Acusados pela Chacina do Benfica vão a júri popular hoje

Três homens vão a júri popular, 20 meses após a matança. O julgamento tem início hoje e deve terminar amanhã. De acordo com o TJCE, são necessários dois dias para julgar o caso devido à complexidade, número de vítimas e de réus

Legenda: Sete pessoas foram mortas e três, baleadas, em pontos diferentes do Bairro Benfica, em Fortaleza
Foto: FOTO: KLÉBER A. GONÇALVES

Uma sequência de mortes em um bairro boêmio da Capital. Três, cinco, sete... Em poucos minutos, chegavam as notícias de mais vítimas feridas em diferentes pontos do Benfica. Ao todo, sete morreram e três foram baleados. Os episódios ocorridos na noite de 9 de março de 2018 resultaram na Chacina do Benfica. Um ano e oito meses depois, chega o dia do júri popular.

Hoje, Douglas Matias da Silva, Francisco Elisson Chaves de Souza e Stefferson Mateus Rodrigues Fernandes devem começar a ser julgados. Devido à complexidade do caso e à quantidade de réus e de vítimas, o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) destinou dois dias para o julgamento, previsto para se encerrar amanhã.

Familiares e amigos das vítimas dos ataques aguardam que seja feita justiça. Antônio Carlos da Silva Barros, pai de Carlos Victor Menezes Barros, está ansioso pelo julgamento. O filho foi morto aos 22 anos. 'Vitim' era torcedor do Fortaleza Esporte Clube. Não tinha antecedentes criminais. Naquela sexta-feira, tinha ido à praia e, ao chegar em casa, avisou à família que iria participar de um churrasco na sede da Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF), no bairro Benfica, junto a um amigo, Adenilton da Silva Ferreira, o 'Mascote', que também foi executado a tiros.

"Estou com depressão. Não vejo a hora que chegue o julgamento para eles (acusados) pagarem. Pelo que eu vejo dos outros casos, foi até rápido. Vejo outros casos que passam muitos anos impunes. O que eu mais quero no mundo hoje é que eles sejam condenados. Não posso mais trazer meu filho de volta. Então, o que eu posso é querer Justiça", conta Antônio Carlos.

Acusações

Douglas Matias, Francisco Elisson e Stefferson Mateus são acusados pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) por homicídio, homicídio tentado e organização criminosa. Segundo a investigação, os três acusados pertencem à facção criminosa Guardiões do Estado (GDE). De início, a apuração apontava que a chacina teria ocorrido devido a uma rixa entre torcidas organizadas, mas, dias depois, a Polícia Civil divulgou que a motivação para o massacre foi a guerra entre facções rivais pelo território para o tráfico de drogas.

Além de 'Vitim' e 'Mascote', foram mortos, naquele dia: José Gilmar de Oliveira Júnior, Antônio Igor Moreira e Silva, Joaquim Vieira de Lucena Neto, Pedro Braga Barroso Neto e Emilson Bandeira de Melo Júnior.

Dentre os três sobreviventes está o professor Paulo Victor Policarpo, que chegou a ficar em coma induzido e agora lida com as sequelas dos ferimentos. Ele deve depor à Justiça hoje. Maria Valceli Oliveira Policarpo, a mãe, relembra que aquele foi o pior dia da vida dela. "Achei que ali tinha acabado tudo, mas Deus é maior. Desde que aconteceu isso, nossa vida mudou muito. Até hoje, ele (filho) ainda não se recuperou totalmente".

O processo sobre a Chacina do Benfica tramita em segredo de Justiça na 5ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza e faz parte do programa Tempo de Justiça - que visa acelerar ações penais de homicídios no Ceará. A reportagem solicitou entrevista ao MPCE sobre o caso, mas o órgão respondeu, em nota, que "os promotores se manifestarão apenas nos autos do processo e no plenário do julgamento". A defesa dos réus não foi localizada.