Chuvas ficam abaixo da média para 14% das cidades cearenses

Jaguaribara (334 mm), Itatira (354 mm), Baturité (371,1 mm), Ibicuitinga (372 mm) e Tururu (373 mm) foram os municípios com menores valores pluviométricos no acumulado dos meses de fevereiro, março e abril

Legenda: Em 26 das 184 cidades, as chuvas ficaram abaixo da média no Ceará. Apesar disso, o agricultor não teve perdas totais na lavoura
Foto: FOTO: HONÓRIO BARBOSA

O Ceará registrou chuvas 28% acima da média no trimestre de fevereiro a abril deste ano, segundo balanço da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), divulgado ontem (4). Esta é a melhor marca, para o período, dos últimos 11 anos. Apesar dos índices animadores, no entanto, 26 municípios (14,1%) concentraram precipitações abaixo de suas médias históricas, conforme balanço parcial do órgão.

Jaguaribara (334 mm), Itatira (354 mm), Baturité (371,1 mm), Ibicuitinga (372 mm) e Tururu (373 mm) foram as cidades com menores valores pluviométricos para o período, todos abaixo da média.

Por questões técnicas no levantamento da Funceme, Guaramiranga, no Maciço do Baturité, aparece sem registro de chuvas e permanece com dados incompletos. Tururu foi o que apresentou o maior desvio negativo para o período (-40,8%). Apesar disso, o volume, ainda que abaixo da média, foi melhor do que os índices verificados em anos anteriores, quando o Estado acumulou anos de estiagem. "Este ano tem dado chuva, mas pouca, apesar de estar chovendo todo dia", relata o agricultor tururuense Francisco Roque Lima, 39.

Segundo a Funceme, é preciso ponderar que trata-se de dados parciais, que ainda não incluem as chuvas dos últimos 10 dias de abril. "Esses dados mudarão e isso vai alterar a média geral", afirma a Funceme. Com isso, municípios com cenários hídricos complicados poderão apresentar melhora no balanço.

Explicação

Conforme a Funceme, a variabilidade espacial das chuvas no semiárido é um fator que precisa ser considerado. "Muitos municípios tiveram chuvas acima de 1.000 milímetros. A maior parte fica na faixa litorânea", afirma Meiry Sakamoto, gerente de meteorologia da Funceme. "Temos municípios, no entanto, que as chuvas acumuladas nem chegaram à média. A gente percebe uma irregularidade nessa distribuição".

Além disso, houve uma redução no volume precipitado no fim do último mês do trimestre.

"Terminamos abril com uma redução, o que também pode ser observado nos primeiros dias de maio. Essa tendência deve permanecer nas primeiras duas semanas de maio", alertou Meiry.

Salitre, município no Sul do Estado, até iniciou o ano com boas chuvas, mas sofreu redução no último mês. Em abril, a cidade registrou pluviometria 53,6% abaixo do normal, que é 125.7 mm. Nos 30 dias do mês passado, choveu apenas 58.3 mm. Ainda assim, as boas chuvas do início do ano foram suficientes para trazer esperança aos pequenos agricultores da região que historicamente sofre com a estiagem.

"Mesmo diminuindo [as precipitações], não lembro um ano que choveu tanto. Em maio, choveu muito", comemora o agricultor Elias Antonio Albuquerque, 62, que produz um pouco de tudo: mandioca, milho, feijão e fava.

Diferente cenário

Conforme o balanço da Funceme, o litoral do Estado e a faixa que se estende até a macrorregião da Ibiapaba concentraram as maiores chuvas no trimestre. Com 877,4 mm e desvio positivo de 35,4%, o litoral de Fortaleza foi a macrorregião com maior média. Na sequência, estão litoral Norte (862 mm) e Cariri (780,3 mm), que marcou o maior desvio positivo, com chuvas 41,2% acima da média histórica para região, que é de 552.5 mm. O município com melhor precipitação foi Moraújo, com 1.694 mm, 122% acima da média.


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