Apreensão de cocaína por PF e PRF no Ceará aumenta 43% neste ano

Droga visava atender a uma demanda do mercado exterior e sairia principalmente pelos portos cearenses

Legenda: Polícias Federal e Civil impediram o envio de grandes cargas de cocaína para a Europa, neste ano
Foto: Isaac Macêdo

Na contramão do impacto sentido pelo tráfico de drogas durante a pandemia do novo coronavírus, as polícias Federal (PF) e Rodoviária Federal (PRF) - responsáveis por crimes federais - conseguiram, juntas, apreender mais cocaína no primeiro semestre deste ano, no Ceará, do que em igual período de 2019. Foram 652,16 kg da droga em 2020, contra 453,91 kg no ano anterior, segundo dados da PF. O aumento é de 43,6%.

O chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da PF, delegado Samuel Elânio, explica que, mesmo na crise, outros continentes continuaram a demandar pela cocaína sul-americana.

"Devido ao abastecimento do mercado do exterior, o transporte (da droga) para o Ceará e para outros estados seria em grande quantidade. Mesmo na pandemia, não houve paralisação do trabalho. Seja já para o envio, seja para estocar para um envio em breve". Segundo Elânio, o tráfico de cocaína para o exterior, no Estado, se dá principalmente pelos portos.

Era assim que 540 kg de cocaína seriam levados para a Europa. A carga de entorpecente, proveniente da Bolívia, foi interceptada pela Polícia Federal ao chegar em Fortaleza, no dia 11 de maio último. De acordo com as investigações, a droga pertencia à organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os quatro suspeitos presos, alguns são naturais da Baixada Santista, em São Paulo, onde está instalado um dos principais braços da facção no País. A apreensão foi a principal responsável por elevar a quantidade de cocaína apreendida neste ano.

Comércio local

Já a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), responsável pelos crimes estaduais, registrou a apreensão de 135,57 kg de cocaína nos seis primeiros meses do ano, em ações das polícias Civil e Militar. Em igual período de 2019, a Pasta somou a retenção de 197,76 kg. O que significa uma retração de 31,4% no índice. Ao somar os dados da PF e da SSPDS, há um aumento de 20,8% na apreensão de cocaína.

Neste mês de julho, o tráfico internacional de cocaína fez uma nova investida e, desta vez, foi frustrado pelas Forças de Segurança Estaduais. No último dia 2, a Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos e Cargas (DRFVC) reteve 60 kg do entorpecente, que estavam escondidos em uma carga de manga, dentro de um contêiner que seria levado para o Porto do Mucuripe, em Fortaleza, e depois embarcado para a Europa.

A Especializada chegou à droga em um desdobramento da investigação que resultou na maior apreensão de cocaína da história Polícia Civil do Ceará, em outubro do ano passado. Na ocasião, foram apreendidos 607 kg da droga, escondidos em um galpão, em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). O 'modus operandi' era o mesmo: colocar a cocaína junto de mangas (provenientes do Vale do São Francisco), dentro de um contêiner. Mas naquela vez, o caminho seria o Porto do Pecém.

"O crime no nosso País está sendo financiado primariamente pelo tráfico de drogas. É onde as organizações criminosas conseguem se capitalizar. Para se ter uma ideia, esses 60 quilos chegam à Europa por um valor de R$ 9 milhões. É assim que eles conseguem financiar os mais diversos crimes", ressalta o titular da DRFVC, delegado Diego Barreto.

Portos

Principais portas para o tráfico internacional de drogas, segundo os investigadores, os portos do Mucuripe (em Fortaleza) e do Pecém (em São Gonçalo do Amarante) garantem que se utilizam de mecanismos de segurança para evitar o crime, com o apoio da Receita Federal.

A Companhia Docas do Ceará afirma, em nota, que o Porto do Mucuripe "possui um sistema de controle de acesso de pessoas e veículos para a segurança da área administrativa e operacional, possui também scanner por onde passam todos os contêineres que entram ou saem do Porto".

Já o Complexo do Pecém detalha que o Porto dispõe de scanner com até 60 inspeções de contêineres por hora, sistema de videomonitoramento com 304 câmeras, vigilância em tempo integral e rondas motorizadas. "A nossa fiscalização por scanner, por exemplo, atinge 100% dos contêineres importados e exportados. Além disso, as imagens feitas pelas nossas câmeras de vigilância são armazenadas e monitoradas pela Receita Federal, que define os encaminhamentos das cargas após análise", acrescenta o gerente de segurança patrimonial do Complexo do Pecém, Nicolau dos Santos.

Maconha

Ao contrário da cocaína, a apreensão de derivados da cannabis (maconha, haxixe e skunk) diminuiu drasticamente no Ceará em 2020, conforme estatísticas tanto da PF como da SSPDS. As polícias Federal e Rodoviária Federal subtraíram, juntas, 354,33 kg de derivados de cannabis, nos seis primeiros meses do ano corrente; e 4.372,66 kg, em igual período de 2019. A redução é de 91,8%.

Enquanto as polícias Civil e Militar apreenderam 1.170,13 kg das drogas derivadas da cannabis, no primeiro semestre deste ano; e 3.046,82 kg, em igual período do ano passado. A queda do índice é de 61,5%. Na soma dos dados da PF e da SSPDS, a redução da apreensão das drogas no Estado é de 79,4%.

O delegado federal Samuel Elânio afirma que a maconha, mais consumida no mercado interno, teve o uso reduzido nos últimos meses, devido à pandemia do novo coronavírus e a crise financeira que atinge o Brasil, o que resultou também na diminuição da apreensão da droga. Segundo ele, a própria cocaína que abastece o mercado local também teve queda de circulação nesse período.

As investigações policiais mostram que tanto as grandes cargas de maconha como a cocaína que chegam ao Ceará têm origem em outros países da América do Sul e passam por outros estados do Brasil.

A Secretaria da Segurança Pública destaca, em nota, "a necessidade de um trabalho integrado entre os estados da Federação e a União no combate ao tráfico de drogas. Isso engloba ações ostensivas e investigativas nas fronteiras aéreas, fluviais, marítimas e terrestres, no intuito de barrar que grupos as utilizem como rotas de tráfico".

Apreensão de cocaína pelas polícias Federal e Rodoviária Federal no Ceará aumentou neste ano, devido à demanda do mercado exterior. Na principal ação, a PF subtraiu 540 kg da droga, que ia sair de um porto cearense para a Europa