Caso Jamile: PMs que atenderam suposta agressão a empresária prestam depoimento

Servidores disseram ter visto a empresária andando por uma estrada e confirmaram tê-la levado, com o filho, a um hotel em Pindoretama

Escrito por Redação,

Segurança
Legenda: Juntos, os depoimentos dos policiais duraram cerca de uma hora e corroboraram com uma das teses dos advogados de Jamile
Foto: Foto: Natinho Rodrigues

Policiais militares que atenderam a uma ocorrência na qual a empresária Jamile de Oliveira Correia, 46, teria sido agredida pelo ex-namorado Aldemir Pessoa Júnior prestaram depoimento à Polícia Civil na tarde desta segunda-feira (7). As oitivas foram realizadas no 2º DP (Aldeota) pela presidente do inquérito, a delegada da unidade policial, Socorro Portela.

investigação sobre a morte misteriosa da empresária Jamile de Oliveira Correia, cuja suspeita inicial de suicídio teve desdobramentos no dia seguinte ao sepultamento, continua sendo apurada pela Polícia Civil. A investigação busca descobrir se o advogado e ex-namorado dela, Aldemir Pessoa Júnior, foi ou não autor do crime.

Juntos, os depoimentos dos policiais duraram cerca de uma hora e corroboraram com uma das teses dos advogados de Jamile. Eles afirmaram ter visto a empresária e o filho dela andando em uma rodovia, nas proximidades do sítio de Aldemir, na cidade de Pindoretama, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Contudo, os servidores disseram nas oitivas que não viram agressões porque, quando chegaram ao local, Jamile e o filho já estavam andando pela estrada.

Nas oitivas, os PMs disseram que, no dia da ocorrência, a empresária afirmou que não queria entrar no carro que o então namorado estava dirigindo. Após a recusa, os militares disseram que ela foi levada a um hotel no Município, no qual ela e o filho teriam passado a noite. 

De acordo com um dos advogados da família de Jamile, Flávio Jacinto, que acompanhou os depoimentos, as versões dos policiais são fundamentais para o andamento do inquérito. "Foram depoimentos excelentes para esclarecer porque o Aldemir estava sustentando uma versão de que a Jamile tinha saltado do carro a 60 Km/h, quando vinha de uma festa, com ciúmes. E não tinha nada disso". 

A acusação sustenta que Aldemir agrediu a ex-namorada no veículo, por isso ela teria saído de dentro com o filho. "Ela, com medo dele, não queria ir com ele de maneira nenhuma, e ele querendo forçá-la a ir no carro. Foi quando apareceu a viatura, e ela pediu proteção", argumenta o criminalista.

Para a defesa do suspeito, representada pelo advogado José Carlos Mororó, os depoimentos dos policiais mostram que houve um desentendimento, mas não confirmam agressão nenhuma. "Ela saiu andando, foi embora a pé, naquela estrada, e o Aldemir preocupado veio atrás seguindo o carro. Quando eles passaram, o Aldemir deu um sinal de luz e eles pararam".

Influência

Conforme Flávio Jacinto, embora este caso tenha ocorrido anteriormente à morte de Jamile, cada apuração pode ajudar no inquérito. "É um conjunto de provas. Nesse caso, se prova, cada vez mais, o comportamento, o histórico de agressão que ele vinha praticando. As agressões físicas que ela vinha sofrendo não só foram no dia da fatalidade", diz.

Do outro lado, José Carlos Mororó argumenta que os depoimentos, "para o bojo processual, não têm muita influência porque foram duas testemunhas ouvidas de caráter. De um problema que aconteceu antigamente e da qual eles fizeram parte. Só foi para definição de comportamento das partes". 

Durante a semana, devem prestar depoimentos, no 2º DP, os médicos que fizeram a cirurgia de emergência na empresária, além de amigos de Aldemir Pessoa.