Arthur Lira nega ameaça de ministro Braga Netto sobre voto impresso: 'mentira'

Jornal divulgou que ministro da Defesa disse que só haveria eleições em 2022 com voto impresso e "auditável"

Montagem com Arthur Lira e Braga Netto em pronunciamentos ao público
Legenda: Braga Netto disse, na manhã desta quinta, que a informação era uma "invenção"
Foto: Alan Santos/PR; Marcos Corrêa/PR

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), classificou, nesta quinta-feira (22), como "mentira" a informação de que o ministro da  Defesa, general Walter Braga Netto, teria enviado recado alertando que não haveria eleições em 2022 caso o voto impresso e "auditável" não fosse aprovado. As informações são do portal G1.

Tal recado do general foi divulgado pelo jornal Estado de S. Paulo nesta quinta. Arthur Lira afirmou ao G1 que publicaria nota sobre o tema, negando a informação do jornal paulista.

Braga Netto, ao chegar ao Ministério da Defesa na manhã desta quinta, foi questionado por jornalistas sobre a reportagem. De acordo com ele, a fala é uma "invenção".

O vice-presidente, Hamilton Mourão, também foi indagado sobre o assunto ao chegar à Pasta. Distanciado dos jornalistas, ele gritou: "É mentira".

O comentarista Valdo Cruz, da GloboNews, informou ter conversado com o ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, general da reserva, na manhã desta quinta. Ramos disse ter recebido ligação de Braga Netto mais cedo, pontuando que o ministro da Defesa lhe afirmara que a informação do Estadão não procedia e ele buscava uma forma de desmentir a matéria.

Polêmica do voto impresso

Conforme o Estadão, o recado de Braga Netto a Lira foi feito quando o ministro estava acompanhado dos comandantes da Aeronáutica, da Marinha e do Exército. O movimento ocorreu em 8 de julho — nesse dia, o presidente Jair Bolsonaro declarou publicamente que, no caso de não haver voto impresso, não existiria eleição.

O voto impresso, atualmente, é uma das principais causas defendidas por Bolsonaro e os aliados dele. Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contestaram o presidente, afirmando que o sistema eleitoral brasileiro é moderno, auditável e seguro.

Bolsonaro reclama de possibilidade de as eleições serem fraudadas, mas não apresenta provas. O TSE já se manifestou afirmando que ataques do presidente são "levianos" e "ofensivos", destacando, também, que "qualquer atuação" para impedir o processo eleitoral configura crime de responsabilidade".

Um projeto para o voto impresso está sendo analisado na Câmara, mas a tendência é de que o texto seja derrotado na comissão que o analisa. Onze partidos políticos se manifestaram em conjunto contra a proposta — para eles, mudar as regras eleitorais a esta altura poderia gerar incertezas no processo eleitoral.