Indicação do PDT à Presidência da AL-CE acirra ânimos na base aliada

Ao menos quatro parlamentares do maior partido do Legislativo fazem campanha interna em busca de apoio de colegas e lideranças para serem indicados ao comando da Casa. Expectativa é de definição da chapa até dia 15

Assembleia
Legenda: Atual presidente da Assembleia Legislativa, Sarto Nogueira (PDT), é um dos principais atores na condução do processo de sucessão
Foto: José Leomar

A sucessão da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa para o biênio 2021-2022 acirra os ânimos na base governista. Até o momento, quatro deputados estaduais do PDT – partido com a maior bancada da Casa – estão entre os mais cotados na disputa pela indicação à Presidência do Legislativo: Evandro Leitão, Sérgio Aguiar, Tin Gomes e Zezinho Albuquerque. Discretamente, eles já buscam votos entre os colegas e se articulam com lideranças do grupo governista. O apoio a alguns desses nomes, no entanto, divide aliados, abrindo possibilidade de disputa aberta no partido. 

O atual presidente da Assembleia, Sarto Nogueira (PDT), eleito prefeito de Fortaleza, está conduzindo o processo de sucessão. Ele tem até o dia 31 de dezembro para renunciar ao mandato e ao cargo na Mesa Diretora. Até lá, vai articular o nome. Na manhã desta quinta-feira (3), um dos gabinetes de Sarto estava movimentado. Ele se reuniu com vários deputados da base aliada.

Ouça o podcast 'PontoPoder Cafezinho':

Powered by RedCircle

É unânime entre integrantes da base do Governo que seja lançada uma candidatura única e de consenso entre os aliados e lideranças do grupo governista. Sarto, inclusive, deve procurar o governador Camilo Santana (PT) para discutir o assunto. Parlamentares querem evitar o desgaste que foi a eleição para a Mesa Diretora em 2016, quando o então presidente da Casa, Zezinho Albuquerque, disputou a reeleição contra o colega do PDT, Sérgio Aguiar.

Embate

A entrada de Aguiar na eleição da Assembleia em 2016 envolveu a disputa pela presidência do extinto Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). 

Na época, o pai de Sérgio, Chico Aguiar, era presidente da Corte e influenciou o apoio à candidatura do filho de partidos como o PSD, que é comandado pelo ex-conselheiro do TCM, Domingos Filho. A “briga” acabou levando ao rompimento do grupo político de Domingos Filho com os irmãos Cid e Ciro Gomes – hoje já superado.

Àquela época, apesar da base aliada dividida, Zezinho foi reeleito presidente. Ele era tido como o “candidato do Governo”, tinha as bênçãos de Camilo Santana e de Cid e Ciro Gomes, principais lideranças do PDT. O apoio do grupo governista é peça-chave na sucessão, uma vez que a maioria dos deputados da Assembleia compõe a base aliada. 

Os quatro pedetistas mais cotados na corrida pela Presidência da Casa já fazem campanha internamente. Eles se articulam com lideranças do grupo governista e, discretamente, atuam em busca de apoio entre os colegas. Alguns já procuraram o senador Cid Gomes e o irmão Ciro para ter aval quanto ao interesse de candidatura.

Ocorre que uma ala do PDT, ligada a Sarto, defende o nome de Evandro Leitão e tenta construir a sua candidatura. Na última eleição da Presidência, ele foi cotado para a disputa, mas o atual presidente foi o escolhido. Hoje, Leitão é o primeiro-secretário. É ligado a Sarto e ao governador Camilo Santana, de quem foi líder na primeira gestão.

Inclusive, ontem, deputados ligaram para outros informando que a indicação estaria fechada em torno de Evandro e pedindo apoio. No entanto, isso causou uma insatisfação nos demais cotados ao cargo, acirrando o clima dentro do PDT e nos demais partidos da base aliada. 

