Funcionária inventa envolvimento de chefe em facção criminosa para provocar morte

A mulher planejou o homicídio após o comerciante de 65 anos descobrir que ela havia furtado um cartão e consumido o valor de R$ 64 mil

O comerciante José Gomes de Brito, 65, vítima de homicídio no último dia 18 de janeiro, foi morto a mando de uma funcionária que o acusou de integrar uma facção em Fortaleza. A Polícia Civil elucidou o caso nesta sexta-feira (22), afirmando que a suspeita mentiu ao citar o envolvimento da vítima com grupo criminoso. Sara Cristian Gomes da Silva, 29, arquitetou o crime após o patrão descobrir que ela havia furtado um cartão e consumido o valor de R$ 64 mil.

Segundo a titular da 11ª Delegacia do DHPP, Claudia Guia, Sara, que era responsável pela gestão administrativa e financeira do depósito da vítima, possuía uma relação de confiança com o comerciante. "Aproveitando dessa boa fé", a suspeita frequentava a casa da vítima, no bairro Sapiranga, onde era tratada "como se fosse da família". 

"Ela tinha acesso a senhas e a toda movimentação bancária da vítima. A vítima até anunciava para algumas pessoas como se ela fosse sua sobrinha", conta.

Furto de cartão

Em uma das visitas à casa de José, ainda no mês de outubro do ano passado, Sara disse que ia ao banheiro, mas a intenção era furtar um cartão da vítima. O comerciante havia comentado com a suspeita que o valor da venda de um terreno de R$ 35 mil tinha sido debitado no cartão, o que provocou o furto. 

De posse do cartão, Sara gastou o saldo de R$ 64 mil com compras em supermercados, em um video game calculado em cerca de R$ 3 mil para o amante e até em idas ao motel com o parceiro, além de saques. Do montante na conta, restou apenas R$ 4. A vítima chegou a registrar Boletim de Ocorrência no último dia 14 de janeiro, quatro dias antes de sua morte.

"A vítima fez o B.O porque percebeu que houve a subtração do cartão e que não havia mais saldo. A vítima textualmente colocou que Sara sabia onde o cartão ficava escondido e que ela tinha acesso à sua residência. Esse foi o primeiro alerta", frisou a delegada.

A vítima contratou um advogado para reaver o valor perdido e pensava ainda em demitir Sara, porque desconfiava. João chegou a pedir que a suspeita treinasse a sua namorada para assumir as funções no depósito. "Toda a parte administrativa e financeira estava sendo colocada nas mãos da namorada".

Assassinato

Por perceber que estava perdendo o controle da empresa e que o comerciante cogitava o seu envolvimento no furto, Sara iniciou um plano "totalmente maquiavélico" para provocar o assassinato de João. A suspeita contou com o apoio da irmã, Samia Oliveira do Nascimento, 23. 

"Sara mandou mensagens e áudios para a irmã, que responde a dois crimes de tráfico de drogas e tem relação com facção, dizendo textualmente que a vítima tinha que morrer porque era de facção e detalhou toda a rotina da vítima", revela. 

Samia, então, intermediou o homicídio junto ao grupo criminoso. João foi levado do próprio comércio, na Praia do Futuro, para sua casa, onde teve novamente vários produtos roubados. De lá, ele foi executado no Calçadão do Beira-Rio, Maracanaú, na Região Metropolitana, onde a Polícia achou o corpo com sinais de violência.

"No interrogatório, Sara confirmou que subtraiu o cartão da vítima e que havia mandado todas as mensagens e que passou detalhes da rotina dele para a irmã. Foi um crime extremamente bárbaro", considera Cláudia Guia.

Sara e Samia foram presas preventivamente nessa quinta-feira (21) e o Ministério Público do Ceará (MPCE) já efetuou a denúncia. "Essa história de que a vítima ocupava uma facção não existe. É uma história totalmente inverídica para provocar a morte da vítima pela facção", frisa a delegada. 

 

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