Acusados e testemunhas de chacina que deixou 14 mortos em Fortaleza serão ouvidos na Justiça

Quatro primeiras audiências do processo devem contar com um total de 33 testemunhas e 12 réus

Vítimas foram baleadas dentro e no entorno do Forró do Gago, no bairro Cajazeiras, em Fortaleza
Legenda: Vítimas foram baleadas dentro e no entorno do Forró do Gago, no bairro Cajazeiras, em Fortaleza
Foto: JL Rosa

Acusados de participar dos assassinatos de 14 pessoas, em Fortaleza, e testemunhas dos homicídios serão ouvidas na Justiça Estadual, em outubro e novembro deste ano. A 2ª Vara do Júri marcou as quatro primeiras audiências de instrução do processo da Chacina das Cajazeiras.

A decisão, datada do último dia 27 de julho, prevê o depoimento perante o juiz de 33 testemunhas e o interrogatório dos 12 réus pelos crimes, em quatro audiências: nos dias 25, 26 e 29 de outubro e 5 de novembro de 2021.

3,5 mil
A Chacina das Cajazeiras ficou marcado como um dos episódios mais sangrentos da história do Ceará e teve repercussão internacional. A Polícia precisou dar uma resposta sobre o caso e obteve a prisão de todos os 15 acusados. O processo criminal original sobre a matança já conta com mais de 3,5 mil páginas, na Justiça Estadual, e chega à fase das audiências de instrução, após três anos e meio.

De acordo com as investigações policiais, membros de uma facção criminosa cearense chegaram já atirando a uma festa que ocorria no Forró do Gago, no bairro Cajazeiras, no dia 27 de janeiro de 2018. A motivação da carnificina seria a presença constante de membros de uma facção carioca rival naquele local e a disputa entre os grupos criminosos por território para o tráfico de drogas. Entretanto, pessoas que não tinham passagem pela Polícia também tiveram a vida ceifada.

Foram mortos Maíra Santos da Silva (15 anos), Maria Tatiana da Costa Ferreira (17), Brenda, Oliveira de Menezes (19), José Jefferson de Souza Ferreira (21), Raquel Martins Neves (22), Luana Ramos Silva (22), Wesley Brendo Santos Nascimento (24), Natanael Abreu da Silva (25), Antônio Gilson Ribeiro Xavier (31), Renata Nunes de Sousa (32), Mariza Mara Nascimento da Silva (37), Edneusa Pereira de Albuquerque (38), Raimundo da Cunha Dias (48) e Antônio José Dias de Oliveira (55).

Um total de 15 homens foi acusado pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) de integrar a facção cearense e de participar dos homicídios no Forró do Gago - como mandantes ou executores. Todos foram presos no curso das investigações, sendo que alguns foram transferidos para presídios federais de segurança máxima. Dois deles conseguiram desmembrar o processo, para responderem individualmente. E um morreu sob custódia do Estado, após quadro de tuberculose.

Acusados pela Chacina no processo original:

Auricélio Sousa Freitas
Ayalla Duarte Cavalcante
Ednardo dos Santos Lima
Fernando Alves de Santana
Francisco de Assis Fernandes da Silva
Francisco Kelson Ferreira do Nascimento
Joel Anastácio de Freitas
Misael de Paula Moreira
Noé de Paula Moreira
Ruan Dantas da Silva
Victor Matos de Freitas
Zaqueu Oliveira Silva

Acusados pela Chacina em outros processos:

Deijair de Souza Silva
João Paulo Felix Nogueira

*Rennan Gabriel da Silva (morreu enquanto estava preso)

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