Outros pedetistas que estão no páreo se sentiram preteridos e demonstraram insatisfação nos bastidores, ameaçando irem para embate público dentro do PDT. Eles questionam a “quebra” de um acordo feito na última eleição da Presidência, em 2019, para que os atuais membros da Mesa Diretora não pudessem disputar a próxima sucessão. Neste caso, Evandro Leitão, que é o atual primeiro-secretário, não poderia concorrer a nenhum cargo da Mesa neste ano. 

O acordo é ponto de divergência que tem de ser resolvido antes da definição da chapa governista, caso haja interesse na construção de consenso. Um dos argumentos usados por deputados é de que não há “regra” de não reeleição prevista no Regimento Interno da Assembleia. 

Enquanto isso, Zezinho Albuquerque, segundo pessoas próximas, não teve vetos por parte de Cid quando se reuniu com ele. O pedetista, que atualmente é secretário de Cidades do Estado, já foi presidente da Assembleia três vezes e tenta disputar o quarto mandato. Esse fato, apontam alguns parlamentares, pode pesar contra ele. 

Sérgio Aguiar, apesar da disputa em 2016 ter lhe rendido certo desgaste, espera a indicação pelo currículo que acumula. Ele está no quarto mandato de deputado, já foi primeiro-secretário da Assembleia e presidiu a Comissão de Constituição e Justiça, a mais importante da Casa.

Ligações

Tin Gomes é outro nome que volta à disputa. Ele tentou se credenciar para o cargo na última eleição da Mesa, mas também não teve êxito. Tin é primo de Cid e Ciro, foi vice-prefeito de Fortaleza e vereador por dois mandatos. 

Outros nomes, como dos deputados Antônio Granja e Guilherme Landim, ambos do PDT, são citados por alguns colegas de partido como alternativas para evitar desgaste com os demais.
 
Em meio às indefinições, alguns deputados do PDT acham que há o risco de uma disputa dentro do partido. Já outros apostam que a chapa será apresentada de forma consensual até o próximo dia 15 ou antes disso. 

“O grupo está pacificado, está bastante unido e tenho certeza que a gente consegue, num consenso, o quanto antes (apresentar a chapa)”, acredita o líder do PDT na Assembleia, deputado Guilherme Landim. “Não acredito em briga”, argumenta, por sua vez, Osmar Baquit (PDT).

Fora do PDT

O deputado Audic Mota (PSB) também espera por um consenso na base e na oposição em torno de uma candidatura à Presidência da Assembleia que lute por demandas dos parlamentares, como destravar a liberação de emendas. “Não sou candidato a nada, mas quem se coloca como pré-candidato tem que ter proposta de construir essa unidade. É preciso diálogo aberto com todos os parlamentares”.

A oposição, que conta com seis dos 46 deputados, por enquanto, aguarda as definições da base governista, que tem maioria, sobre quem será o candidato. A deputada Fernanda Pessoa (PSDB) diz que oposicionistas estão unidos para reivindicar espaços na Mesa Diretora.

“Temos que esperar que eles nos procurem, entrem em contato conosco e nós, da oposição, estamos coesos. Dependendo do candidato, vamos votar todos juntos, reivindicaremos lugares na Mesa, presidência de comissões. É uma união para conseguir mais espaço”, ressalta. 

Composição atual

- Sarto Nogueira: presidente 
- Fernando Santana : 1º vice-presidente 
- Danniel Oliveira: 2º vice-presidente 
- Evandro Leitão : 1º secretário 
- Aderlânia Noronha: 2ª secretária 
- Patrícia Aguiar: 3ª secretária 
- Leonardo Pinheiro: 4º secretário
- Bruno Gonçalves: 1º suplente
- Romeu Aldigueri: 2º suplente

Rito

- A escolha da Mesa Diretora será precedida de registro, devendo ser subscrita por um quinto, no mínimo, dos parlamentares;
- Deferido o registro, o Departamento Legislativo deverá organizar a votação;
- Votação será secreta, e a chapa será eleita com maioria absoluta.

Quero receber conteúdos exclusivos sobre política

Assuntos Relacionados