Famílias de Ubajara só devem voltar para casa após autorização dos órgãos responsáveis

Barragem foi embargada devido a riscos de rompimento de estrutura

Legenda: Barragem do açude Granjeiro foi embargada pela Agência Nacional das Águas (ANA).
Foto: Foto: Banco de Imagens Ana

As famílias que foram retiradas das residências, em Ubajara, só devem retornar para casa depois da autorização da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros e da Agência Nacional das Águas (ANA), segundo a prefeitura da cidade. Desde sábado, 513 famílias estão sendo retiradas de suas residências em localidades próximas ao açude Granjeiro, cuja estrutura está danificada e pode romper, conforme avaliação da Defesa Civil.

Nesta segunda-feira (18) os trabalhos de retirada das famílias foram retomados, mas há quem resista a sair. Uma equipe de assistentes sociais e psicólogos foi enviada pela Prefeitura de Ubajara com objetivo de levar os moradores do local para os abrigos. De acordo com o secretário de assistência social de Ubajara, Jairo Araújo, ainda existem pessoas que não querem deixar suas residências.

Ainda de acordo com o secretário, cerca de 250 famílias ja foram retiradas. A maioria foi para casas de parentes e 81 pessoas ficaram alojadas no Santuário da Mãe Rainha, distante da área de risco.. 

Embargo

A barragem do açude Granjeiro foi embargada pela Agência Nacional das Águas (ANA) na última quarta-feira (13). A decisão, contudo, foi divulgada apenas neste domingo (17). A medida foi tomada devido aos riscos de rompimento da estrutura do empreendimento, que pertence à Agroserra Companhia Agroindustrial Serra da Ibiapaba. 

A ANA informou, ainda, que vem autuando a Agroserra desde 2017, por causa das condições de abandono do local. Enquanto as medidas de segurança exigidas não forem tomadas, a empresa não poderá operar a barragem.

Em nota, o proprietário da empresa, Avelino Forte, informou que "faz a manutenção regular e que não foi notificado sobre a falta de laudo que comprove a segurança do açude".

Precariedade dos reservatórios particulares desperta preocupação

O Sistema Verdes Mares mostrou nesta semana os riscos que barragens particulares construídas de forma precária causam e a dificuldade de fiscalização dos órgãos competentes. 

Chegam a milhares os barreiros e açudes construídos de forma aleatória em propriedades particulares do sertão cearense, represando riachos e córregos em benefício de um limitado número de pessoas.

A maioria delas é feita sem acompanhamento técnico ou por engenheiro e empresa especializada em obra hidráulica e geologia. Além do risco de rompimento da estrutura, represar afluentes sem estudo prévio pode gerar impactos negativos em açudes de grande importância para o Estado.

De acordo com a SRH, "todas as barragens, independentemente das especificações técnicas, devem ser obrigatoriamente outorgadas e incorporadas ao Cadastro Estadual de Barragens.


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