrônico da última quinta-feira (16).

Conforme a denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE), investigações sobre uma facção criminosa cearense e denúncias anônimas levaram a Polícia Militar até os três homens, que estavam fortemente armados, no Município de Quixadá (a cerca de 160 km de distância de Fortaleza), no dia 15 de fevereiro de 2018.

A primeira prisão foi de José Alberto, com um revólver calibre 38 e munições, em uma residência na localidade de Vila Rica. Depois, os policiais se dirigiram a Umarizeiras, onde encontraram Francisco Herbet, o 'Betinho', que levou os agentes de segurança até o esconderijo das armas.

Em um depósito de ferramentas abandonado, na localidade de Cachoeiras, a PM apreendeu dois fuzis calibre 5.56, um fuzil calibre 7.62, munições de fuzil, dois coletes balísticos, uma balaclava e grande quantidade de explosivos - dos tipos emulsão e cordel detonante. Por fim, a Polícia efetuou a prisão de Francisco Willame, o 'Júnior da Deusa', em uma residência no bairro Campo Velho.

"As testemunhas confirmaram a acusação feita na denúncia, relatando a participação dos réus no fato, inclusive contando acerca da existência do grupo organizado formado pelos acusados, composto por mais de três pessoas (embora só três tenham sido presas e denunciadas neste feito), com estabilidade temporal e divisão de tarefas, montado com a finalidade de praticar crimes graves, tais como roubo a bancos e porte/posse de arma de fogo de uso restrito/proibido", considerou o juiz. A Vara de Delitos de Organizações Criminosas também determinou que as armas de fogo e as munições apreendidas sejam destruídas pelos órgãos da Segurança Pública ou pelas Forças Armadas Brasileiras.

Defesa

A advogada Karla Mairly Soares dos Santos, que representa Francisco Herbet, acredita que "diante da primariedade do réu e dos pré-requisitos que ele apresenta, tais como residência fixa e ocupação lícita, a condenação foi um pouco demasiada". "Ele foi preso em uma situação que não apresentava ameaça, estava em casa. Ele estava apenas na guarda de armas, e relacionaram o réu a uma organização criminosa", argumenta.

A defesa dos outros réus não foi localizada. No processo, os advogados de José Alberto afirmaram que as provas contra o seu cliente eram ilícitas porque os presos sofreram agressões físicas dos policiais. Enquanto a defesa de Francisco Willame alegou que não havia provas de que o preso tinha cometido os crimes.

Quadrilha

A 'Quadrilha dos Pipoca', formada principalmente por uma família de Quixadá, se notabilizou por ataques a bancos e a carros-fortes e atentados a agentes de segurança, no Ceará e em outros estados. Após uma tentativa de roubo a um carro-forte em Tocantins, em outubro do ano passado, quatro integrantes do grupo foram mortos em confronto com a Polícia: os irmãos Elineudo Oliveira Silva, o 'Neudo Pipoca' (chefe da quadrilha), e Elineuton Oliveira Silva, 'Neuton Pipoca'; Paulo Sérgio de Oliveira, o 'Paulo Pipoca'; e Ângelo Márcio Rodrigues, o 'Márcio Pipoca'. Um sargento da Polícia Militar também morreu na ação.


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