Livro aborda lado cruel e violento de Lampião e do cangaço

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Redação producaodiario@svm.com.br
Crato (Sucursal) — A 2ª edição do livro “Lampião e o Estado Maior do Cangaço”, de autoria dos escritores Magérbio Lucena e Hilário Lucetti, foi lançada no Crato. A solenidade ocorreu no auditório da Câmara Municipal, no último domingo. Ao contrário da maioria dos escritores que apresenta o cangaço como um movimento social e Lampião como um verdadeiro “Robin Hood” que tomava dos ricos para distribuir com os pobres, o livro mostra o lado violento e cruel do cangaço, protagonizados por “bandoleiros que não tinham nenhuma motivação ideológica ou social”, afirmam os autores.

Hilário e Magérbio seguiram as pegadas de Lampião, entrevistaram cangaceiros, coiteiros, policias e, principalmente, as vítimas da violência do cangaço. Os dois escritores incluíram na obra fatos regionais que não tiveram a projeção merecida na história do cangaço. Viajante aposentado, Hilário fez de suas andanças pelo sertão uma fonte de pesquisa. Médico inteligente e sensível, Magérbio repetiu o gesto do também médico, Otacílio Macedo, que publicou a mais importante entrevista com Lampião, quando o rei do cangaço esteve em Juazeiro, onde recebeu a patente de capitão.

Na apresentação do livro, os dois escritores advertem que “lenda não é história. No Brasil, país pobre de heróis, a memória popular dura pouco. Bandoleiros terríveis, desaparecidos há pouco mais de meio século, são hoje louvados por atos de benevolência. Valoriza-se muito a lenda do “injustiçado” que atirou-se ao crime como única forma de sobrevivência, sem lembrar que, num imenso país como o nosso, um homem de bem não estaria condenado a fazer do cangaço um rendoso meio de vida, pilhando, torturando e assassinando pessoas inocentes, às vezes, por mero sadismo”.

É dentro dessa visão, que o médico e o viajante biografam e narram histórias de Lampião e seus cangaceiros sem se deixar envolver, por exemplo, pela literatura de cordel que, segundo Magérbio, “costuma transformar covardes em heróis”. A versão dos escritores cratenses é confirmada pelo prefaciante do livro, Enéas Athanázio, que diz: “o cangaço foi um estilo de banditismo com características próprias . O livro pinta de corpo inteiro facínoras temidos em todo o Nordeste que aterrorizavam a região”.

“Eram homens duros, de coragem sobre-humana e de inacreditável crueldade. Astutos, desconfiados e ágeis com víboras, muitos deles de grande sabedoria e inteligência popular”, afirma Enéas. O livro mostra que Lampião foi perverso, calculista, inaugurando a era do cangaço sem ética, que nada e a ninguém poupava, fossem velhos, mulheres, crianças ou pobres que cruzaram no seu sangrento caminho.