Baixo nível do reservatório do Orós reduz a safra irrigada de arroz

Dois fatores explicam a queda vertiginosa da produção. O primeiro deles, e o mais impactante, é a escassez de chuva, que reduziu o nível hídrico do reservatório do Orós. E ainda há o prejuízo decorrente do ataque de lagartas

Legenda: O cultivo irrigado ocorre no segundo semestre de cada ano, entre julho e dezembro
Foto: Foto: Honório Barbosa

Nas várzeas do açude Orós, o segundo maior do Ceará, na região Centro-Sul cearense, as máquinas e agricultores estão no campo concluindo a colheita de arroz irrigado. Diante do baixo nível de água no reservatório, desde 2015 está ocorrendo uma redução drástica da área de cultivo. Neste ano, chegou a 95%. Os produtores estimam também queda de 30% na safra em decorrência do ataque de lagarta.

O açude Orós acumula atualmente 5,5% de acordo com o Portal Hidrológico da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). As águas estão distantes das tradicionais áreas de cultivo, localizadas nos municípios de Iguatu e Quixelô. Em 2014, o reservatório acumulava 50% de sua capacidade hídrica.

Produção

O cultivo irrigado nas várzeas do Orós ocorre no segundo semestre de cada ano, período em que dificilmente haverá chuvas e risco de a lavoura ser encoberta pelas águas. A colheita geralmente é iniciada em dezembro e concluída em janeiro. Durante a quadra chuvosa não há, portanto, produção da cultura de arroz.

O agricultor José Pereira enfrentou as dificuldades para manter a produção na atual safra (2018/2019). Ele lamentou que as águas se distanciaram muito, trazendo obstáculos para a transferência do recurso hídrico por meio de bombeamento a partir do Rio Jaguaribe para as áreas de cultivo da rizicultura. "Aqui, onde estamos, a água estaria em uma altura de 20 metros, se o açude tivesse acima do meio", observou.

"Fiz o plantio para não ficar parado, mas a produção caiu demais".

Os agricultores reclamam do ataque de lagarta e de outras pragas mais comuns à atividade. Na localidade de Currais Novos, no município de Quixelô, a queda de produção é estimada em cerca de 30%. Esperava-se uma produtividade de 4.000 kg de arroz por hectare, mas neste ano caiu para 2.700 kg.

"Já fomos uma das áreas de maior produção de arroz irrigado no Ceará, nas várzeas do Orós e do Rio Jaguaribe, mas a atividade enfrenta séria crise", pontuou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Iguatu, Evanilson Saraiva. "Se o açude não receber recarga neste ano, a produção será paralisada, com certeza". Saraiva mostrou que a água está distante mais de 5 km das tradicionais áreas de plantação da cultura.

A construção do reservatório foi concluída no início da década de 1960, mas foi nos anos de 1970 a 1990 que houve uma expansão do plantio de arroz, em áreas localizadas nos municípios de Iguatu e de Quixelô. A atividade gerou trabalho e renda, na região.

Já no século atual, a produção de arroz foi mantida, mas sofreu revés em decorrência do elevado custo de produção, necessidade de consumo elevado de água e queda no preço, fatores que inviabilizaram a continuidade do cultivo em larga escala.

Seca

O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Iguatu estima que a área de 300 hectares, que foi cultivada em 2014, quando o Orós acumulava cerca de 50%, reduziu-se para cerca de 60 hectares. A produção esperada para a atual safra é de apenas 150 toneladas.

O produtor rural, Marconi da Silva, acostumado há décadas a produzir arroz irrigado na bacia do Orós desistiu da atividade. "Não compensa porque a gente não tem capital, precisa pegar dinheiro emprestado, pagando juros, para comprar sementes, veneno e o óleo para o trator e motor de irrigação", explicou. "No fim, a conta fica devedora".


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