Foco na prevenção

Que tal levantar um pouco da cadeira e se exercitar? Ginástica laboral traz maios benefícios do que se imagina.

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Foto: Banco de Imagem

Para a maioria das pessoas, o termo ginástica laboral significa simplesmente a atividade física realizada no ambiente de trabalho. No entanto, os especialistas garantem que essa prática tem um alcance muito maior. “Ela é norteadora para a melhoria da postura, conscientização corporal, integração entre os trabalhadores, com foco preventivo, auxiliando a empresa a minimizar os impactos causados pelos afastamentos relacionados às doenças osteomusculares”, explica Patrícia Passos Barbosa, Coordenadora da Promoção da Saúde Pessoa Jurídica do Sesi Parangaba.

Por sinal, as doenças osteomusculares são um dos fatores mais importantes para a realização da ginástica laboral, pois elas são o segundo motivo que mais provoca  afastamento de funcionários e colaboradores de suas funções, perdendo apenas para os acidentes de trabalho. “Como nas empresas existem funções administrativas e do setor produtivo, a ginástica laboral precisa ser customizada e planejada de acordo com as necessidades laborais”, detalha Patrícia Passos Barbosa. 

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Patrícia Passos Barbosa: implantação da ginástica laboral pode significar uma porta de entrada para a conscientização sobre a mudança do estilo de vida. Foto: Divulgação

Durante as sessões de ginástica laboral – que furam, em média, entre 10 e 15 minutos –, os objetivos são os de reduzir a incidência de doenças osteomusculares, como a LER (lesão por esforço repetitivo) e DORT (Distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho), conscientizar os trabalhadores para adotarem uma melhor postura no ambiente de trabalho e minimizar dores e desconfortos ocasionados pelas más posturas. “ Algumas empresas são adeptas às pausas como um benefício para o trabalhador e implementam a ginástica laboral nesse momento como uma pausa ativa, como benefício para o trabalhador”, acrescenta Patrícia Passos Barbosa.

Trabalhadores
A ginástica laboral é indicada para o público das empresas em geral, principalmente aqueles que passam muito tempo em pé ou sentados, sem muita alternância de postura. “Também é indicada para quem executa atividades repetitivas, levantando e transportando cargas de forma manual e que acabam exigindo mais de determinadas musculaturas”, observa Patrícia Passos Barbosa.

A Coordenadora da Promoção da Saúde Pessoa Jurídica do Sesi Parangaba ressalta inúmeros benefícios para o praticante da ginástica laboral, como a melhoria da postura e da consciência corporal, a conscientização sobre a mudança dos objetivos de estilo de vida, tanto pessoais quanto coletivos, e a redução da fadiga muscular e da tensão excessiva, aumentando a disposição para executar as atividades laborais. “Além disso, a ginástica laboral promove uma maior integração e descontração entre os participantes, pode auxiliar na redução dos afastamentos relacionados às doenças osteomusculares, melhora a condição física do indivíduo em seu trabalho, com fortalecimento muscular, mais mobilidade articular e quebra de ritmo e rigidez muscular”, completa.

Saúde
Os benefícios da ginástica laboral também podem ser sentidos pelas empresas que investem nessa prática para os seus colaboradores. O principal deles é servir como fatores de redução dos afastamentos relacionados ao CID M (doenças osteomusculares), além da apresentação de indicadores de desempenho do programa (escala de dor e fadiga, perfil ergonômico e testes físicos, por exemplo). “Outro benefício importante é a valorização da imagem organizacional junto aos empregados quanto ao investimento em qualidade de vida. Também proporciona maior maturidade da empresa quanto à importância da Ergonomia como estratégia para minimizar os riscos ergonômicos”, comenta Patrícia Pessoa Barbosa.

A Coordenadora da Promoção da Saúde Pessoa Jurídica do Sesi Parangaba percebe que as empresas estão cada vez mais investindo em programas preventivos em vez de gastar com problemas já instalados, que geram afastamentos e altos custos. “Essa cultura de prevenção precisa estar cada vez mais latente dentro das empresas, e a implantação da ginástica laboral pode significar uma porta de entrada para a conscientização sobre a mudança do estilo de vida, tornando-a mais saudável”, aponta a especialista. “A ginástica laboral é um serviço apaixonante e desafiador, pois muitas vezes questionam-se a efetividade do programa e seus resultados. Por isso, é preciso uma relação de parceria e confiança entre a empresa prestadora do serviço e os trabalhadores. Os objetivos precisam estar bem claros, definidos e com um plano de ação estruturado nas necessidades da empresa contratante”, recomenda. “Os profissionais que executarão as aulas precisam ser formados e até pós-graduados na área de atuação. Planejar e ministrar as aulas com entusiasmo e amor também faz toda diferença”, completa Patrícia Passos Barbosa.

Durante as sessões de ginástica laboral – que duram, em média, entre 10 e 15 minutos –, os objetivos são os de reduzir a incidência de doenças osteomusculares, como a LER e DORT, conscientizar os trabalhadores para adotarem uma melhor postura no ambiente de trabalho e minimizar dores e desconfortos ocasionados pela má postura.

Curiosidades
Adotada em muitas empresas atualmente, a ginástica laboral foi utilizada pela primeira vez provavelmente em 1925, na Polônia. Esse é o registro bibliográfico (um manual) mais antigo dessa prática de que se tem notícia. Nos anos seguintes, outros manuais foram publicados na Holanda e na Rússia. Denominada inicialmente de “ginástica de pausa”, a ginástica laboral começou a ser adotada pela indústria com o objetivo de dar repouso ativo aos operários, por alguns períodos, durante a jornada de trabalho. Nos EUA, desde 1974 os trabalhadores de empresas estão envolvidos em programas diários de ginástica durante a jornada de trabalho. 

No Brasil, a Feevale - Escola de Educação Física da Federação dos Estabelecimentos de Ensino de Novo Hamburgo (RS), em 1973, tornou-se a pioneira da ginástica laboral com o “Projeto Educação Física Compensatória e Recreação”, elaborado a partir de proposta de exercícios físicos baseados em análises biomecânicas. Em Betim/MG, na fábrica da Fiat, por iniciativa do Sesi/MG, iniciou-se o “programa de Ginástica na Empresa”, fundamentado nos princípios da ginástica laboral estudados a partir de visitas técnicas de profissionais desse Sesi aos estaleiros da Ishibras, para observação da ginástica aplicada aos trabalhadores. Atualmente, esse Programa do Sesi abrange todo o País, com cerca de 500 mil praticantes, envolvendo múltiplas empresas e objetivos referidos também ao bem-estar do trabalhador.