Pandemia provoca queda média de 14% na doação de sangue no Ceará

As seis unidades de hemocentros tentam através de busca de doadores cadastrados e campanhas externas repor os estoques que estão no limite

Legenda: No trimestre de março a maio de 2020, houve 21.150 bolsas de sangue doadas, no Ceará. Em igual período de 2019, foram 24.514. Uma queda de 13,72%.
Foto: Reprodução

O Ceará teve uma queda de cerca de 14% na doação de sangue no segundo trimestre (março, abril e maio) deste ano, em comparação a igual período de 2019, nos seis Centros de Hematologia e Hemoterapia do Interior do Estado e na Capital. As medidas de isolamento social e o receio de ir aos hemocentros contribuíram para essa queda, segundo avaliação dos coordenadores das unidades. Em hemocentros no Interior do Ceará, a baixa chegou a 20%.

De acordo com balanço feito pelo Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce), no trimestre de março a maio de 2020, houve 21.167 bolsas de sangue doadas, no Ceará. Em igual período de 2019, foram 24.526. Uma queda de 13,69%.

Para compensar a redução do número de doações de bolsas de sangue, os cinco hemocentros do Interior - em Crato, Iguatu, Sobral, Quixadá e Juazeiro do Norte passaram a fazer ligação diária para convidar os doadores cadastrados nas unidades ao ato de doação de sangue por agendamento de dia, horário e local, no site do Hemoce. Outro esforço dos hemocentros é manter as campanhas de captação externa em cidades das regiões atendidas. 

“Essa é a nossa grande estratégia, pois se não fosse a captação em outras cidades, o nosso estoque estaria abaixo da demanda”, explicou o coordenador do Hemocentro de Iguatu, Emanuel Martins.

Demanda

A unidade de Iguatu registrou queda de 20% nas doações voluntárias no período da pandemia, que iniciou, oficialmente, em março. “Nesta quarta-feira (1º), conseguimos captar 94 bolsas em uma campanha externa, na cidade de Icó”, pontou Martins. “Atendemos a 25 cidades, mas deixamos de fazer trabalho externo em cinco, mais distantes, por medida de segurança”, finaliza.

Os coordenadores dos hemocentros observam que se por um lado houve queda na doação de bolsas de sangue, por outro houve, também, redução na demanda. “Uma situação compensou a outra, pois as cirurgias eletivas foram canceladas e o número de acidentes diminuíram porque os veículos circulam menos”, observou a coordenadora do Hemoce de Sobral, Valéria Vasconcelos. “Tivemos uma queda de 14% e igual taxa na demanda”.

Neste cenário, Sobral chegou a fazer doação de bolsas de sangue para São Paulo. “Graças ao nosso esforço e a colaboração dos doadores, o Ceará não enfrentou escassez a exemplo de outros estados”, frisou Valéria Vasconcelos. “Trabalhamos em rede, um ajudando o outro”.

Cariri

Na macrorregião do Cariri, que inclui o Centro-Sul e o Sul do Estado, os hemocentros de Iguatu, Crato e Juazeiro do Norte captaram, nos meses de março, abril e maio de 2019, um total de 6.665 bolsas, enquanto no mesmo período deste ano, foram 5.469, representando diminuilção de 17,9%.

Legenda: Quando ocorrem acidentes ou necessidade de transfusão por outras causas, familiares podem fazer a doação de reposição, outra forma de captação de sangue.
Foto: Saulo Roberto

A diretora do Hemocentro da cidade de Crato, Fabíola Alencar, lembra que no início da pandemia a queda foi assustadora, mas depois houve uma retomada na doação de sangue. “As pessoas estavam temerosas, assustadas, mas a partir dos esclarecimentos e do trabalho de entrar em contato com os doadores cadastrados, houve uma melhora significativa”, explicou Fabíola Alencar.

“Sempre adotamos medidas intensas de proteção e higiene, mas agora reforçamos mais ainda”.

Fabíola Alencar disse, ainda, que as medidas restritivas de isolamento social durante a pandemia recomendam a permanência em casa, mas no caso de doação de sangue, há exceção. “Para salvar vidas, é importante, sim, sair de casa”, defendeu, destacando os cuidados de higienização tomados. “Os hemocentros oferecem distanciamento, máscaras, limpeza e toda proteção, além de agendamento dos horários para a doação”.

Necessidade Constante

Em Crato, a coordenadora do Núcleo de Captação do Crato, Naiane Pinheiro, assegura que a necessidade é permanente na unidade - que atende a 28 municípios. “Somos uma unidade regional que dispõe de um hospital também regional que atende pacientes de mais de 40 cidades, em Juazeiro do Norte, além de outras unidades hospitalares. Por isso, há necessidade constante de bolsas de sangue para transfusão”, observou.

“No nosso caso, não houve redução na demanda, mas sim na oferta, em torno de 20% em março e começo de abril”.

O hemonúcleo de Juazeiro do Norte é a única unidade do Interior que recebe doadores no sábado à tarde, por tradição. Mesmo com horário estendido, a pandemia do novo coronavírus trouxe impacto de 30% na oferta de doação de sangue. “Atribuo ao medo de contaminação, mas mantemos todos os cuidados de distanciamento, limpeza e proteção”, disse a responsável pelo setor de captação, Edivânia Ferreira. “O estoque sempre está no limite, mas não tem faltado”.

Quando ocorrem acidentes ou necessidade de transfusão por outras causas, os familiares das vítimas e pacientes fazem a doação de reposição, que é outra forma de captação de sangue nos hemocentros. O fator RH negativo permanece sendo o de menor oferta. “Quando precisamos, fazemos apelos e a população nos atende”, assegura a representante de Juazeiro do Norte, região com maior taxa de transmissão da Covid-19 no Estado.

Serviço

Os hemocentros estão recebendo voluntários com dia e hora marcada, com o objetivo de evitar aglomerações e proporcionar um atendimento personalizado. Dia, hora e local para a doação de sangue podem ser agedados pelo site oficial do Hemoce