Renato Roseno defende criação de aplicativos públicos de serviços e união à esquerda

A segunda semana de entrevistas com os candidatos à Prefeitura de Fortaleza iniciou com Renato Roseno (Psol). Ele defendeu a criação de aplicativos gerenciados pelo Executivo Municipal e uma frente contra candidatos aliados do presidente Jair Bolsonaro em eventual segundo turno

Legenda: Renato Roseno, candidato do Psol, foi o quarto candidato entrevistado no PontoPoder Eleições
Foto: Thiago Gadelha

O candidato do Psol à Prefeitura de Fortaleza, Renato Roseno, defendeu, na noite desta segunda-feira (19), a criação de aplicativos públicos municipais que cobrem taxas menores dos trabalhadores e valorizem a tecnologia de formação local. Ele também apresentou a proposta de um programa de renda básica para a população em situação de extrema pobreza e propôs “um novo ciclo político” para Fortaleza, “que nem seja do bolsonarismo nem do hegemonismo nem do retrovisor, da volta ao passado”. As declarações foram dadas em entrevista ao PontoPoder Eleições, exibido na TV Diário. 

Veja a entrevista no PontoPoder Eleições

Renato Roseno foi o quarto prefeiturável a ser entrevistado no programa. Também já foram entrevistados Anízio Melo (PCdoB), Capitão Wagner (Pros) e Luizianne Lins (PT). Nesta terça-feira (20), o entrevistado, definido em sorteio realizado com a participação de representantes dos partidos, será Heitor Freire (PSL)

Questionado sobre a proposta de regulamentação do serviço prestado por trabalhadores de aplicativos, registrada em seu plano de governo, o candidato citou que diversas cidades, inclusive na América do Norte, têm desenvolvido aplicativos de transporte, entrega e hospedagem no âmbito da municipalidade.  

“Qual é o diferencial? Primeiro, você internaliza a renda, remunera melhor aquele trabalhador do aplicativo, porque as cobranças de taxa são muito menores. Você valoriza a tecnologia de formação local. Fortaleza, por exemplo, recebe os principais cabos transoceânicos de internet. Fortaleza poderia ser um grande polo de produção de software, de tecnologia, e essa tecnologia pode estar, inclusive, a serviço da prestação de serviços públicos”, afirmou. 

Ao tratar dos impactos da pandemia de Covid-19, Renato Roseno também defendeu a garantia de um programa municipal de renda básica voltado, principalmente, a 80 mil domicílios “muito pobres de mulheres com filhos”. Segundo ele, a proposta teria um custo anual de R$ 80 milhões, oriundos de duas fontes: operações de crédito e arrecadação própria. 

“Hoje, temos um perfil que nos permite contrair operações de crédito para financiar a transferência de renda. Além disso, nós estamos num crescente de arrecadação. Entre 2013 e 2019, houve um crescimento real de 32% da arrecadação própria do Município. (Houve) Uma queda em 2020 por causa da pandemia, mas esperamos que em 2021, hoje, inclusive, a Secretaria de Planejamento enviou a proposta orçamentária com R$ 9 bilhões de proposta orçamentária. Portanto, realocação, ampliação da arrecadação e operações de crédito podem gerar as fontes necessárias para esses programas de transferência de renda”, citou. 

O candidato do Psol também foi perguntado sobre a competitividade de uma candidatura sem grandes alianças no campo da esquerda. Em 2020, assim como em 2012, quando Renato Roseno também foi candidato, o Psol formou coligação apenas com o PCB. Em 2008, primeira vez em que ele disputou a Prefeitura de Fortaleza, o partido entrou no pleito com chapa pura. Ele disse que a sociedade está cansada de “alianças de ocasião” e sustentou que é necessário inaugurar “uma nova cultura política”.  

“Grandes alianças para ter mais tempo de TV ou para ter bancadas maiores não necessariamente resultam em bons paradigmas de gestão, em bons exemplos de gestão pública. Temos condição de ter uma boa gestão. A eleição, inclusive, é em dois turnos pra que os partidos se lancem, lancem seus programas no primeiro turno e, no segundo turno, aqueles dois que tiveram o maior número de votos possam, inclusive, repactuar as composições das alianças”, afirmou. Segundo Renato Roseno, a candidatura é também uma questão de “coerência”, já que o Psol faz oposição ao PT e ao PDT no Ceará. 

Em eventual segundo turno sem o Psol, porém, o candidato ponderou que terá a “responsabilidade” de “cerrar fileiras contra o bolsonarismo”. “O nosso adversário central, sem dúvida, é a a violência política, vinda do bolsonarismo. O bolsonarismo tem traços iminentemente fascistas. É a guerra contra os mais pobres, é a supressão de direitos, é a guerra contra a democracia, é a força pela violência”, apontou. 

Segurança 

Com relação à segurança pública, o prefeiturável ressaltou que "é necessário implementar uma agenda de prevenção que seja atravessada por ações de requalificação urbana, cultura, lazer, reinserção escolar, qualificação profissional", pois isso teria "impacto em curtíssimo prazo e é muito mais barato". 

A proposta de criação de distritos sanitários de saúde também foi detalhada por Renato Roseno. "Nós queremos ampliar a cobertura que hoje é na faixa de 40% e dando ao médico da família, à equipe de saúde da família, ao agente comunitário de saúde, maior capacidade de resolutividade", apontou.  Segundo ele, com a regionalização do Estado e a reorganização de serviços de saúde em Fortaleza, a pressão na rede hospitalar recairia, inclusive, na área de saúde mental. "É muito importante colocar a saúde mental na prioridade de saúde", afirmou. 

Por fim, Renato Roseno comentou a primeira pesquisa Ibope de intenção de votos para Fortaleza, na qual ele aparece com 3%, embora já tenha disputado outras eleições anteriormente. Ele afirmou que, em eleições anteriores, iniciou com pontuações baixas, mas defendeu que o resultado é "muito melhor" nas urnas. "Essa é a campanha que a gente está começando com um patamar mais elevado. Se você for pensar que a pesquisa tem quatro pontos de margem de erro, eu posso estar já com 7%", acrescentou o candidato.  

Entrevistas

O programa PontoPoder Eleições, da TV Diário, que vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 21h55, iniciou uma série de entrevistas na última segunda-feira (12) com os postulantes à Prefeitura de Fortaleza. Os candidatos de partidos que têm representação mínima na Câmara dos Deputados determinada pela legislação eleitoral para participação nos debates são questionados sobre suas propostas para eventual gestão municipal. O PontoPoder Eleições também é transmitido no canal do PontoPoder no YouTube e no site do Diário do Nordeste.

Ouça o podcast 'PontoPoder Cafezinho'

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