´JN no Ar´ mostra realidade de Barbalha

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Todo dia, o projeto do Jornal Nacional percorre cidades com mais de 40 mil habitantes a bordo de um avião Falcon 2000

Barbalha. O Hospital e Maternidade São Vicente de Paulo foi o primeiro equipamento visitado pela equipe do "JN no Ar" na cidade de Barbalha. Este é o 19º município visitado pelo projeto da Rede Globo, com o objetivo de mostrar experiências positivas e negativas encontradas nas cidades brasileiras que tenham mais de 40 mil habitantes.

Na visão do jornalista Ernesto Paglia, "o Brasil está decolando do ponto de vista econômico. Aonde a gente vai, com rara exceção, tem celular e motos circulando. Mas nem sempre as instituições acompanham este ritmo de crescimento".

"Faltam estradas, assistência médica, escolas e aeroportos. Em alguns casos, observam-se aeroportos superdimensionados. Não existe um planejamento em longo prazo. Enquanto a iniciativa privada pensa no hoje, o Estado não cumpre o papel que lhe cabe".

Ao fazer estas observações, o jornalista faz questão de despolitizar a sua declaração, esclarecendo que não está se referindo a um governo, mas aos administradores de um modo geral, independente de partido.

Por onde andou, segundo Ernesto Paglia, a equipe flagrou hospitais públicos inoperantes, estradas em frangalhos, saneamento precário ou inexistente, obras inacabadas e altas taxas de analfabetismo. O repórter citou como exemplo a cidade de Guarapari, no Espírito Santo.

"Embora a cidade tenha mais de 100 mil habitantes e receba 600 mil visitantes entre o Ano-Novo e o Carnaval, quem precisa de atendimento médico pelo SUS só pode contar com 69 leitos de pequenos hospitais privados conveniados. E nenhum deles é para emergências", relata.

Em Barbalha, mesmo com poucos recursos, os diversos setores do Hospital funcionam bem. É claro que existem carências, afirmou Paglia, chamando a atenção para a Unidade de Terapia Intensica (UTI) Neonatal, que tem apenas sete leitos para atender à região. "É pouco, mas é um brinco, comparando com outras unidades hospitalares", disse o jornalista destacando o ambiente humano que predomina no Hospital de Barbalha. "Com gestão competente, a falta de dinheiro é bem administrada, este é um exemplo claro dessa situação".

A produção do "JN do Ar" não antecipou a pauta a ser cumprida em Barbalha, mas está incluída no roteiro alguns aspectos da Festa do Pau da Bandeira, que ocorre no mês de junho e se constitui no maior símbolo da religiosidade popular do Cariri. Enquanto uma equipe percorria todas as dependências do Hospital São Vicente de Barbalha, uma segunda equipe cumpria outra pauta, já que o desafio é fazer o retrato de cada cidade em um dia.

Logística

Depois de investir em uma caravana de ônibus para captar os anseios da população nas eleições ocorridas em 2006, o Jornal Nacional encontrou nas viagens aéreas uma forma de expor com mais dinamismo os contrastes do País. Ernesto Paglia pode estar um dia no Acre, outro dia no Espírito Santo e logo depois na Paraíba.

Logo depois do sorteio que indicou a cidade de Barbalha, uma equipe da TV Verdes Mares Cariri, comandada pelo editor Flávio Pinto, foi deslocada para o Aeroporto de Juazeiro a fim de dar apoio logístico à equipe. Antes do dia amanhecer, a produção já estava em Barbalha.

Imprevisibilidade

A rapidez do deslocamento trabalha a favor do jornalismo. "Pegas de surpresa, as autoridades locais não têm tempo de maquiar a realidade". Ele conta que já ocorreu casos das prefeituras providenciarem a limpeza de rua ao saberem que seriam visitadas. "Mas com a velocidade do jato e a imprevisibilidade do sorteio, a gente contorna o problema. Também é preciso confiar no faro jornalístico e nos 30 anos de experiência".

Paglia acompanha ao vivo no Jornal Nacional e no Fantástico o sorteio do lugar a ser visitado no dia seguinte. A bordo de um Falcon 2000, a equipe viaja sempre à noite. A equipe também conta com um monomotor se for preciso pousar em aeroportos menores. O JN no Ar deverá visitar uma cidade dos 26 Estados e do Distrito Federal até o dia 30, às vésperas do primeiro turno das eleições.

Antônio Vicelmo
Repórter
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