Atividades terapêuticas ajudam na recuperação de prematuros

No Hospital Regional Norte (HRN) e na Santa Casa, ambos em Sobral, profissionais de saúde adotam técnicas como a redeterapia. A partir dela, é possível elevar, de forma não invasiva, o nível de oxigênio dos recém-nascidos

O momento em que uma criança vem ao mundo exige atenção redobrada dos responsáveis por mediar este nascimento. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente 10% dos bebês nascem antes do tempo. O problema é grave e requer atenção. As complicações associadas à prematuridade estão entre as principais causas de óbitos ocorridos nos primeiros cinco anos de vida.

Tendo em vista este cenário, a série de acompanhamentos fundamentais para o bem-estar do recém-nascido se torna ainda mais necessária. No Hospital Regional Norte (HRN), em Sobral, unidade responsável por atender pacientes de 55 municípios da região, esses procedimentos vêm avançando e diminuindo o tempo de recuperação dos bebês prematuros.

Redeterapia

Com foco nas ações conjuntas consideradas técnicas não invasivas, o Hospital Regional Norte trabalha com atividades terapêuticas como a redeterapia. "O bebê ainda não consegue ficar muito tempo no colo e na redinha ele fica mais aconchegado. A rede adequada ao seu tamanho faz com que ele se sinta abraçado e o nível de oxigênio melhora", explica a coordenadora do Serviço de Neonatologia do HRN, Cristiane Lemos.

A técnica é utilizada, principalmente, na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (Utin), com bebês com quadro clínico estável. Além da Utin, o HRN conta com as unidades de Cuidado Intermediário Convencional (Ucinco), que atende a pacientes com dificuldades na amamentação, por exemplo; e a de Cuidado Intermediário Neonatal Canguru (Ucinca), para o ganho de peso das crianças prematuras saídas da UTI.

Antes do tempo

No dia 9 de agosto de 2019, Rafaela Lima nasceu. O momento foi um misto de felicidade e apreensão vivenciadas pela mãe, a professora Jamile Lima, 33. Após complicações no parto, a menina precisou enfrentar sua primeira batalha. Ela nasceu com 28 semanas incompletas de gestação e apenas 730 gramas. Quando a criança nasce com menos de 37 semanas já é considerada prematura, mas quando o nascimento ocorre com menos de 28 (prematura extrema), o quadro é ainda mais crítico.

Jamile e Rafaela foram atendidas na Unidade Neonatal do HRN, que utiliza a Pressão Positiva Contínua (Continue Positive Airway Pressure - CPAP). O procedimento usa apenas um dispositivo ajustado ao nariz do paciente, sem tubos ou outros equipamentos. A médica Renata Freitas explica os benefícios do recurso. "Quanto menos intercorrências, mais rápida é a recuperação, e o pulmão do prematuro se desenvolve mais rápido", pontua.

"De grama em grama"

Hoje, Jamile e Rafaela estão na Ucinca. "Ela está com 1,524 kg e a previsão é que a gente receba alta quando ela estiver com 1,800 kg. Cada graminha é uma conquista", conta, emocionada. Nesta fase, o vínculo entre as duas é estimulado por meio do Projeto Canguru, que potencializa o desenvolvimento e recuperação dos bebês. "Fico no quarto com outras mães. Eu que dou banho, remédio, tudo com o acompanhamento dos médicos porque o recém-nascido ainda é muito pequeninho".

Ela explica que antes de ser mãe-canguru "toda a dieta e controle de temperatura eram feitos na incubadora", o que dificultava a aproximação física com a filha. Agora, nesta segunda fase, a sensação é outra. "Nós temos formações e por isso meu sentimento é de segurança. A gente foi lutando e hoje está tudo bem. Eu vou pra casa já segura de como cuidar da minha filha", ressalta.

Fisioterapia Neonatal

A coordenadora da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal 2, da Santa Casa de Misericórdia de Sobral (SCMS), Renides Brasil, afirma que o trabalho integrado entre a equipe médica garante melhores resultados. "Nós atuamos juntos, da enfermaria até a fisioterapia. Um dos meus projetos é colocar musicoterapia, mas, como referência mesmo já temos a redeterapia e a hidroterapia", relata a enfermeira.

Jeferson Sousa Justino, especialista em Terapia Intensiva Neonatal e Pediátrica da Santa Casa, pontua que o desenvolvimento das ações fisioterapêuticas corresponde a um dos principais processos para a recuperação dos bebês que nascem antes do tempo. "Todos os recém-nascidos prematuros ainda não têm as funções desenvolvidas e, por isso, os profissionais precisam realizar estas atividades ainda cedo", explica.

Hidroterapia

"Fazemos vários tipos de intervenções para estimular os ganhos de função. A redeterapia dá a possibilidade de o bebê voltar ao útero da mãe", acrescenta Justino. Além desse procedimento, já efetivo, o fisioterapeuta desenvolve, também, a hidroterapia. Ele conta que consiste em uma técnica que vem dando resultado, usada no tratamento coadjuvante na terapia de sono, para melhorar o estímulo à alimentação, na redução de dor e estresse, e prevenção de anormalidades posturais, entre outros benefícios. "Na hidroterapia a gente já tenta outros ganhos, como funções cardíaca, pulmonar e muscular principalmente", finaliza. Ele atua nas duas técnicas: hidroterapia e redeterapia, e pretende transformar a experiência em trabalho científico consolidado. Jeferson está produzindo pesquisa sobre as atividades desenvolvidas na Santa Casa e espera confirmar a eficiência das técnicas. "Iniciei em 2017, consegui fechar os dados e mandei para análise. Agora, estou esperando fechar esse material", lembra.

Direito paterno

Segundo o Ministério da Saúde, é direito dos pais ter livre acesso ao recém-nascido, caso o bebê precise ficar internado após o parto, e mesmo nos casos mais críticos em que a criança fica internada em Unidades de Terapia Neonatal Intensiva (UTI Neonatal). Além disso, o Sistema Único de Saúde (SUS) precisa disponibilizar uma atenção humanizada não só ao recém-nascido, mas a toda sua família.

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