Cinco suspeitos de matar instrutor de surf e avô em Fortaleza são indiciados

Alvo da ação criminosa seria o tio e filho das vítimas, que estaria na residência e teria fugido. Crime foi motivado por guerra entre facções

Familía afirma que Davi Silva Sabino, de 22 anos, era instrutor de surf e não tinha ligação com o crime organizado
Legenda: Familía afirma que Davi Silva Sabino, de 22 anos, era instrutor de surf e não tinha ligação com o crime organizado
Foto: Reprodução

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil do Ceará (PCCE), indiciou, na última sexta-feira (30), cinco homens por suspeita de matar a tiros o instrutor de surf Davi Silva Sabino, de 22 anos, e o avô dele, Francisco Alexandre Filho, 70, crime ocorrido uma semana antes do indiciamento, no bairro Varjota, em Fortaleza. Quatro suspeitos foram presos em flagrante e um está solto.

Caio de Lima Gois, Claudiano Severino de Arruda, Jefferson Rodrigues de Brito, João Vinícius Barros da Silva e Lucas Clemente de Sousa foram indiciados por homicídio qualificado (com as qualificadoras de motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa das vítimas) e organização criminosa. Lucas é o único que não foi preso em flagrante - prestou depoimento e foi liberado.

Conforme o Relatório Final da 1ª Delegacia do DHPP, os criminosos arrombaram e invadiram uma residência na Rua Dom Amaro, no bairro Varjota, na madrugada de 23 de abril último, com o objetivo de matar o tio de Davi Sabino. Ao não encontrar o homem, o grupo executou o intrutor de surf e o avô dele (pai do alvo), Francisco Alexandre Filho.

A primeira pista encontrada pelos investigadores foi o uso de um veículo Chevrolet Onix, de cor cinza, pelos criminosos. Poucas horas depois, o automóvel foi localizado no bairro Vicente Pinzón, na Capital. No local, foi abordado e detido o primeiro suspeito, João Vinícius, que estava na posse do carro.

Claudiano Severino, o 'Sete', também foi preso no bairro Vicente Pinzón, ainda no dia 23 de abril. Já no dia seguinte, foi localizado Jefferson Brito, o 'Natal', no bairro Jangurussu. Ele se apresentou com um documento de identidade falso, mas acabou preso.

Suspeito preso ao prestar depoimento

No mesmo dia 24 de abril, os policiais chegaram a Caio Gois, conhecido como 'Layon'. Ao ver os policiais, ele conseguiu fugir. Depois, os advogados do mesmo compareceram à Delegacia para se informar sobre o motivo da procura por Caio e se prontificaram a levar o cliente para prestar esclarecimentos sobre a suspeita.

Caio Gois compareceu ao DHPP na última terça-feira (27) para prestar depoimento. A partir de um relatório do Setor de Inteligência da Polícia Civil que apontou que 'Layon' é integrante de uma facção cearense, com a função de planejar e realizar homicídios, e ainda é filho de um membro da alta cúpula do grupo criminoso, ele foi preso em flagrante pelo crime de organização criminosa.

Guerra entre facções criminosas

A Polícia Civil acredita que o crime tem relação com a guerra entre as facções criminosas pela disputa por território. O grupo preso teria recebido a missão de matar o tio do instrutor de surf e filho do idoso, que deixou o presídio há pouco tempo, após cinco anos preso por roubo, e seria membro de uma facção carioca. Testemunhas contam que ele estava na residência invadida pelos criminosos, mas conseguiu fugir.

Dentro da facção cearense, 'Natal' e Lucas Clemente, conhecido como 'Loko', seriam lideranças na região do bairro Varjota, ainda de acordo com o Relatório Final do DHPP.

Vinícius nega que participou do crime e afirma que estava apenas na posse do carro, a pedido de amigos. 'Sete' diz que foi chamado por 'Layon' para irem a um lugar, mas não aceitou o convite, na madrugada do crime. 'Natal' negou participação no crime e contou que comprou o documento falso na Feira da Parangaba, em razão de ter deixado de assinar um processo na Justiça. 'Layon' também negou ter cometido o duplo homicídio e disse que estava na casa da namorada.

Já 'Loko' prestou depoimento no DHPP no dia 27 de abril último, reconheceu que é primo de 'Layon', mas negou participação no crime, alegando que estava em casa. Por falta de flagrante, ele foi liberado.

Vasta ficha criminal

Os cinco indiciados pelo duplo homicídios têm vasta ficha criminal, segundo o DHPP. Confira os antecedentes criminais de cada um:

  • Caio de Lima Gois: roubo, dano, crime contra a administração pública, lesão corporal, ameaça, porte ilegal de arma de fogo e receptação;
  • Claudiano Severino de Arruda: roubo e tráfico de drogas;
  • Jefferson Rodrigues de Brito: roubo, porte ilegal de arma de fogo e homicídio;
  • João Vinicius Barros da Silva: roubo, receptação, lesão corporal, dano e tentativa de roubo;
  • Lucas Clemente de Sousa: estupro de vulnerável, posse ou porte ilegal de arma de fogo e tráfico de drogas.
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