Acusados de roubo ao BC estão no Ceará

Legenda:
Foto: Arquivo
Pelo menos quatro integrantes da quadrilha que praticou a maior ação contra bancos do Brasil, a invasão da casa-forte do Banco Central (BC) de Fortaleza, em agosto do ano passado, quando foram roubados R$ 164,7 milhões, já estão na Capital cearense. Eles foram transferidos numa operação cercada de total sigilo e, ontem à tarde, recolhidos à nova Casa de Privação Provisória de Liberdade (CPPL) Desembargador Francisco Adalberto de Oliveira Barros Leal, em Caucaia.

A reportagem do Diário do Nordeste conseguiu apurar que a operação aconteceu na noite de sexta-feira da semana passada (15/09), quando os presos chegaram de avião a Fortaleza e foram levados para a sede da Superintendência de Polícia Federal (PF), possivelmente para serem interrogados a respeito de suas possíveis participações no roubo milionário ao BC. Ontem, por medida de segurança, acabaram sendo transferidos para a nova CPPL, em Caucaia. São eles: Giovani Laurindo Costa, o ‘Boca de Lata’; Fabrizio Oliveira Santos, o ‘Tuta’ ou ‘Boy’; o advogado Edson Campos Luziano, e um quarto homem que, possivelmente, é Germano Luiz da Silva, que seria o responsável pela montagem da máquina de retirar terra dos túneis escavados pela quadrilha, no Brasil e exterior (veja matéria coordenada, abaixo).

Nos próximos dias eles deverão ser interrogados pelo juiz Danilo Fontelelle Sampaio, da 11ª Vara da Justiça Federal, onde o processo que apura o furto milionário está tramitando. O magistrado vai procurar saber detalhes do plano que resultou numa das ações criminosas mais espetaculares dos últimos tempos. Também tentará obter informações sobre as identidades e localizações de outros integrantes do bando que ainda não foram capturados pelas equipes da PF. ‘Boca de Lata’ é irmão de Raimundo Laurindo Barbosa Neto, o ‘Neto Laurindo’, capturado em Parnaíba, no Piauí e tido como líder da organização criminosa.

OPERAÇÃO - Tão logo o arrombamento da casa-forte do BC de Fortaleza foi descoberto, no dia 8 de agosto do ano passado, a Polícia Federal iniciou um trabalho investigativo que culminou, no primeiro dia deste mês, no maior golpe contra o crime organizado no País. A operação ‘Facção Toupeira’ foi desencadeada em vários estados brasileiros, como o Rio Grande do Sul, Piauí, Alagoas, São Paulo, Ceará, dentre outros. Mais de 45 pessoas foram presas, a maior parte delas em um antigo prédio do Instituto Nacional de Securidade Social (INSS), no Centro de Porto Alegre, adquirido pela quadrilha para servir de ponto de partida de um túnel que levaria os bandidos às caixas-fortes do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) e da Caixa Econômica Federal, de onde pretendiam retirar pelo menos R$ 80 milhões.

Mas o plano acabou sendo frustrado, graças ao minucioso trabalho investigativo realizado pelos agentes ‘federais’, que tiveram paciência e aguardaram cerca de um ano, para apanhar o grupo em plena ação criminosa. Mais de 20 pessoas estavam ali e, pelo menos 12, dentro da escavação. Ao mesmo tempo, uma casa alugada em Alagoas foi ‘estourada’ e duas pessoas flagradas, vigiando um segundo túnel, que seria utilizado para invadir outra agência bancária.

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