Jair Bolsonaro nomeia educador evangélico para comandar o MEC

Ligado aos presbiterianos de São Paulo, professor e pastor Milton Ribeiro aceita convite para assumir o Ministério da Educação (MEC). De perfil pragmático e defensor da liberdade religiosa, ele tem reputação positiva no meio acadêmico

Legenda: No Governo Bolsonaro, comando do MEC já teve três ministros; Milton Ribeiro será o 4º ministro nomeado
Foto: Agência Brasil

Indicado, ontem (10), pelo presidente Jair Bolsonaro para comandar o Ministério da Educação, o professor paulista Milton Ribeiro, que também é pastor evangélico, é defensor da liberdade religiosa, inclusive da liberdade de não ter religião. O tema é tratado no livro "Liberdade religiosa, uma proposta para debate", lançado em 2002. "A liberdade religiosa compreende até mesmo a liberdade de não crer, de não ter uma religião", escreveu Ribeiro. Sua carreira, porém, é mais pautada na gestão da educação do que no debate de ideias.

Legenda: Milton Ribeiro vai assumir a chefia do MEC
Foto: Facebook

Advogado, ex-professor da Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, foi vice-reitor da instituição e tem experiência de mais de 12 anos na gestão da educação. Hoje, é um dos integrantes do conselho do comitê gestor da instituição e sua passagem pela reitoria é lembrada pelo desenvolvimento dos cursos de pós-graduação e especialização, uma das marcas da Mackenzie no mercado.

Pastor há 25 anos, há quase 20 está à frente da igreja presbiteriana Jardim de Oração, em Santos, litoral paulista. Também dentro da Igreja atuou como educador, como professor do Seminário Presbiteriano de Campinas.

É visto como pragmático, correto e dedicado ao trabalho. Dentro do conselho da universidade paulistana, que cultiva o liberalismo, é o responsável para chamar a atenção para questões sociais, como a desigualdade e a pobreza, e valores cristãos, como a solidariedade.

É considerado ainda uma pessoa plural, preocupado com a ética e a dedicação ao trabalho. Cobra horários e compromissos. Em alguns temas, segue à risca preceitos religiosos, como no caso de drogas e aborto, nos quais a Igreja se posiciona claramente contra. Não enrola e nem é prolixo. Vai direto ao ponto. Nos relacionamentos individuais, costuma dar a apoio e conselhos a professores em dificuldades na vida pessoal.

Em um culto transmitido para os fieis em 24 de maio passado, visto por cerca de 930 pessoas, Ribeiro falou sobre Pôncio Pilatos, que não interveio para evitar que Jesus fosse condenado à morte.

"Essa questão de governantes indecisos atrapalha a vida de todo o povo", afirmou. Sobre a Covid-19, disse estar tomando os cuidados, mas que "não é o esforço dos homens e dos cientistas que vai fazer com que o mundo melhore, é a ação de Deus".

Considerado pelos colegas como extremamente correto, integra desde junho de 2019 a Comissão de Ética da Presidência da República.

A comissão é presidida pelo advogado Paulo Henrique dos Santos Lucon, indicado por Frederick Wassef, ex-advogado do senador Flávio Bolsonaro e que abrigou o ex-assessor Fabrício Queiroz numa casa de sua propriedade em Atibaia, no interior paulista. Perguntado sobre Queiroz, o advogado dizia que não sabia onde ele estava.

Teologia

O currículo de Ribeiro é extenso. Tem título de mestre em direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e de doutor em educação pela Universidade de São Paulo (USP).

No conselho deliberativo da Mackenzie, atua principalmente na comissão de assuntos educacionais.

É bacharel em Teologia e especialista em Velho Testamento pelo Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper. Integra ainda a Junta Regional de Educação Teológica de Campinas.

Ribeiro será o quarto ministro do MEC em um ano e meio de Governo Bolsonaro. Após Ricardo Vélez Rodríguez e Abraham Weintraub, o economista Carlos Decotelli teve uma passagem relâmpago à frente da Pasta. Ele ficou menos de uma semana no comando do ministério e pediu demissão após repercussão negativa sobre o fato de o seu currículo conter informações falsas e a acusação de plágio em sua dissertação de mestrado.

Ribeiro passou a ser cotado esta semana por indicação do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Jorge Oliveira, auxiliar de confiança de Bolsonaro, e ao ministro da Justiça, André Mendonça, também presbiteriano. A nomeação foi publicada minutos após a confirmação do nome pelas redes sociais do presidente. Em edição extra do Diário Oficial da União, um decreto presidencial nomeia Ribeiro para o cargo. Bolsonaro disse, anteontem, que buscava um nome de perfil "conciliador" para o MEC

Pacto pela educação

Em mensagem a amigos, após ser anunciado, o novo ministro da Educação disse que acreditava ser a "hora de darmos atenção especial à educação básica, fundamental e ao ensino profissionalizante" e de "incrementar o ensino superior e a pesquisa científica".

Ele ainda disse que trabalharia em articulação com os Estados, municípios e seus gestores "para mudar a história da educação do nosso País". Falou em tom de conciliação, dizendo que é hora de "um verdadeiro pacto nacional pela qualidade da educação em todos os níveis".

"Precisamos de todos: da classe política, academia, estudantes, suas famílias e da sociedade em geral. Esse ideal deve nos unir", disse. Já o Conselho Nacional de Secretários de Educação divulgou nota dizendo que nada comentaria sobre a indicação de Bolsonaro.


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