Acusados de integrar facção presos com arsenal em Aquiraz são condenados a mais de 34 anos de prisão

O grupo foi condenado pelos crimes de organização criminosa e posse irregular de arma de fogo de uso permitido. A defesa já recorreu da sentença

Polícia apreendeu sete armas de fogo na posse dos quatro acusados, em casas no Iguape, em Aquiraz
Legenda: Polícia apreendeu sete armas de fogo na posse dos quatro acusados, em casas no Iguape, em Aquiraz
Foto: Divulgação/ SSPDS

Quatro acusados de integrar uma facção criminosa carioca, presos na posse de um arsenal, em Aquiraz, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), foram condenados a mais de 34 anos de prisão, pela Vara de Delitos de Organizações Criminosas, da Justiça Estadual. A defesa dos réus já recorreu da condenação.

A decisão foi proferida pelo colegiado de juízes no último dia 24 de maio e publicada no Diário da Justiça Eletrônico da última quinta-feira (17). O grupo foi condenado pelos crimes de organização criminosa e posse irregular de arma de fogo de uso permitido e absolvido do crime de corrupção de menores. A defesa dos acusados sustentou, no processo, que não havia provas para condená-los por esses crimes.

Eronilson Rodrigues Ferreira foi condenado a 9 anos e 4 meses de prisão, sem direito de recorrer em liberdade. Ronaldo Morais Farias foi sentenciado à mesma pena, mas recebeu o benefício de recorrer em liberdade. Já Alexssandro Moura da Silva e Ruan David Torquato da Costa foram condenados a 7 anos e 11 meses de prisão, com direito a recorrer em liberdade.

Segundo a sentença, a denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE) apresenta que o grupo foi preso em 29 de maio de 2018, na localidade de Iguape, em Aquiraz, após a Polícia Militar do Ceará (PMCE) ser acionada para uma ocorrência de disparos de arma de fogo na região.

Nas buscas, os policiais militares abordaram Ruan David, Ronaldo Morais e Alexssandro Moura, que confessaram integrar uma facção carioca que atua no Ceará. Os suspeitos levaram os PMs até uma residência, onde foram apreendidos dois revólveres e preso também Eronilson Rodrigues, que estava junto de uma adolescente.

7 armas apreendidas
Os suspeitos confessaram que guardavam mais armas em outra residência, para onde os agentes de segurança se deslocaram. Lá, os policiais encontraram duas espingardas e três pistolas.

Segundo as investigações, o grupo estava encarregado de assumir o comando do tráfico de drogas da região, em um embate com uma facção rival.

À época, Eronilson já tinha passagens pela Polícia por tentativa de homicídio, associação criminosa, porte ilegal de arma de fogo e corrupção de menor; e Ronaldo, por tentativa de homicídio e tráfico de drogas. Os outros dois suspeitos não tinham antecedentes criminais.

Defesa dos réus recorre da condenação

A defesa dos quatro réus já ingressou com Recurso de Apelação, contra a sentença condenatória, no Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), no último dia 27 de maio. Como foi concedido o direito pela Justiça, Alexssandro, Ronaldo e Ruan irão aguardar a análise do recurso em liberdade.

No Recurso, a defesa afirma que a ação policial foi "desastrosa", que os policiais militares "entenderam de apontar" os clientes como membros de facção criminosa, "tendo ainda a força policial entendido de invadir algumas casas naquela mesma localidade, tendo aí sido apreendido todo material ilícito descrito no termo de apreensão, salientando que ao procederem na revista pessoal do requerente e dos demais autuados, nada de ilícito foi encontrado". 

"Tendo então os policiais apresentado a autoridade policial uma jovem menor de idade encontrada na posse de 02 (duas) armas tendo esta afirmado que estava 'apenas guardando'", acrescenta a defesa, esclarecendo ainda que a jovem não apontou os clientes como proprietários das armas.

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