Acesso a Canoa Quebrada é bloqueado por moradores em protesto por barreira sanitária

Moradores também reivindicam uso do cemitério local, em caso de morte pela doença, apenas para residentes na comunidade

Legenda: Moradores de Canoa Quebrada colocam grades para restringir acesso à praia
Foto: Ewerton da Silva Santos/VC Repórter

Cerca de 80 moradores da praia de Canoa Quebrada, em Aracati, bloquearam a entrada que dá acesso ao local em um protesto realizado na noite desta quarta-feira (13). A ação, que impediu a entrada de pessoas não residentes, teve o objetivo de reivindicar a implantação de uma barreira sanitária permanente para conter a propagação da Covid-19 e solicitar que apenas moradores da comunidade, vítimas da doença, sejam enterrados no cemitério local. 

Em nota, Prefeitura de Aracati afirmou que o controle do acesso ao município pelos moradores foi uma solicitação feita pelo prefeito Bismarck Lima em suas redes sociais, de que a comunidade ajudasse na fiscalização e impedimento do fluxo de turistas. 

Os organizadores do protesto afirmam que a barreira sanitária foi feita por iniciativa própria dos moradores. "Todas as ajudas, que até o momento recebemos, foram da comunidade, que permanece unida por essa causa nobre, para o bem-estar de todos (saúde)'', dizem, em nota divulgada na noite desta quinta-feira (14). O comunicado cita ainda o caso do homem enterrado no cemitério local sem comunicação aos residentes. "Conclusão: nossa barreira educativa não foi feita por conta do sepultamento do senhor e sim por conta da quantidade de turistas que aqui chegam em nossa Comunidade nesse momento tão difícil (Pandemia), quanto ao caso citado pedimos encarecidamente aos órgãos responsáveis que se possível não sepultem ninguém que não seja da Comunidade ou que nela viveram", afirma a nota. 

Madeiras, pedras, pneu e um até poste foram usados para bloquear parte da rodovia e impedir o tráfego de veículos na região. Na manhã desta quinta-feira (14), os moradores colocaram uma grade para restringir a entrada.

Nesta quarta-feira (13), a Prefeitura de Aracati divulgou o terceiro óbito pelo novo coronavírus. O paciente era morador de um abrigo e tinha 76 anos. A cidade tem 46 pessoas que testaram positivo para a doença, conforme a plataforma IntegraSUS, da Secretaria da Saúde, com dados divulgados nesta quinta-feira. 

Legenda: Moradores fecham entrada de Canoa Quebrada em protesto contra a falta de barreira sanitária e uso do cemitério local para vítimas da Covid-19.
Foto: Ewerton da Silva Santos/VC Repórter

Sobre as barreiras sanitárias, a Prefeitura afirmou ao Sistema Verdes Mares que o local do protesto conta com a presença diária de agentes da Polícia Militar, Guarda Municipal e Polícia Rodoviária Estadual. O órgão não informou se vai adotar medidas de restrição nas entradas da cidade, e se limitou a pedir ajuda dos moradores. 

"Temos outras entradas, diferentes da CE, que contamos com sua população para fazer o mesmo bloqueio. Evitando no entanto, a proibida aglomeração de pessoas como aconteceu desde ontem à noite em tal protesto", afirmou o órgão em nota.

Enterro de não residente

De acordo com uma moradora, que não quis se identificar, o protesto foi organizado após um corpo, suspeito de óbito pelo novo coronavírus, ser levado da sede de Aracati para enterrar no cemitério de Canoa. “Nosso cemitério é muito pequeno e não tem condições de receber os corpos da cidade, que possui um cemitério local. Por isso, queremos dar prioridade aos moradores daqui”, disse. O caixão onde o corpo estava foi levado por funcionários com roupas de higienização.

Sobre o caso, a prefeitura informou que a vítima enterrada em Canoa Quebrada não tinha moradia fixa e "merece tanto quanto qualquer pessoa e até membros desse protesto, um funeral digno". Questionado sobre a superlotação dos cemitérios, o órgão afirmou que já estavam sendo tomadas iniciativas para construção de um novo cemitério, independe da crise causada pela Covid-19.

A pasta também afirmou que a decisão de sepultar a vitima em Canoa Quebrada foi de um servidor, sem a autorização de superiores, e ressaltou que é um cemitério público.

A mulher também afirma que turistas continuam indo a Canoa, mesmo com o aumento da pandemia no Estado. “As casas de veraneio continuam recebendo pessoas de fora e queremos que o município tome alguma providência para proteger a nossa população”, relata.

O Estado do Ceará atingiu 109 óbitos confirmados por Covid-19 nas últimas 24 horas e bateu o próprio recorde - o total anterior era de 99, registrado no dia 2 de maio. A soma agora é de 1.389 mortes na pandemia do novo coronavírus, segundo dados da plataforma IntegraSUS, atualizada às 17h57 desta quarta-feira (13).

Fortaleza superou a marca de mil mortes por Covid-19, com 1.022 registros. A Capital tem 13.037 infectados.

Ao todo, 19.156 pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus no Estado, um aumento de 744 casos nas últimas 24 horas.

 


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