“Próximo prefeito tem que ser melhor do que eu”, diz Roberto Cláudio sobre tarefa do PDT na sucessão

Prestes a entrar no último ano do mandato, o prefeito da Capital faz balanço das obras a serem entregues e comenta o cenário político ainda cheio de indefinições da sua sucessão

Legenda: Prefeito fala de desafios para o próximo ano e planeja sucessão
Foto: Foto: Isanelle Nascimento

O prefeito Roberto Cláudio chegará, dentro de dois meses, ao último ano de sua gestão com o desafio de tocar as obras prometidas e o de ser o árbitro da sucessão na Capital pelo PDT. Em entrevista ao Diário do Nordeste, o gestor fez um balanço das intervenções em andamento, prometendo entregar a maioria, comentou a relevância internacional da capital cearense e a construção de uma candidatura competitiva para 2020, se esquivando de antecipar cenário de alianças.

O senhor está próximo do fim da gestão. Das grandes obras, quais deve entregar?

A Beira-Mar a gente vai inaugurar no primeiro semestre do próximo ano. O parque Rachel de Queiroz, que é uma obra muito extensa que deve durar quatro anos, são três etapas que começam em novembro, serão entregues: a primeira urbanização do parque e a parte mais pública dele, que vai margeando a lagoa do São Gerardo até a entrada do Campus do Pici, com a área que vai ser o Parque de Águas, atrás do colégio Santa Isabel (Na Av. Bezerra de Menezes). Isso já está licitado.

Urbanização da Lagoa da Viúva, Lagoa do Mondubim, Lagoa da Parangaba, também vamos entregar. Parque das Crianças novo também. Vamos entregar muitas intervenções de médio e grande porte importantes para requalificar diferentes áreas da cidade que serão iniciadas e finalizadas. 

Fortaleza tem avanços em mobilidade, mas problemas históricos como os buracos e pontos de alagamento. Por que não se consegue resolver isso de forma definitiva? 

Fortaleza é uma cidade que cresceu sem planejamento e que montou infraestrutura de superfície, sem a infraestruturas enterrada. Uma consequência disso são os alagamentos e os buracos. A origem do problema é a mesma: falta da drenagem. Em alguns casos, aterramento de rios, riachos e lagoas. Quando vem a chuva, a natureza responde. Nós conseguimos corrigir vários pontos de alagamento.

Estamos com um grande investimento em drenagem, em pontos históricos como a Av. Aguanambi, que ficava intransitável quando chovia. Vou citar outros: a Av. Heráclito Graça, por conta do Rio Pajeú que foi aterrado, e aquele ponto perto do Makro, na Alberto Craveiro. A gente não conseguirá resolver todo o passivo. É preciso que haja compromisso de se continuar investindo nisso.

Foto: Foto: Isanelle Nascimento

Ainda em mobilidade, a Capital tem programas reconhecidos internacionalmente. Entretanto, ainda há uma incompreensão dessas mudanças. Há críticas. Como a prefeitura lida com isso? 

Essa é uma questão de cultura que você não muda em oito anos. O papel do poder público, em várias dimensões, é liderar e iniciar movimentos que estejam de acordo com valores e tenham uma compreensão global para o desenvolvimento futuro. Um deles é procurar políticas de mobilidade sustentáveis.

Não é fácil mudar o hábito do protagonismo do automóvel. Eu estava agora em um evento ouvindo a prefeita de Viena, na Áustria, falando da mudança que foi feita lá e como foi difícil enfrentar essa cultura do carro. Eu diria que isso é um enfrentamento global, é uma coisa de vanguarda que nem todo mundo, no primeiro momento, adere a esse comportamento, mas tem que crer. Fortaleza é um exemplo que é possível. Estamos mudando comportamentos.

Dentro dessa internacionalização de Fortaleza, o que isso traz de importante para a população? 

A primeira é a autoestima coletiva, não do prefeito ou da gestão. Os ciclos virtuosos que transformaram as cidades tiveram essas características: gestões e ciclos de gestões que, independente de que lado estivessem, tinham a cultura de respeitar e valorizar as coisas boas do passado, transformar o presente e esperar um futuro melhor. São esses ciclos que transformam a cidade.

