Sucessão na chefia do Ministério Público Federal já é discutida em Brasília

Bolsonaro nega interferência de Moro na escolha do procurador-geral da República

Escrito por Redação,

Política
Legenda: Sede da Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília, já entra em clima de sucessão do seu comando
Foto: PGR

A sucessão da atual chefe da Procuradoria Geral da República (PGR), Raquel Dodge, cujo mandato termina em setembro, já está em discussão nos bastidores pelos procuradores e também pelo Palácio do Planalto. Há uma tradição, desde 2003, de que o presidente da República escolha um dos nomes da lista tríplice votada pela categoria. Bolsonaro negou, ontem, que a nomeação do próximo chefe do Ministério Público Federal (MPF) será feita pelo ministro Sergio Moro.

A revista Veja publicou, neste domingo, que o presidente Jair Bolsonaro prometeu a Moro no ano passado, antes de ele ser anunciado ministro da Justiça e da Segurança Pública, a prerrogativa de nomear o próximo procurador-geral da República. Por esse motivo, a lista tríplice com nomes indicados para o cargo, feita por meio de eleição organizada pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), seria “peça de ficção”.

Em mensagem no Twitter, neste domingo, Bolsonaro disse que a informação é “fake”. “Esse cargo, certamente é um dos mais importantes da República. Sugestões e opiniões serão levadas em consideração pelo Governo”, acrescentou, sinalizando que há possibilidade de não seguir a lista tríplice. 

Pela Constituição Federal, cabe ao presidente da República escolher o ocupante do cargo entre os membros de carreira do Ministério Público da União (MPU), para o mandato de dois anos no comando da PGR, mas não há obrigação dele aderir à lista. Em 2017, o procurador mais votado - Nicolao Dino - foi preterido pelo então presidente Michel Temer (MDB-SP), que indicou Raquel Dodge para o cargo. 

Eleição 

O mandato da atual procuradora, Raquel Dodge, encerra no próximo dia 18 de setembro. Ela ainda não decidiu se tentará recondução. Por outro lado, pelo menos, cinco nomes se colocam na disputa. A eleição interna no órgão está prevista para 18 de junho. As candidaturas deverão ser inscritas de 6 a 15 de maio.

Internamente, o nome de Dodge enfrenta desgastes. A procuradora é criticada por colegas, inclusive da força-tarefa da Lava Jato, por ter um perfil centralizador, o que estaria motivando atrasos nas investigações e a assinatura de acordos de delação premiada.