São Paulo garante reeleição de tucano; Rio tira Crivella do poder

Bruno Covas derrota Guilherme Boulos (Psol) na capital paulista e promete "governar para todos". Na capital fluminense, Marcelo Crivella (Republicanos) perde a luta pela reeleição para o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM)

Os dois maiores colégios eleitorais entre as capitais do País, São Paulo e Rio de Janeiro, selaram, ontem, destinos opostos para seus prefeitos. Enquanto o atual gestor Marcelo Crivella (Republicanos) sofreu uma grande derrota para o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM), o tucano Bruno Covas conseguiu a reeleição.

Paes disse que o resultado no Rio de Janeiro é vitória da "boa política" e da carioquice. "Essa é uma vitória dos que acreditam na boa política. Passamos os últimos anos de certa maneira radicalizando a política brasileira, contestando aqueles que exercem a atividade política. Os resultados desse radicalismo, desse quadro de extremos, de muito ódio e divisão não fez bem aos cariocas e brasileiros", afirmou ele, ao lado do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), ausente durante toda a campanha. Paes se disse contrário à adoção de "lockdown" para o combate à pandemia do novo coronavírus. Ele afirmou que vai priorizar o atendimento de doentes, ampliando leitos, e aumentando a testagem.

Legenda: Eduardo Paes (DEM) foi eleito prefeito do Rio
Foto: AFP

Após a derrota, Crivella (Republicanos) fez um pronunciamento e prometeu realizar uma "transição em paz". Ele agradeceu o apoio de Jair Bolsonaro e falou que o próximo desafio é a reeleição do presidente. "Esperamos que não sejam revelados escândalos que tirem a lisura do pleito. O presidente é um homem de convicções", comentou.

O futuro do prefeito a partir de janeiro está indefinido. Há apostas que o bispo licenciado poderia voltar a ser missionário da Igreja Universal na África. Outros acham que Crivella poderia ser recompensado por Bolsonaro pela lealdade numa eventual reforma ministerial. A Pasta surgiria do desdobramento do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, comandando hoje, por Damares Alves.

Legenda: Bruno Covas (PSDB) foi reeleito em SP
Foto: AFP

São Paulo

"É possível fazer política sem ódio", disse o prefeito reeleito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), em discurso ao comemorar sua vitória em que apelou à moderação.

Dirigindo-se aos eleitores do candidato derrotado, Guilherme Boulos (Psol), Covas afirmou que vai "governar para todos. A partir de amanhã não existe distrito azul e vermelho, existe a cidade de São Paulo". Em recado a Bolsonaro, afirmou que "restam poucos dias para o negacionismo e para o obscurantismo" e afirmou que vai "transformar diferenças em consensos".

O discurso de Covas foi feito no diretório estadual do PSDB, aonde chegou junto do governador João Doria (PSDB), seu padrinho político que, com alta rejeição na Cidade, passou a campanha escondido. O governador discursou afirmando que a "vitória foi conquistada coletivamente, com um grande candidato, mas coletivamente", em uma fala em que acenou para uma campanha presidencial em 2022, citando esperança, mudança e democracia.

Ao ir votar, Covas prometeu cumprir o mandato até o fim, ao contrário de outros tucanos que deixaram a Prefeitura para buscar outros cargos - mas que também haviam feito a mesma promessa, como Doria, eleito prefeito em 2016 e que se elegeu governador de São Paulo dois anos depois.

Belém

No norte do País, o destaque do segundo turno foi a vitória do Psol. Em entrevista coletiva ontem, o prefeito eleito de Belém, Edmilson Rodrigues, afirmou que pretende criar dois programas de combate à fome em sua gestão.

Ele derrotou o Delegado Eguchi (Patriota), que se diz alinhado aos princípios de Bolsonaro. Rodrigues anunciou o "Bora Belém", voltado a reduzir o desemprego, e o "Renda Mínima", para combate à miséria e fome, com uma bolsa mensal no valor de R$ 450. "Faremos um grande mutirão para combater o desemprego e vamos envolver os empresários nesta iniciativa. Vamos priorizar também o combate à miséria e à fome".

Para o ex-prefeito, sua eleição significa a vitória do povo. "Respeitamos o adversário e os eleitores do nosso adversário. Iremos governar respeitando a todos".

Goiânia

No Centro-Oeste, o ex-governador de Goiás Maguito Vilela (MDB), 71, foi eleito prefeito de Goiânia (GO). Ele ainda está internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, para tratamento da Covid-19.

O emedebista está entubado desde o dia 15, data do primeiro turno. Ele segue com ventilação invasiva com traqueostomia e hemodiálise contínua.

O vice, Rogério Oliveira da Cruz (Republicanos), fez uma oração pela recuperação do prefeito eleito. "Agradecemos ao eleitor por depositar seu voto no Maguito Vilela. Ele se multiplicou em Goiânia, porque criamos uma força grande de aliados", disse Cruz.

Porto Alegre

O deputado estadual gaúcho Sebastião Melo (MDB) foi eleito prefeito de Porto Alegre, derrotando Manuela D'Ávila (PCdoB). "Nosso carro-chefe será o equilíbrio econômico e fiscal, com um cuidado para o social", afirmou ele.

Manuela desejou boa sorte ao adversário, reclamou do que considerou a "eleição mais baixa" da história da capital gaúcha e disse que foi alvo de 90% das ofensas na web.

Derrota histórica

Pela primeira vez, desde a redemocratização, o PT não conquista sequer uma capital do País em eleições municipais. O resultado da sigla contribuiu para que a esquerda tenha registrado, nesta eleição, o seu pior resultado em capitais desde 1985. Neste ano, as siglas de esquerda venceram em cinco prefeituras: Fortaleza (PDT), Recife (PSB), Belém (PSOL), Maceió (PSB) e Aracaju (PDT), todas em 2º turno e somente nas regiões Norte e Nordeste.

Apoio presidencial

O embarque do presidente Jair Bolsonaro na campanha eleitoral, com vídeos em defesa de candidaturas e uma programação de lives no Facebook, não se traduziu em vitórias expressivas: apenas um dos 25 prefeitos eleitos em capitais contou com o apoio expresso do chefe do Poder Executivo. O vencedor solitário, Tião Bocalom (PP), escolhido em Rio Branco (AC), comandou, por dois mandatos, a Prefeitura de Acrelândia, no interior do Estado.

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