Famílias de trio preso por roubo alegam injustiça e apresentam provas do suposto erro policial

Dois pedreiros e um motorista foram detidos por assalto no último dia 12 de fevereiro, em Fortaleza. Provas anexadas ao processo indicam que nenhum deles estava no local do crime

Viatura Polícia Militar PM
Legenda: A SSPDS afirma que uma composição de policiais foi acionada por meio da Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops) para atender uma ocorrência de roubo em andamento
Foto: José Leomar

Três homens presos por suspeita de assalto podem estar mantidos em cárcere de forma injusta. As famílias do motorista Deneson Silva Castro e dos pedreiros Tiago Ferreira Alves Cruz e João Neto de Sousa afirmam que os parentes foram confundidos com criminosos e presos por policiais militares sem terem participado de nenhum crime.

No dia 12 de fevereiro, o trio foi detido na condição de flagrante, no bairro Vila Manoel Sátiro, em Fortaleza. Em audiência de custódia no dia seguinte, a Justiça decidiu converter as prisões em preventivas, e todos os suspeitos seguem presos até então.

Consta nos autos que as vítimas reconheceram os homens como responsáveis pelo roubo ao receberem videochamada feita pelos PMs que efetuaram as capturas.

A reviravolta no caso começa a partir do momento em que as defesas apresentam provas indicando que nenhum deles estaria no local onde aconteceu o roubo naquele dia. Conforme GPS do carro onde Deneson estava, o motorista de aplicativo particular estava em outros endereços quando o assalto aconteceu.

Já os dois primos, Tiago e João, trabalhavam no interior de uma residência em construção, como constam nas imagens de câmeras de vigilância, segundo a família. As provas vão de acordo com as versões dos parentes dos presos, que dizem viver um terror desde que as prisões aconteceram.

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) apresenta fatos diferentes. A Pasta afirma que uma composição de policiais foi acionada por meio da Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops) para atender uma ocorrência de roubo em andamento. "Na ocasião, indivíduos em um veículo modelo Onix de cor prata haviam cometido um assalto na Rua Joaquim Alfredo". Após diligências, os suspeitos foram presos e conduzidos ao 19º Distrito Policial.

"Com o final das apurações na distrital, os levantamentos policiais apontaram o envolvimento dos suspeitos no roubo. Na unidade policial, o trio foi autuado em flagrante por roubo majorado pelo concurso de pessoas e emprego de arma de fogo. Deneson foi autuado também por posse de drogas, devido ao fato de três papelotes de maconha terem sido encontrados com ele. A PCCE realiza diligências com o intuito de localizar os pertences roubados", disse a Polícia Civil, por meio de nota. Nenhum deles tinha antecedentes criminais.

Angústia

Gerciana Ferreira da Silva, prima de Tiago e João Neto, aponta uma série de erros cometida por parte das autoridades, desde a abordagem até a atuação na delegacia. Segundo Gerciana, não houve flagrante, porque os agentes sequer encontraram arma ou objetos tomados de assalto.

"Os meninos ligaram para esse motorista vir buscar. 12h30 o carro chegou. Quando o carro vinha, a Polícia já estava seguindo o veículo. Então o motorista parou e os meninos entraram. A Polícia viu tudo. Pergunto-me por que não pararam eles ali. No começo, ainda fiquei na dúvida se o motorista realmente tinha cometido algum crime, mas o rastreamento mostrou que ele nem esteve na rua onde aconteceu o assalto. Meus primos passaram o dia trabalhando. Os policiais pegaram os três primeiros que viram e pronto", afirmou a familiar.

A defesa do motorista detido diz que Deneson "não fez corrida para ninguém que fez assalto e iria levar os passageiros, conhecidos seus, até Morava Nova". Todos os suspeitos negam em depoimento terem participado de qualquer crime e destacam que foram vítimas "de uma operação desastrosa da Polícia".

Antônio Vildemar Ferreira de Castro, pai de Deneson, teme pelo que o filho está passando na prisão e pede Justiça o mais rápido possível. "Até agora não conseguimos entender o que aconteceu. São três inocentes em sofrimento. Não consegui nem falar com ele. Eu, como pai, conheço e sinto a dor do meu filho. Ele é um menino guerreiro e tem um sorriso lindo. Passar por isso é passar pelo pior momento da vida dele. A cada dia que fica lá na prisão, é um dia difícil", contou.

Os advogados de defesa dos suspeitos entraram com pedido de revogação da prisão preventiva com ou sem aplicação de medidas cautelares. A Justiça abriu vista para o Ministério Público do Ceará (MPCE) se posicionar acerca dos pedidos. Até o fechamento desta edição, o trio permanecia detido.

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