Previdência: Agentes comunitários de Saúde engrossam bloco de pressão na Câmara

Depois dos policiais federais, profissionais da Saúde também reivindicam regras próprias de aposentadoria para a categoria

Legenda: Comissão especial da reforma da Previdência se reúne para votar parecer na Câmara
Foto: Foto: Agência Câmara

A manhã dessa quinta-feira começou agitada para os deputados federais, além da pressão dos policiais, eles também tiveram que aguentar a pressão dos agentes comunitários de Saúde que também reivindicam a aposentadoria  da categoria no relatório da previdência. 

Depois de encerrarem os trabalhos da comissão especial de madrugada, os parlamentares retornaram logo cedo para retomar a sessão de votação do novo parecer da reforma, e a previsão é que a reunião se estenda até o final da tarde. 

A oposição vem tentando de todas as formas suspender a votação. Segundo o deputado José Guimarães (PT/CE), o novo parecer pode prejudicar ainda mais os brasileiros.

"Estamos fazendo uma verdadeira guerra para impedir a votação da reforma, estamos obstruindo para que a votação não seja feita porque essa reforma é muito perversa com todos os brasileiros", disse. 

Em relação as pressões das categorias, Guimarães ressalta que houve uma falta de diálogo do Governo com os que serão afetados pela reforma.

"Quando o governo não tem diálogo cada categoria vem pressionar os deputados, o governo não conversou com ninguém e essa é a razão por ter tanto lobby nesse momento por aqui", disse. 

Em um ato de protesto na Câmara, os agentes de Saúde pressionaram os parlamentares para que reinclussem a aposentadoria especial da categoria na reforma que foi retirado pelo relator no novo texto da proposta. 

Segundo a presidente do CONACS, Ilda Angélica, a categoria defende a inclusão de duas emendas a 95 e 98 para assegurar a aposentadoria especial dos ACS e ACEs diante dos riscos de saúde da profissão.

"Vamos continuar pressionando e não desistiremos até que a nossa aposentadoria seja garantida", informou.

As emendas tratam do tempo de serviço e do recolhimento da aposentadoria dos agentes, além da questão da profissão insalubre que permite ao profissionais aposentar com 25 anos de trabalho.

Segurança pública

Os policiais também continuam pressionando os parlamentares por mudança no relatório. O vice-presidente da Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis (COBRAPOL), Giancarlo Corrêa, ressaltou que o Governo precisa cumprir o acordo prometido com a categoria

"Queremos uma similaridade com a aposentadoria das Forças Armadas, temos uma profissão de risco e não podemos admitir que a gente perca uma aposentadoria digna diante do risco de vida que corremos", disse. 

A nova versão da proposta não suaviza regras para policiais federais, policiais rodoviários federais nem policiais legislativos.

"As regras apresentadas pelo relator prejudicam todas as atividades de risco e desestimula as atividades policiais", ressaltou Giancarlo.

A categoria  quer que quem está perto de se aposentar tenha que trabalhar 17% a mais do período que falta para cumprir o tempo mínimo de contribuição. Esse é o mesmo “pedágio” previsto para Forças Armadas, policiais militares e bombeiros dos estados.

Antes de entrar na comissão especial, a líder do governo, deputada Joice Hasselman, foi chamada de "traidora" pela categoria policial. Em resposta ao gritos, a deputada disse que o governo tem trabalhado pelo interesse dos policiais.

Em resposta aos protestos, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), informou que não é possível construir um acordo que prejudique a economia prevista, porque, se uma categoria for beneficiada, outras também vão reivindicar os mesmos benefícios e isso pode gerar um efeito cascata e descaracterizar a reforma.

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