Papel de Camilo para 2020 centraliza debates em eleição do PT

Três candidatos disputam a presidência do partido em Fortaleza, em votação interna marcada para 8 de setembro. O papel do governador nos rumos da sigla para o ano que vem é uma das questões em jogo entre filiados

Legenda: A última eleição foi marcada por forte divisão no PT. Atual presidente na Capital é Deodato Ramalho
Foto: Foto: Helosa Araújo

A menos de duas semanas para as eleições do diretório do Partido dos Trabalhadores (PT) em Fortaleza, o papel do governador Camilo Santana nos rumos da sigla tornou-se o centro dos debates. Os candidatos afirmam que o chefe do Executivo Estadual tem a sua importância, embora não influencie na tomada de decisões internas. Nos bastidores, entretanto, há muitas interrogações sobre a proximidade de Camilo com o PDT do prefeito Roberto Cláudio e dos irmãos Cid e Ciro Gomes.

Um dos desafios para o novo dirigente do partido é, justamente, fortalecer o PT na Capital, tentando eleger mais vereadores, além do prefeito. Sobre esse ponto, os candidatos ao posto - o vereador Guilherme Sampaio, a advogada Liliane Araújo e o ex-presidente da sigla Raimundo Angelo - são unânimes em dizer que o aval do governador é fundamental. Mas há outras questões em jogo. Nesta quarta-feira (28), os três postulantes se reunirão, na sede do partido, para debater suas propostas com os filiados.

O embate interno é apenas o pano de fundo; o foco do partido é a disputa pela Prefeitura de Fortaleza. A proximidade de Camilo com o prefeito Roberto Cláudio e com os irmãos Ferreira Gomes coloca em dúvida o apoio incondicional do governador ao candidato do PT à Prefeitura. Na eleição de 2012, o PT perdeu a Prefeitura em um embate justamente com Roberto Cláudio, disputa que voltou a acontecer em 2016, com desfecho semelhante.

Para os filiados, essa proximidade dos candidatos à presidência do partido em Fortaleza com Camilo é um "importante fator" para a tática eleitoral. Segundo o deputado estadual Acrísio Sena, politicamente, o governador não deve interferir na escolha de nenhum dos concorrentes, mas tem o seu papel.

"É claro que a facilidade de diálogo com o governador deve pesar nos votos do filiados. Não tem como construir uma tática vitoriosa para a Prefeitura de Fortaleza sem ter o apoio do Governo. É uma importante liderança do partido na Cidade", ressalta.

Apoiador de Liliane Araújo, o parlamentar diz que ela é a que tem mais "afinidade" com Camilo. A candidata tem apoio também de um grupo político alinhado com as negociações de Camilo com o PDT. "O partido tem uma tese de ter candidatura própria para Fortaleza em 2020, mas isso não pode atrapalhar a governança do Camilo. Não pode ser escolhido um nome sem diálogo com ele", acrescenta.

Já para Deodato Ramalho, atual presidente do diretório municipal do PT e apoiador de Guilherme Sampaio à sucessão, Camilo "não demonstra muita vontade em ter interlocução com o diretório" e, apesar de a influência dele ser respeitada dentro da sigla, o partido "não pode ficar inerte esperando uma finalização do governador".

Aliança

Ainda conforme Ramalho, a possibilidade de uma aliança com o PDT para a disputa em Fortaleza só deve ocorrer se o partido aceitar que o seu candidato saia como vice. "O governador, pela liderança que tem, é um agente político muito importante nesse processo", reconhece. "Sentimento hoje no PT é de que teremos um candidato a prefeito de Fortaleza. Se o governador vier a manifestar posição contrária, claro que vamos debater sobre isso, mas teremos candidatura própria", diz.

Sobre o fato de três integrantes do partido, de correntes internas diferentes, estarem disputando o diretório municipal, o deputado federal José Guimarães (PT), apoiador de Raimundo Ângelo, afirma que não há nenhuma "rachadura" na sigla e destaca que seu candidato já dialoga com todas as correntes do partido.

"Isso não significa racha. Primeiro que a disputa interna faz parte do DNA do PT. O fato de ter mais de um candidato não significa PT rachado. As pessoas precisam aprender com o PT", afirma.

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