Irritado com o PSL, Bolsonaro quer ampliar espaço do Centrão

Presidente cogita oferecer ao bloco mais cargos do 1º escalão

Legenda: Deputado Ricardo Barros (PP-PR) é cotado para assumir a liderança do Governo na Câmara em agosto
Foto: Agência Brasil

Irritado com traições do PSL, o presidente Jair Bolsonaro decidiu aumentar o espaço do Centrão no Poder Executivo e considera entregar mais cargos de primeiro escalão ao bloco informal no Congresso que reúne parlamentares de legendas de centro e centro-direita e é conhecido por se aliar a governos diferentes, independentemente da ideologia.

O presidente avalia passar ao grupo político a liderança do Governo na Câmara e até o comando do Ministério da Saúde em meio à pandemia do coronavírus. No último fim de semana, em conversa reservada, Bolsonaro disse a um aliado que pode fazer uma mudança em curto prazo na articulação política. Segundo um assessor palaciano, ele reafirmou a intenção na quarta, após a aprovação na Câmara da proposta que torna permanente o Fundeb, principal mecanismo de financiamento da educação básica no País.

Inicialmente, o Governo tentou desidratar o texto e adiar a vigência do fundo para 2022. Com o risco de derrota, passou a apoiar a proposta em troca do compromisso de líderes partidários de endossar a criação do Renda Brasil, projeto de assistência social que pode substituir o Bolsa Família.

Bolsonaro se irritou com a atitude de seis deputados bolsonaristas do PSL, que, mesmo com a mudança de posição do Governo, votaram no primeiro turno contra o Fundeb, expondo uma fragilidade na articulação do Planalto e passando a impressão de derrota. O antigo partido do presidente é também o do líder do Governo na Câmara, deputado Major Vitor Hugo (GO).

Contrariado, Bolsonaro avalia acomodar Vitor Hugo, aliado de primeira hora, em uma autarquia federal e nomear o deputado Ricardo Barros (PP-PR) como líder do Governo. A expectativa é de que a troca seja feita no início de agosto.

A intenção do presidente é repetir o modelo adotado no Senado. Na Casa, a liderança já é exercida por uma sigla do Centrão, o MDB. E, na avaliação da cúpula do Governo, ela tem sido estratégica para garantir o apoio no bloco partidário. Com a mudança, Bolsonaro quer também garantir votos para futuras votações como as da reforma tributária.

Eleição

Bolsonaro falou, ontem (23), de eleições municipais de 2020 e admitiu que talvez "colabore com um ou outro candidato porque o Brasil tem problemas".

"Tenho que estar preocupado com o desemprego que criaram com a política do todo mundo em casa, com terror e pavor", afirmou, em "live" semanal.

Ele voltou a criticar o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, ao afirmar ele passou mais tempo "com terror" do que trabalhando. O ex-titular da Pasta tem dito que deve se candidatar a presidente em 2022.

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