Apicultura: Ceará luta pela retomada da primeira colocação do Nordeste

O cenário atual é favorável com as boas precipitações registradas na quadra chuvosa deste ano que trouxeram florada para o sertão.

Legenda: Vítimas resgatadas de tralho análogo a escravidão se tornam apicultores e passam a sobreviver em Paramoti do que produzem.
Foto: Crédito: Secitece

O Ceará quer retomar a primeira colocação do Nordeste na produção de mel de abelha. O governo do Estado e o Banco do Nordeste já investiram quase R$ 20 milhões no setor para estruturação da cadeia produtiva em polos de desenvolvimento. Para alavancar a apicultura cearense está em andamento a implantação da Rota do Mel em 19 municípios do Interior do Estado.

Atualmente, o IBGE garante a primeira colocação nacional em produção de mel ao Estado do Rio Grande do Sul, seguido pelo Paraná, Minas Gerais e Piauí. Com uma produção anual de 1,77 mil toneladas de mel em 2017, o Ceará se encontra na terceira colocação e 2,62 toneladas atrás do estado vizinho.

Pelos números da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), o mel de abelha é o 14º produto de exportação e rendeu ao Estado U$S 4.620.383 no ano passado.

As estimativas de representantes do setor é que sejam produzidas 8 mil toneladas do produto, mais de quatro vezes em relação à safra passada (2017-2018).

Cerca de sete mil produtores cearenses poderão faturar quase US$ 7 milhões conforme a Federação Cearense de Apicultura (Fecap), o que equivale a mais de R$ 25 milhões, na cotação atual. São 254 associações e sete cooperativas no Estado. As regiões de destaque são Inhamuns e Cariri.

O cenário atual é favorável com as boas precipitações registradas na quadra chuvosa deste ano que trouxeram florada para o sertão. A Rota do Mel leva informações técnicas, cooperação entre apicultores, empresas, agentes públicos e financiadores. O programa faz parte do Rotas da Integração e a iniciativa funciona em âmbito nacional, com foco nas regiões Nordeste, Sul e Sudeste.

A proposta, aprovada por apicultores dos sertões Central, dos Inhamuns e Crateús, é fazer com que o Estado retome o título de maior produtor de mel do Nordeste e, de quebra, galgar espaços nos mercados interno e externo. A profissionalização e a diversificação dos subprodutos da apicultura também estão na pauta.

“A Rota do Mel é uma coordenação de atores públicos e setoriais com a qual conseguimos traçar objetivos comuns”, disse Joaquim Carneiro, coordenador de Projetos Integrados do Ministério do Desenvolvimento Rural. “O nosso foco é fazer com que as instituições consigam cooperar e haja uma complementariedade das ações em torno da apicultura”.  

Com a entrega dos projetos produtivos pelos projetos São José e Paulo Freire, além das ações em parceria com órgãos da administração pública federal, a estimativa é que ocorra um salto produtivo de 22% no primeiro ano.

O cálculo é simples: com a entrega de 29.156 colmeias e uma média de produção de 25 kg a cada 50 colmeias entregues, a atividade tende a ser impulsionada em direção ao sucesso.

O coordenador da Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), Márcio Peixoto, disse esperar interesse dos apicultores em buscar capacitação para produzir cada vez mais e melhor. O presidente da Federação dos Apicultores do Ceará (Fecap), Irineu Machado Fonseca, mostrou otimismo com o crescimento do setor apícola no Ceará. “O quadro atual é muito favorável”, pontuou.  

Caso se comprove a expectativa, e considerando apenas as vendas para o mercado interno, a receita bruta da atividade no Estado receberia um acréscimo de mais de R$ 3,13 milhões já no próximo ano. A questão é que, diferentemente da agricultura de sequeiro, os apicultores costumam reinvestir os lucros na própria atividade.

O tesoureiro da Associação Taboense de Apicultura, em Monsehor Tabosa, Algaci Abreu,  lembrou que um dos produtores associados quis pagar o empréstimo já no ano seguinte.

Investimentos

O gerente do Programa de Desenvolvimento Territorial do Banco do Nordeste, Paulo Dídimo, informou que em 2018, foram contratados via Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), 829 operações apenas nos 19 municípios que compõem a Rota do Mel, totalizando negócios no valor de R$ 5,8 milhões.

“A expectativa é aumentar esse valor em função do Programa Rotas do Mel, em parceria com a SDA e o Ministério do Desenvolvimento Regional”.

Para o crescimento do setor é necessário um maior nível de organização das associações comunitárias e um maior empenho dos produtores rurais no cuidado com as colmeias. Uma das medidas é o manejo a cada 15 e 30 dias, conforme o período do ano, das colmeias.

 

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