Gestão compartilhada deve aliviar crise financeira de hospitais-polos

O novo modelo anunciado propõe a integração entre municípios e Governo do Estado. A medida beneficiará as unidades de saúde do interior cearense que enfrentam dificuldades financeiras para manter o atendimento

Legenda: A medida objetiva melhorar a estrutura e o atendimento dos hospitais-polos do interior do CE
Foto: FOTO: HONÓRIO BARBOSA

A maioria dos 34 hospitais-polo no interior do Ceará enfrenta dificuldades financeiras para manter o atendimento de média complexidade. O anseio quase consensual por parte dos gestores é por mais recursos. Diante dos baixos repasses, os déficits mensais vão se acumulando e crescendo ao longo dos anos. Ainda conforme os gestores, desde 2013 os valores das clínicas não são atualizados pelo Governo do Estado.

Os administradores apontam crescimento das despesas para custeio das unidades microrregionais. Déficits mensais, atraso de pagamento de fornecedores, escassez de medicamentos e de profissionais de saúde são os problemas mais recorrentes das unidades polos, além da dificuldade de transferência de pacientes para hospitais de referência das macrorregiões.

Gestão compartilhada

Diante deste cenário, a Associação dos Municípios do Ceará (Aprece) defende um novo modelo de gestão dos hospitais-polos. A ideia do presidente da entidade, Nilson Diniz, é que ocorra uma administração compartilhada entre os municípios da microrregião com a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) a partir de uma análise detalhada.

"Precisamos de um novo olhar para essas unidades regionais. E, sobretudo, analisar efetivamente como e onde os gastos estão sendo feitos", pontuou Diniz. Um exemplo ocorre no Hospital Regional de Iguatu (HRI). A unidade atende a 10 municípios do Centro-Sul cearense e mais uma vez dá um grito de socorro ao Governo do Estado mediante o déficit mensal de R$ 905 mil.

"O Município sozinho não pode continuar bancando essa conta", observou o prefeito Ednaldo Lavor. O titular da Sesa, Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, visitou, recentemente, o Hospital de Iguatu e reuniu-se com gestores da região Centro-Sul do Estado. Após o encontro, anunciou o plano de administração compartilhada, conforme pretendido pela Aprece. A ideia é que os municípios contemplados com os atendimentos dos 34 hospitais-polos cearenses ajudem a manter as unidades hospitalares.

Retornando ao exemplo acima, o Hospital de Iguatu não mais seria administrado apenas pela Prefeitura, como ocorre atualmente. A unidade ganharia apoio dos nove municípios a quem atende e também do Governo do Estado.

Déficit financeiro

O diretor do Hospital-polo de Várzea Alegre, Carlyle Aquino, avaliou como positivo o novo modelo e destacou que cada unidade tem suas peculiaridades e que as dificuldades financeiras são proporcionais ao tamanho das cidades. Ele observa que cada clínica recebe R$ 78 mil por mês. "Esse valor está defasado e não é mais suficiente", frisou. "No período, houve aumento salarial, de energia e de outros insumos".

Aquino observa que, se os hospitais-polos funcionarem bem, vai desafogar os regionais do Governo do Estado. O hospital de Várzea Alegre tem um déficit mensal de R$ 65 mil. "Para esse primeiro semestre tivemos recursos de emenda parlamentar, mas não sabemos como faremos no segundo semestre", observou o gestor.

O Hospital Regional de Icó enfrenta quadro semelhante. "Temos um déficit em torno de R$ 400 mil mensais", disse a chefe de Gabinete Rosana Figueiredo. "O que recebemos do Governo Federal (R$ 400 mil) e do Governo do Estado (R$ 312 mil) mal cobre a folha de pagamento dos médicos".

A Sesa vai iniciar por Iguatu, o projeto de revitalização dos hospitais-polos regionais, em parceria com as prefeituras. "Nosso objetivo é dotar todas essas unidades de um novo modelo de administração compartilhada", afirma o secretário Carlos Martins. Após a modernização da gestão no Centro-Sul, serão atendidas as unidades de Crateús, Tianguá, Tauá e Limoeiro.

UTIs

Além do modelo de gestão compartilhada, Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho divulgou a construção e instalação de Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) em Crateús, Iguatu, Limoeiro do Norte, Tauá e Tianguá. Essas unidades passam a fazer parte do projeto de reformulação dos hospitais-polo regionais no interior do Estado.

O anúncio do secretário animou os gestores. Jaimir Bósio, diretor administrativo do Hospital Regional de Tauá, que por sua vez é mantido pela Sociedade Beneficente São Camilo, disse que "com a UTI vamos evitar a transferência de pacientes graves". O rápido atendimento, sem que seja necessário transportar pacientes para outros centros é, sobremaneira, um ganho para a comunidade. O repasse para esses cinco hospitais deve, consequentemente, sofrer maior reajuste, uma vez que os custos com a implantação das UTIs demandam maior verba.

Além de Tauá, os camilianos administram hospitais filantrópicos em Crateús, Tianguá, Limoeiro do Norte e Itapipoca, que apresentam saúde financeira bem melhor do que os hospitais públicos polos regionais.

O gestor de Iguatu ressaltou que o Hospital Regional "até já tem construído o espaço da UTI, mas sozinho, a unidade não tem como comprar equipamentos, contratar médicos e colocar em funcionamento", pontuou Ednaldo Lavor. Com o anúncio de expansão, esses custos serão assumidos pelo Governo do Estado.

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