Metais poluentes do Cariri serão reciclados na Alemanha

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
24 de Setembro de 2011 - 00:02
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Os resíduos eram descartados no ambiente pelos fabricantes de joias e semijoias. Alguns causam morte imediata

Juazeiro do Norte. Cerca de 36 toneladas de metal pesado, altamente tóxico, foram retirados das indústrias fabricantes de joias e semijoias de Juazeiro. A ação é resultado de um trabalho que vem sendo desenvolvido em 50% das fábricas, e desde 2004 passa por reciclagem.

O metal, antes depositado no meio ambiente, foi encaminhado para reciclagem na Alemanha, e hoje representa uma alternativa, dentro das normas ambientais exigidas para estas fábricas. A experiência de separação do metal pesado vem sendo feita por meio do consultor da Superintendência de Meio Ambiente do Ceará (Semace), Expedito Flávio dos Santos.

Segundo ele, as 36 toneladas resultam de um esforço de dois anos nas indústrias da cidade, que representam uma fatia importante da economia de Juazeiro e da região. Segundo dados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Juazeiro, esse setor representa um faturamento anual de R$ 50 milhões.

Os principais metais retirados são o zinco, o cobre e o cianeto, que inclusive tem controle da Polícia Federal e do Exército, para entrar nas empresas. Antes, todo o material era jogado fora sem nenhum critério. O consultor chama a atenção para o caso do cianeto, o mais tóxico de todos eles.

O processo de fabricação de joias e semijoias, que envolve várias lavagens, detém uma espécie do que Expedito chama de borra. Esse material passa por uma triagem até ser retirado o material sólido. "Hoje, depois de vários experimentos, chegamos a uma quantidade máxima de retirada desse metal pesado", diz ele. Há todo um critério de acompanhamento, inclusive dos órgãos ambientais. O experimento começou a ser feito pelo químico quando ele ainda estava na universidade.

As denúncias por parte da população de fábricas desse setor como poluentes, inclusive levando sequelas à comunidades da cidade, eram constantes. "E essa sempre foi uma preocupação determinante dos órgãos ambientais", reitera o químico.

Riscos

Agora, segundo ele, surge a alternativa, que era justamente o gerenciamento e encaminhamento desse resíduo para indústrias de grande porte, internacionalmente. Nessas empresas, eles conseguem separar esse material e fazer um reaproveitamento. Desse primeiro resultado, Expedito dos Santos afirma que das 36 toneladas, que saíram da região devidamente lacradas e acompanhadas pela Policia Federal até o porto do Mucuripe, para ser encaminhado para a Europa de navio, foram retirados cerca de sete toneladas de cobre e mais 32 quilos de cianeto, que seriam depositados diretamente na natureza.

O químico chama a atenção, principalmente, para o caso do cianeto, que pode até causar morte imediata, por asfixia. No caso dos outros metais pesado, os prejuízos aparecem a longo prazo, pelo acúmulo desses metais no organismo. Para a lavagem desse material foram utilizados, durante dois anos, cerca de 46 milhões de litros de água.

O químico destaca a alternativa eficiente para o gerenciamento dos resíduos sólidos das empresas locais. Com isso, os órgãos ambientais agora têm como atuar com mais rigor na fiscalização exigindo que haja o encaminhamento correto dos metais poluentes. A maior dificuldade, de acordo com Expedito, foi convencer os empresários do setor a aderir à nova forma de gerenciamento, por conta dos custo. Apenas uma das empresas chegou a pagar um valor maior, cerca de R$ 8 mil, responsável por 10 toneladas de todo o material coletado.

Destino

A empresa receptora dos resíduos é americana, mas uma de suas sedes fica na Alemanha, a Word Resources Company. As empresas locais passam a ter um contrato direto com essa empresa, que fica com todo o material processado.

"E o mais importante é que os custos para isso são bem reduzidos em relação ao que representa de retorno para a sociedade, a economia e o meio ambiente", completa o químico.

Antes, houve a tentativa de encaminhar esse material para a fabricação de cimento, o que seria uma boa alternativa, mas não encontrou viabilidade para empresas locais de trabalharem com esse tipo de resíduo. Já em outra, da cidade de Sobral, que atua com o grupo Votorantim, necessitava-se de, no mínimo, 200 toneladas. Outras empresas, que estão atuando de forma irregular, precisam se adequar à nova alternativa.

MAIS INFORMAÇÕES
Indústria e Comércio de Metais Mondelli Ltda.
Av. Leão Sampaio, 2122 - Lagoa Seca
Juazeiro do Norte - CE/(88) 3572.1828


Elizângela Santos
Repórter