Documento inédito revela fatos inusitados sobre Lampião

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
28 de Julho de 2006 - 03:01
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Legenda: DOCUMENTO NO QUAL Florival conta como Lampião recebeu a notícia de que seria capitão das tropas federais
Foto: Reprodução

Hoje, faz 68 anos que Virgulino Ferreira da Silva, Lampião, tombava morto, na Grota de Angico, Estado de Sergipe. O dia está sendo lembrado com a celebração de uma missa no local onde ele foi assassinado com mais 11 cangaceiros, entre os quais, Maria Bonita. A data também marca a divulgação, com exclusividade pelo Diário do Nordeste, de um documento que comprova o convite para que o rei do cangaço ajudasse o governo federal a combater a Coluna Prestes. A relíquia, escrita em forma de livreto pelo contador Florival Matos, encarregado do Padre Cícero de conversar com Lampião, estava guardado pela família Matos desde 1953 e que mora no Crato. A celebração eucarística, em Angicos, conta com a presença de historiadores, pesquisadores, cineastas e ex-cangaceiros que, pela primeira vez, desde 1938, voltam ao local, de onde fugiram debaixo de bala. A cerimônia revive o fim do cangaço e reabre as páginas da história para uma discussão mais humana sobre um dos maiores fenômenos sociais do Nordeste.

Antônio Vicelmo
sucursal Crato

Hoje, quando o Nordeste lembra, comemora, critica e elogia a morte de Lampião, a imagem do cangaceiro é analisada dentro do contexto social da época. Um dos mais importantes documentos sobre a visita de Lampião a Juazeiro do Norte, em 1927, além da antológica entrevista concedida ao médico cratense Otacílio Macedo, é o relato feito pelo contador Florival Matos que, conforme diz, foi secretário de cangaceiro por alguns minutos e encarregado de passar a informação de que ele seria, a partir daquele momento, um importante reforço das forças federais para lutar pela “pátria”.

O documento comprova o convite para que o rei do cangaço ajudasse o governo federal a combater a Coluna Prestes. Segundo conta Florival, em 1926, Lampião foi convidado pelo Padre Cícero do Juazeiro a enfrentar Luís Carlos Prestes, que se internava no Sertão numa fileira de mais de mil homens. O pedido foi endossado pelo presidente Artur Bernardes que, contando com o apoio do então deputado Floro Bartolomeu, pôs o plano em ação: ou Lampião liquidava com a Coluna Prestes ou vice-versa. Formalizado o pedido, Lampião ganhou de imediato galões de capitão das forças legais. Para selar o acordo, recebeu também grande quantidade de armamento, fardas e mantimentos militares.

Mas a participação do cangaceiro como integrante das forças legais durou pouco. Lampião não foi bem recebido pelos oficiais de outros Estados, que não reconheciam sua patente. Revoltado com a falta de acolhimento, Virgulino se esquiva de combater a Coluna pois, inclusive, nada tinha contra ela. Com sarcasmo e inteligência deu meia volta da empreitada e afirmou: “já que ninguém reconhece minha patente por aqui, a viola vai cantar na Caatinga velha!”.