MPF apura crimes de racismo contra povo cearense em publicações sobre resgate de ursos em Canindé

A ativista Luisa Mell lançou campanha para resgate dos ursos em suas redes sociais em setembro

O Ministério Público Federal (MPF) vai investigar possíveis crimes de racismo na internet contra o povo de Canindé e do estado do Ceará, após campanha de "resgate", promovida pela ativista Luisa Mell, dos ursos Dimas e Kátia, que vivem no zoológico do município. A ativista começou uma campanha nas redes sociais, no fim de setembro, para que dois ursos pardos fossem retirados de Canindé e transferidos ao Rancho dos Gnomos, uma associação localizada no interior de São Paulo.

Com mais de 1 milhão de seguidores, a influenciadora digital vem usando suas redes sociais para fazer críticas às condições de vida dos ursos e aos integrantes do Santuário de Canindé. Para o MPF, as críticas também à população do município cearense vem insuflando seus seguidores a fazerem o mesmo, o que causou uma enxurrada de mensagens, algumas de conteúdo racista, contra o Santuário, e contra a população de Canindé e do estado do Ceará.

Além da investigação criminal, o MPF também instaurou procedimento de âmbito cível para apurar possível violação à proteção do patrimônio cultural imaterial do município de Canindé, resultante de atos praticados pelo Instituto Luisa Mell. 

O despacho foi assinado pelo procurador da República Adalberto Delgado Neto. O MPF destaca o histórico da construção do zoológico que abriga os ursos pardos, relacionado à religiosidade de Canindé, município com tradição de devoção a São Francisco, conhecido como santo protetor dos animais.

O zoológico é mantido pelo Santuário de Canindé, que defende a permanência dos animais. O local passou por vistoria da Secretaria do Meio Ambiente do Ceará (Semace) no último mês, cuja conclusão foi de que o zoológico cumpre a maioria das normas para manter os dois ursos siberianos.


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