Shoppings valorizam imóveis em Juazeiro do Norte e Sobral

Municípios do Interior registram crescimento para novas áreas das cidades, refletindo a expansão da economia

Iguatu A virada da primeira década deste século, nas cidades polos regionais do Interior do Ceará, foi caracterizada por expansão do setor imobiliário. O preço dos imóveis residenciais e comerciais subiu consideravelmente. O processo de urbanização foi acentuado. A crescente demanda favoreceu a abertura de loteamentos e a implantação de empreendimentos residenciais e comerciais de padrões elevados, como os shoppings centers, antes restritos aos grandes centros urbanos.

As cidades de Juazeiro do Norte, no Cariri cearense, e Sobral, na Zona Norte do Estado, permanecem em franca expansão imobiliária. A verticalização na construção civil está acentuada. O metro quadrado mais caro está em Juazeiro do Norte, R$ 6 mil, nas proximidades do Cariri Garden Shopping. Em Sobral, o Centro tem o metro quadrado mais valorizado, R$ 5 mil. Porém é no entorno do North Shopping onde a alta é mais acelerada. O metro quadrado custava antes R$ 300,00, passando para R$ 700,00, uma valorização de R$ 133%. Liberação de crédito para o setor habitacional, implantação de cursos universitários e o crescimento de atividades comerciais e industriais contribuíram de forma decisiva para o "boom" imobiliário nas duas maiores cidades do Interior.

Prevista para acontecer somente nos próximos 20 anos, a expansão imobiliária do Cariri vem paulatinamente chamando a atenção de especialista do setor. Motivado pela presença de milhares de estudantes de universidades públicas e privadas que funcionam nas três principais cidades da região - Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha - e ainda pela abertura de novos empreendimentos comerciais, que garantem oportunidades de trabalho e, portanto, de crescimento do setor econômico, o mercado comemora os resultados obtidos a partir da última década.

Em Juazeiro do Norte, o crescimento imobiliário se traduz principalmente de maneira vertical. O número de edifícios que são construídos a cada novo ano alimenta as esperanças de empresários do setor. Motivados por bons lucros, os empreendedores diversificam os padrões de construção das obras.

Áreas residências também estão sendo construídas em maior velocidade, a exemplo do que vem acontecendo no bairro Betolândia, onde dezenas de casas são edificadas em dois padrões distintos, sendo um para venda e outro para locação.

O bairro Triângulo, onde funcionam os maiores empreendimentos da cidade, como o Cariri Garden Shopping e o Hospital Regional do Cariri, por exemplo, continua sendo a mais valorizada. O metro quadrado no local chega a custar cerca de R$ 6 mil, valor abaixo do praticado em áreas mais cotadas da Capital, que variam entre R$ 10 mil e R$ 12 mil, a exemplo dos bairros Meireles e Aldeota.

No bairro Lagoa Seca, a segunda região de maior valorização em Juazeiro do Norte, o metro quadrado chega a ser vendido por R$ 4,5 mil.

Zona Norte

O mercado imobiliário de Sobral continua em franca expansão, combinando com os números de crescimento na cidade. Vivendo hoje seu quarto ciclo de desenvolvimento, o município se converteu em polo regional de emprego e educação, sendo considerada capital regional, com mais de 200 mil habitantes e recebendo quase 900 mil moradores das cidades vizinhas.

De acordo com o corretor de imóveis Weller Barreto, são considerados pelos consumidores os melhores bairros para se morar o Derby Clube, Parque da Cidade e Junco. "Com destaque para o Derby, que hoje é o bairro residencial mais caro de Sobral, com uma média de R$ 1 mil o metro quadrado de terreno e R$ 4 mil o metro quadrado construído. Um apartamento de 60 metros quadrados fica em média R$ 250 mil", avalia Barreto.

No setor de moradias, os apartamentos são os mais procurados e, em decorrência da elevada demanda, alcançam altos valores. "Nas proximidades do Centro de Convenções há um novo empreendimento de um apartamento com piscina por andar, de 240 metros quadrados. O preço da unidade hoje está de R$1,7 milhão. Das 14 unidades, oito já foram vendidas", destaca ele.

Já o imóvel comercial mais caro continua sendo no Centro da cidade, na Avenida Dom José, onde se pode encontrar o metro quadrado por até R$5 mil. Terrenos nas margens da BR-222 podem chegar até a R$ 3 milhões por ser a área industrial. E as imediações do North Shopping destacam-se como o mais aquecido. Nas unidades comerciais, o mais procurado é o João Evangelista Business Center, com 120 salas em oferta.

