Poeta Pedro Bandeira é homenageado

O Cariri é o centro geográfico do Nordeste e na região, segundo pesquisadores, estão reunidas características artesanais dos nove Estados nordestinos. Essa inspiração, lembrada durante a posse dos novos integrantes da Federação, foi evocada pelo renomado poeta popular e cantador, Pedro Bandeira. Ele foi um dos homenageados no catálogo, junto com Júnior Boca, artista integrante da banda Dr. Raiz, músico e pesquisador da arte regional e outros.

Pedro Bandeira destacou o papel do Padre Cícero como maior artesão da região. Com razão, porque o patriarca dos nordestinos abriu as portas de Juazeiro para receber, sob o lema do trabalho e da oração, levas de romeiros, entre eles artistas. Essas pessoas eram acolhidas e recebiam o incentivo do sacerdote. Se instalaram na cidade, que passou a ser um grande mercado a céu aberto das artes. Em ruas e esquinas, no Centro de Cultura Popular Mestre Noza, na ladeira do Horto, e diversos outros locais do município estão sendo produzidos, nesse momento, centenas de artigos. Também falou do caráter ecológico dos trabalhos desenvolvidos pelos artesãos, com inteiro respeito à natureza. “O artesão é um homem de Deus e a artesã uma mulher de Nossa Senhora”, completa.

“Aqui se faz mais do que se fala”, diz o diretor técnico do Sebrae, Sérgio Alcântara, ressaltando a grande importância do trabalho do artista regional. No catálogo estão presentes trabalhos de artesãos e associações de nove municípios. Entre eles estão Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha, Caririaçu, Jardim, Várzea Alegre, Grangeiro, Lavras da Mangabeira e Campos Sales.

A apresentação do catálogo foi feita por Diva Mercedes, coordenadora do Programa de Artesanato do Sebrae. Um dos principais passos que deve ser seguido pelos artesãos, diz ela, é a profissionalização. “É importante o setor gerar renda. É preciso que o artesão mostre a sua cara e o seu valor. Para isso, tem que se profissionalizar”, diz.

Todos os produtos feitos através da federação estarão com a logomarca que faz parte do processo de criação dos artesãos. A marca foi escolhida de forma democrática. Todos os representantes de associações opinaram. O envolvimento dos artistas tem agregado criatividade e consequentemente valor ao produto. Resultado de uma troca permanente de experiências. “O artesanato daqui pode competir em pé de igualdade com o trabalho de estados como Minas Gerais, Goiás, mas é preciso engajamento para que ele se consolide”, frisa Diva.

O gestor de projetos de Artesanato do Cariri, o técnico Vicente Gregório, afirma que a associação foi criada com muito diálogo. O crescimento, com a adesão de outros municípios, irá acontecer naturalmente. A grande tarefa neste momento da entidade é unificar as entidades e reunir mais instituições ligadas à produção de artesanato. “Dar fortaleza e trabalhar para que todas as associações possam se fortalecer. Que os artesãos sejam beneficiados com essa associação, que demorou vários anos para ser criada”, ressalta Luciano. Atualmente, 13 associações fazem parte da federação. A sede será no bairro Santa Tereza, em Juazeiro, a ser inaugurada em novembro deste ano. O local será um espaço de apoio aos artesãos, com salas de oficina, exposição e produção.

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