"Posso ser um presidente sem partido", diz Bolsonaro em meio ao racha do PSL

O presidente admitiu ainda que pretender ter uma quantidade expressiva de candidatos a prefeito nas eleições de 2020, mas que para isso precisa ter o controle do PSL

Escrito por FolhaPress,

Política
Legenda: A declaração foi feita ao deixar a China, onde esteve em viagem oficial
Foto: Agência Brasil

Ao deixar a China, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que pode se tornar "um presidente sem partido" se a crise no PSL não se resolver. "Eu posso ser um presidente sem partido. Tanto faz eu estar com partido ou sem partido", afirmou na sexta (26) à noite, horário de Brasília.

A declaração, que ainda é uma hipótese, vai ao encontro das expectativas do eleitorado mais fiel a Bolsonaro, que é crítico da atuação dos partidos em geral. A legislação determina que políticos (deputados, senadores, prefeitos, governadores) podem ficar sem partido depois de eleitos. No caso dos deputados, se houver troca da legenda, eles podem perder o mandato.

Eleições 2020

O presidente admitiu que deseja ter uma expressiva quantidade de candidatos a prefeito nas eleições de 2020, incluindo as principais capitais. Mas disse que para isso precisa ter o controle do PSL. "Pretendo ter 30 a 40 candidatos [a prefeito] pelo Brasil, mas tenho que ter decisão sobre o partido. Não posso entrar e, quando chegar na convenção, eles me deixarem para trás porque têm maioria", afirmou.

"Eles [deputados] sabem que quem quer ser candidato a prefeito no ano que vem é melhor tirar uma foto comigo e não com outra pessoa", completou, referindo-se a Luciano Bivar, presidente do PSL.

Bolsonaro também criticou a imprensa por causa de matéria publicada pela revista IstoÉ, que diz que seu filho Eduardo teria pago as passagens de lua-de-mel com dinheiro do fundo partidário. "É uma irresponsabilidade da imprensa brasileira. Como vai pagar com fundo partidário se quem administra [o fundo] é o Bivar?", afirmou.

Viagem oficial

Depois de uma visita oficial de dois dias, Bolsonaro deixou Pequim a caminho de Abu Dhabi nos Emirados Árabes Unidos -terceira parada do seu tour. Antes de viajar, o presidente publicou no Twitter uma matéria do jornal China Daily que diz que o dirigente Xi Jiping teria sinalizado ao Brasil que a tentativa de agregar valor às exportações é bem-vinda.

Na China, a imprensa é censurada pelo governo e publica apenas matérias positivas sobre as iniciativas do Partido Comunista.