Eu lembro que a gente era orgulhosamente a terceira capital do Nordeste. Vinha Salvador e Recife, depois a gente. Hoje, em poucas dimensões Fortaleza não é a primeira capital da Região. (Em) PIB é a primeira, destino turístico e educação. Nós passamos a ter um protagonismo regional e nacional que nós não tínhamos. Não estou falando só de seis ou sete anos, mas do avanço como cidade. A segunda coisa é que essa rede internacional vai abrir portas. Cada rede nova, cada premiação que a gente recebe é um novo recurso, nova parceira, coisas práticas que a gente passa a ter oportunidade.

No ano que vem haverá eleição. Qual perfil que o senhor e o PDT consideram que deva ter esse candidato? 

Ser um prefeito melhor do que eu fui. Vamos buscar as virtudes. Primeiro, antes do nome, o mais importante é o compromisso. A minha tarefa tem sido preservar as coisas boas do passado, como os terminais do Juraci, e os Cucas (da gestão Luizianne). Ter deixado nossa marca de transformação e ter um projeto, um terreno preparado para que alguém chegue com capacidade e compromisso com o povo pra ter oportunidades e instrumentos pra fazer mais do que eu fiz.

Esse é meu compromisso principal: com o projeto. E como consequência, o projeto tem que ser liderado por alguém que tem essas virtudes, com conhecimento de administração pública e da cidade, e compromisso com o povo mais simples de Fortaleza. A principal tarefa é buscar alguém que tenha virtudes e condições de ser um prefeito melhor que eu fui.

Foto: Foto: Isanelle Nascimento

E quando começa esse trabalho de escolha? 

No fundo da cabeça de todo mundo no PDT, em silencio, isso já começou. Em algum momento vamos conversar internamente, com os aliados e tentar construir convergências. O PDT vai começar uma dinâmica. Eu até tinha estabelecido o prazo de começar em outubro, mas estou empurrando um pouquinho porque isso vai distrair a atenção do foco administrativo. A gente está trabalhando literalmente sete dias por semana. No início do ano, com todas a licitações acontecidas, todos os projetos realizados, as obras iniciadas. 

O senhor tem uma parceria com o governador Camilo. Mas, na Câmara, o PT, que é o partido dele, faz oposição. Qual a visão que o PDT e o senhor têm do PT pensando em 2020? 

Essa realidade não é nova. E tem uma razão de ser. Na minha primeira eleição, teve um segundo turno muito acirrado contra o PT que estava na Prefeitura. É normal que isso deixe algumas cicatrizes. Compreendo eu que muitas delas foram saradas, mas é normal que permaneçam outras com quem compõe a militância do PT local. Nós apoiamos, na penúltima eleição, a candidatura do Camilo para o governo e da Dilma para Presidência.

Mesmo tendo essa realidade local, na última eleição, o PDT apoiou a candidatura do Camilo na reeleição por méritos óbvios. Então, é lidar com habilidade e com compreensão. Mas o mais importante é que a gente tem tido oportunidade única em Fortaleza nesses oito anos. Meus dois anos com o Cid e seis anos com o Camilo. É importante essa aliança política e administrativa entre governo e prefeitura. É isso que se realmente interessa de tudo. 

Assim como o PT tem o caso do PSDB, que teve uma aproximação neste ano. PT e o PSDB são possíveis aliados no ano que vem? É possível esse cenário?

Eu tenho muito respeito pelo senador Tasso (Jereissati), ele é um marco importantíssimo na história política do Ceará e continua muito ativo na defesa do bom interesse cearense. Eu acho que tudo o que eu responder nesse momento, que ainda é muito inicial, se tornará especulativo e não vai ajudar na construção da aliança que vai se formar no próximo ano, dentro disso que já falei. Então eu, honestamente, me sinto incapaz de responder o que acontecerá em 2020.


Assuntos Relacionados