Alimento de ouro

Ainda falta informação para as mães quando o assunto é amamentação. Especialistas orientam sobre alimentação saudável para lactantes.

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“Cerveja preta e canjica ajudam a produzir mais leite materno”. “Se eu ingerir cuscuz e iogurte, vou ter mais leite para o meu filho”. “Meu leite é fraco, preciso de um complemento para o bebê”. De acordo com os especialistas, essas e outras afirmações fazem parte dos mitos a respeito da amamentação, um tema que, apesar de vital para o desenvolvimento da criança, ainda precisa ser melhor esclarecido – especialmente quando se relaciona com a alimentação da mãe. “O aumento da produção do leite está relacionado principalmente com uma técnica correta, com o esvaziamento da mama e uma boa pega. Isso fará com que a mulher produza leite adequadamente. A orientação principal é que ela se alimente de forma o mais saudável possível e tome bastante líquido para a sua hidratação”, explica o médico Luciano Borges Santiago, Presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Algumas estatísticas deixam claro que ainda há falta de informação para as mães quando o assunto é amamentação. No início do mês de agosto, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgou que, de cada dez bebês em todo o mundo, apenas quatro, em média, são alimentados exclusivamente com o leite materno até os 6 meses de vida. No Brasil, o dado mais recente, de 2016, mostra que esse índice é de apenas 38,6%. “Nós melhoramos muito em razão das campanhas do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria, mas ainda temos muito a evoluir”, avalia Luciano Borges Santiago.

“Durante o período de lactação, as necessidades enérgicas da mãe aumentam, e são necessários em média 500 kcal a mais por dia nos primeiros 6 meses para cobrir o gasto calórico para a produção do leite materno. Dessa forma, os hormônios irão contribuir com os estímulos para a produção do leite materno”, informa a nutricionista clínica Luciana Aguiar. “A mamãe deve ter uma alimentação saudável, com muita fruta, verdura, proteína, cálcio e sempre tentar ter uma alimentação equilibrada, pois é fundamental para a sua recuperação e o sucesso da amamentação”, completa.

Cardápio
Mas como deve ser a alimentação da mãe durante o período em que estiver amamentando? Algumas recomendações são básicas, como a de evitar alimentos industrializados. “Esse hábito alimentar deve começar já na gestação, porque o líquido amniótico muda de acordo com o que a mãe come. Essa já é a preparação do paladar do bebê”,  esclarece Luciano Borges Santiago. “Infelizmente temos cada vez mais incorporados aos nossos hábitos alimentos supérfluos, com alto teor de açúcar, sal e gordura, tanto é que a obesidade está aumentando no país”, ressalta o médico. 

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A nutricionista Luciana Aguiar (foto acima) lista os tipos de alimentos ideais, que melhoram a qualidade do leite materno. “Deve-se consumir bastante líquido, dando preferência a sucos de frutas naturais. Ela deve comer bastante frutas, verduras e legumes de sua preferência. O consumo de leite e derivados deve ser diário, pois são itens ricos em cálcio, indispensável para a formação e a manutenção óssea”, descreve a nutricionista. “O consumo do arroz e do feijão deve ser diário ou pelo menos cinco vezes por semana. O consumo de carne bovina, frango e peixe deve ser feito pelo menos uma a duas vezes por semana. Devem ser evitados embutidos, temperos artificiais, alimentos ricos em sódio e o excesso de açúcar”, alerta.

O leite materno
Todas as pesquisas deixam claro que o leite materno é o melhor e único alimento necessário para o bebê nos primeiros 6 meses de vida. “O leite materno é o padrão ouro de alimentação dos bebês nos primeiros 6 meses de vida, por isso deve ser exclusivo nessa fase. Até os 2 anos, ainda se pode ofertá-lo, com a diferença que não será mais exclusivo. Isso vai fazer uma diferença enorme para o resto da vida na saúde da criança e no seu desenvolvimento neuromotor, intelectual e social”, afirma o médico Luciano Borges Santiago. 

E há outros aspectos do leite materno que pouca gente percebe ou sabe. “O leite materno é imediatamente disponível, de fácil obtenção, na temperatura adequada e seguro do ponto de vista microbiológico. Um ponto muito importante também é que ele fornece proteção em termos de redução da incidência de doenças agudas (diarreia, doenças infecciosas e respiratórias, enterocolite necrosante e septicemia) e crônicas (diabetes tipo 1, doença celíaca, doença de Crohn, câncer infantil (linfomas, leucemia), sobrepeso e obesidade”, esclarece a nutricionista Luciana Aguiar, que também é engenheira de alimentos e especialista em Vigilância Sanitária. 

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Orientação correta
O Presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) explica que as mães devem buscar a orientação do seu médico pediatra para tirar as dúvidas sobre a amamentação. “Ele acompanha o bebê e tem formação suficiente para orientar a amamentação. Também existem muitos profissionais treinados, em bancos de leite humano espalhados por todo o Brasil”, esclarece o médico Luciano Borges Santiago.

Para os profissionais de saúde, o site da SBP na internet (www.sbp.com.br) traz muitas orientações e informações sobre amamentação, inclusive um curso de educação a distância e um formulário que recebe perguntas, que depois serão respondidas pelos especialistas da instituição. “Não é por falta de informação que as mães vão deixar de amamentar. É uma condição bem melhor do que existia há 30 anos, quando era muito mais difícil conseguir essas orientações. Graças ao trabalho da Sociedade Brasileira de Pediatria e dos órgãos de saúde, cada vez mais temos profissionais capacitados para orientar sobre o aleitamento materno correto”, observa Luciano Borges Santiago.