Advogado diz que tiro ocorreu após filho de Jamile tentar pegar arma

Aldemir Pessoa Júnior prestou depoimento pela segunda vez, ontem. Ele reafirmou sua primeira versão da história, na qual garante que o adolescente de 14 anos, filho da namorada, interferiu na discussão do casal

Escrito por Emanoela Campelo de Melo e Emerson Rodrigues, seguranca@verdesmares.com.br

Segurança
Legenda: Aldemir chegou ao 2º Distrito Policial às 14h45 acompanhado pelos advogados de defesa
Foto: FOTO: HELENE SANTOS

O advogado Aldemir Pessoa Júnior, suspeito de matar a empresária cearense Jamile de Oliveira Correia, prestou um novo depoimento, na tarde de ontem, no 2º Distrito Policial (Aldeota). Aldemir chegou à Delegacia às 14h45 e deixou o local por volta das 18h30. A reportagem apurou que o advogado disse para as autoridades que o disparo fatal contra Jamile Correia aconteceu devido à interferência do filho da empresária, um adolescente de 14 anos.

Durante o depoimento, com duração aproximada de quatro horas, Aldemir reafirmou às autoridades que o filho de Jamile estava com ele dentro do closet da empresária, no momento do disparo. Na versão do suspeito, ele e o menino protagonizaram uma luta corporal com Jamile, na tentativa de fazer com que ela não tirasse a própria vida.

Em entrevista concedida ao Sistema Verdes Mares na semana passada, o adolescente negou que tenha participado desta luta corporal e afirmou que em nenhum momento chegou a pegar na arma. O menino prestou três depoimentos, sendo que no último falou para a Polícia Civil sobre o namorado da mãe ter coagido ele a mentir na primeira vez que foi até a Delegacia.

No fim da semana passada, a reportagem teve acesso ao resultado da perícia dos DNAs encontrados na arma utilizada no suposto crime. O laudo emitido pela Perícia Forense do Ceará (Pefoce) indicou que três DNAs foram encontrados na pistola: o de Aldemir e o do policial civil que apreendeu a arma de fogo e participa das investigações e o da empresária.

O DNA de Jamile de Oliveira Correia só foi encontrado na extremidade do cano da arma, parte de onde sai o disparo. Em nenhuma parte do objeto foi verificado DNA da empresária e do filho adolescente. No "cão" (parte que arma o gatilho) e no gatilho não foi encontrado material genético.

A ausência de DNA nestas partes específicas da pistola pode ser um indicativo de que a arma foi limpa. No depoimento prestado ontem, Aldemir negou ter limpado o objeto, mas não explicou porque nenhum DNA foi encontrado no gatilho e garantiu que só foi encontrado o seu material genético porque ele era o proprietário da pistola.

Feminicídio?

O disparo contra Jamile aconteceu no fim da noite do dia 29 de agosto de 2019. No início da madrugada do dia 30, Aldemir e o filho da mulher a levaram até o Instituto Doutor José Frota (IJF), no Centro. Jamile Correia passou por cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na manhã do dia 31. Até então, o caso era tratado como um suicídio.

A Polícia Civil tomou conhecimento da morte apenas no dia 2 de setembro, data na qual um inquérito foi instaurado para apurar a ocorrência. Após alguns depoimentos e laudos, Aldemir Pessoa Júnior passou a ser considerado como suspeito de feminicídio.

Ontem, ao chegar no 2º DP, o advogado afirmou que não há motivos para um feminicídio. O suspeito ponderou destacou que "sem sombras de dúvidas foi um suicídio, infelizmente". Aldemir Pessoa Júnior negou que ele tenha agredido Jamile em outros episódios durante o namoro.

"O que existia era um ciúme excessivo da Jamile, e isso resultou em uma situação que não é agradável. Me corroi, inclusive. As provas que estão nos autos, a maioria delas, corroboram com a história da defesa. Estou muito mal, estou sob efeito de remédios. Quase não vinha, mas vim. Eu acredito que a verdade tem de prevalecer", declarou Aldemir.

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