Candidatos a emprego pagam exame de admissão e descobrem que foram enganados ao ir buscar farda

As vagas de trabalho foram divulgadas em site. Candidatos foram selecionados após suposta avaliação e pagaram R$ 28 para exame

Vítimas de golpe de emprego falso em Fortaleza
Legenda: Essa não é primeira vez em que o residencial é utilizado como localização para golpes do tipo. Conforme informações dos funcionários do imóvel, outro grupo de pessoas também foi ao local na terça-feira (6)
Foto: Leabem Monteiro

Diversas pessoas caíram em um golpe que oferecia vagas de emprego falsas em Fortaleza. As vítimas descobriram o estelionato, na manhã desta quarta-feira (7), ao chegarem em um imóvel, no bairro Cocó, para receber o fardamento e foram informadas que o suposto contratante não existia.

"Nós estamos atrás de emprego por causa dessa pandemia. Está tudo complicado. Vim do município de Guaiuba, deixei meus filhos lá e tive que pagar uma pessoa para ficar com eles, só para vir concorrer a esta vaga de emprego", disse Joelma Nascimento, que está desempregada.   

A maioria dos candidatos desembolsou um valor de R$ 28, via depósito bancário, para pagar o exame admissional, que seria realizado em uma clínica no Centro da cidade. Porém, o procedimento médico não foi executado e nem o dinheiro foi devolvido. 

"Hoje pela manhã, todo mundo ficou sabendo que era golpe e que não existia esse trabalho. Paguei o valor ontem e ele [suposto empregador] disse que ia agendar a consulta para hoje. Mas, agora, ele não atende mais o telefone e não responde mais ninguém", disse uma das vítimas, Ruana Alves, atualmente desempregada.

Segundo os relatos das vítimas, as vagas de trabalho estavam sendo divulgadas em um site de anúncios, por uma pessoa chamada Daniel Oliveira, e eram destinadas à área de serviços gerais, como zelador e copeiro.

 

Na publicação, era disponibilizado um link para que o candidato enviasse foto e currículo. Após uma suposta avaliação, as pessoas eram selecionadas e orientadas a pagar a taxa do exame médico. 

O endereço de um prédio na Rua Bento Albuquerque, área nobre de Fortaleza, foi indicado como ponto para retirada do fardamento, mas, ao chegarem ao local nesta quarta, as vítimas foram informadas não haver morador ou funcionário com o nome de Daniel Oliveira.

"A gente não desconfiou por que eles colocaram 20 perguntas para a gente responder, depois ele disse que a gente passou, que 'gostou' do currículo. Ai, ele manda pagar um valor que ele chama de 'convênio', que é para o exame admissional. Agora, o anúncio já foi tirado do ar", detalhou Joelma Nascimento.  

Essa não é primeira vez em que o residencial é utilizado como localização para golpes do tipo. Conforme informações dos funcionários do imóvel, outro grupo de pessoas também foi até o local relatando algo semelhante na terça-feira (6).  

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) foi procurada pela reportagem sobre o caso, mas não respondeu até a publicação desta matéria. 

Quem deve pagar o exame admissional? 

Segundo a Lei nº 5.452, que regulamenta o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), é de responsabilidade do empregador custear exames admissionais. Não é permitido que o contratante cobre valores aos empregados para a realização desse tipo de procedimento.  

O documento ainda prevê que cabe ao empregador arcar com os seguintes exames médicos

  • Admissional; 
  • Periódico; 
  • Retorno ao trabalho; 
  • Mudança de função; 
  • Demissional. 
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