Perfil das cidades prevê mudanças

Russas
Este município também experimenta forte expansão imobiliária. O crescimento do setor ocorre desde o fim da década passada e é decorrente de investimentos indústrias e de atividades agropecuárias.

Para a advogada e sócia proprietária da Casa 8 Imobiliária, Ticiana Abreu, os investimentos em outras atividades geraram emprego, renda e atraíram moradores para a sede. "Esse momento de expansão imobiliária se deve a empreendimentos feitos na cidade nos últimos anos e também nos arredores dela", observou. "Como exemplo, temos uma fábrica de cimento, que é geradora de empregos, o Perímetro Irrigado Tabuleiro de Russas, que se destaca na produção de frutas, e a implantação de cursos universitários". Como símbolo do momento em que vive o setor, estão em construção no novo bairro denominado Cidade Universitária, os primeiros edifícios. "As três torres de apartamentos simbolizam um novo perfil de edificações para cidade", ressalta Ticiana Abreu. O setor de imóveis residenciais deve permanecer em expansão e a perspectiva é de demanda crescente a partir da vinda de milhares de estudantes universitários.

Ainda de acordo com Ticiana Abreu, a cidade oferece imóveis para todos os empreendimentos, como moradias e negócios. Como exemplo, ela cita uma área onde será implantado um parque de energia solar e os estudos de um terreno para construção de um shopping center. Em alguns bairros, a variação do metro quadrado chegou a 400% nos últimos cinco anos, passando de R$ 20,00 para R$ 100,00.

Sertão Central

A valorização imobiliária cresceu vertiginosamente nas duas maiores cidades do Centro do Estado: Quixadá e Quixeramobim. Enquanto em Quixadá, as universidades são consideradas as principais responsáveis pela alta no preço dos imóveis e o crescimento de áreas residenciais nobres; em Quixeramobim, o mercado começou a aquecer mais em razão da construção do Hospital Regional Estadual, com término da obra previsto para o segundo semestre deste ano. Na maioria das áreas das cidades de Quixadá e de Quixeramobim, a valorização de terrenos superou os 500%. No início desta década, um lote padrão de 150 metros quadrados não custava mais de R$ 10 mil. Hoje, supera os R$ 50 mil.

Segundo os corretores de imóveis, dentre eles, Edilson Barbosa, da Imobilix Empreendimentos Imobiliários, parte dessa valorização está associada aos incrementos nos loteamentos e a implantação de obras de infraestrutura dessas áreas. Com elas surgem também novos investimentos, como a construção de áreas comerciais coletivas, shoppings.

O padrão dos imóveis e o poder econômico dos proprietários também influenciam. Outra vantagem é o rendimento financeiro com a aquisição do terreno, muito superior ao oferecido pelos bancos, no mínimo 30% a mais em relação à poupança. Dessa forma, a compra de lotes passou a ser um bom investimento. Para o corretor Andrade Maia, com mais de 35 anos de atividade no setor, os benefícios comuns nos loteamentos influenciam na elevação do preço, mas no final compensam o investimento. Maia cita o Gran Jardim dos Monólitos, a primeira área de condomínio fechado de Quixadá, como exemplo. Os lotes de 300 metros quadrados custam R$ 64 mil.

O empreendimento conta com pista de caminhada, piscina, portaria e até circuito interno de monitoramento. "Quando construírem seus imóveis, os proprietários não precisarão murar, pois haverá proteção coletiva contornando todo o loteamento", ressalta Maia.

Apesar da supervalorização, em razão da especulação imobiliária, os preços dos imóveis nas duas cidades estão se estabilizando. Seguirão o padrão dos grandes centros urbanos. A oferta continua grande e vai normalizar os valores de venda. No momento, são mais de 10 loteamentos nas duas cidades, com preços variando de R$ 130,00 a R$ 200,00 por metro quadrado.

Os imóveis construídos, na maioria deles, seguem os padrões de financiamento da Caixa Econômica Federal (CEF), com preços em torno de R$ 110 mil a R$ 130 mil, a unidade residencial. Por fim, o corretor Andrade Maia observa que a maioria dos empreendedores é formada por pequenos investidores, interessados em lucrar com as construções ou por meio do rendimento de aluguéis. Daí apostarem nas novas unidades.

 

Honório barbosa e sucursais
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