Manta de carneiro dos Inhamuns busca obtenção do Selo Arte para abrir comercialização em todo País

Para alcançar o objetivo, Embrapa e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento iniciam, em 2021, uma série de treinamentos com funcionários de abatedouros, produtores rurais e técnicos de extensão rural

A manta de carneiro preparada nos Inhamuns é um dos cortes mais tradicionais e apreciados da culinária regional, que remonta ao período de ocupação dos sertões nordestino. Agora, a iguaria está na expectativa de poder romper os limites regionais e ser vendida em todo o País.

Para tanto, é preciso receber o "Selo Arte", que é uma certificação federal concedida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), regulamentada em 2019. O Selo possibilita a venda das peças para outros estados, abrindo novas janelas de oportunidades de negócios, ampliando a renda dos criadores e manteiros.

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Diante desse quadro favorável, a Embrapa Caprinos e Ovinos, com sede em Sobral, vai promover um conjunto de capacitações para funcionários de abatedouros, produtores rurais e técnicos de extensão rural, com objetivo de preparar o setor para que a manta de carneiro receba a certificação federal.

O treinamento aos integrantes da cadeia produtiva da manta é necessário para atender aos requisitos de controle sanitário, inspeção e boas práticas de fabricação do produto exigidos para obtenção do Selo Arte, que será fiscalizado por técnicos da Agência de Defesa Agropecuária do Ceará (Adagri).

As capacitações, que já iniciam no próximo ano e terão duração de seis meses, serão ofertadas em parceria entre a Embrapa e o Mapa. De acordo com o programa, haverá três cursos de capacitação: em boas práticas agropecuárias para criadores de caprinos e ovinos e técnicos de extensão rural locais; abate para funcionários de abatedouros da região; e fabricação para os processadores da manta, os chamados “manteiros”.

O projeto também prevê ações de divulgação da manta, com suas características de produto artesanal e tradicional do território dos Inhamuns. O chefe da Embrapa Caprinos e Ovinos, em Sobral, Marcos Bonfim, apontou que a expectativa é de que, com uma futura certificação do Selo Arte, “novos mercados serão conquistados e a peça terá valor agregado”.

Para a pesquisadora Lisiane Lima, da unidade da Embrapa em Sobral, “os consumidores também serão beneficiados por ter uma garantia de qualidade na produção e o respeito às boas práticas agropecuárias e sanitárias”.

Lisiane Lima acrescenta que “os produtores terão ganhos diretos com a eficiência de custos e de qualidade nos processos de abate e beneficiamento da manta, além de aumentar a sustentabilidade da cadeia produtiva na região”.

A pesquisadora da Embrapa alerta, no entanto, que não "basta apenas cumprir as normas sanitárias" e de produção, mas é preciso que os criadores e manteiros “tenham organização, planejamento e regularidade da oferta”, isto é, consigam produção “em escala que atenda a demanda dos mercados consumidores”.

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