'Há interesses pessoais, políticos e econômicos em ataques ao hospital do PV', diz Roberto Cláudio

Ele salientou, ainda, que o mundo não estaria construindo vários hospitais de campanha se essa não fosse a melhor alternativa e disse que a instalação do equipamento no PV é a "mais simples, rápida e barata" neste momento

Escrito por Alessandra Castro,

Política
Legenda: O chefe do Paço Municipal criticou grupos que têm usado "um momento como esse" para espalhar "fake news" sobre a construção do hospital de campanha do PV, o que, para ele, é criminoso
Foto: Foto: Isanelle Nascimento

O prefeito Roberto Cláudio afirmou, nesta quinta-feira (16), em entrevista à 'TV Terra do Sol', da Prefeitura de Fortaleza, que os ataques ao hospital de campanha que está sendo instalado no Estádio Presidente Vargas (PV) têm "interesses pessoais, políticos e econômicos". Alguns grupos criticam a obra no local e questionam o motivo dela não ser feita em outro lugar, onde a estrutura pudesse ser permanente.

O hospital de campanha do PV será entregue na próxima segunda-feira (20), com 204 leitos.

Sobre o assunto, Roberto Cláudio disse que a instalação do hospital de campanha no PV é "mais simples, rápida e barata" neste momento, em que as os gestores precisam dar respostas acertivas para ampliar o sistema de saúde e estar prontos para receber pacientes com sintomas da doença. Ele salientou, ainda, que o mundo não estaria construindo vários hospitais de campanha se essa não fosse a melhor alternativa.

"As estruturas já vem prontas para tratar pessoas com doenças infecciosas. Não haveria necessidade de fazer hospital de campanha em nenhum lugar do mundo se não tivesse sido estudado todos os critérios de custo e agilidade para lidar com um epidemia nova como é a Covid-19, que se espalha muito rápido", explicou o prefeito.

Ele enfatizou, ainda, que obras para reforçar unidades de saúde já existentes estão sendo feitas, como a ampliação de leitos de Unidades de Pronto Atendimento (UPA), e que "não é de graça" alugar e adaptar um hospital particular ou o Centro de Eventos, como foi sugerido.

"Não é de graça pegar um hospital privado pronto ou da rede pública, ou o Centro de Eventos como foi sugerido, e transformar em um hospital para receber essas pessoas (com suspeitas e confirmações de Covid-19).São estruturas que precisariam ser reformadas, colocar isolamento térmico e acústico, proteção contra infecção, instalação de oxigênio na parede, gerador de energia, essas estruturas não estão prontas para o tratamento de doenças infecciosas. E as do hospital de campanha já vêm prontas, é a solução mais rápida e mais barata nesse momento", salientou Roberto Cláudio.

Além disso, o chefe do Paço Municipal criticou grupos que têm usado "um momento como esse" para espalhar "fake news" sobre a construção do hospital de campanha do PV. Para ele, disseminar desinformação num momento de crise sanitária, econômica e de segurança, em que as medidas tomadas buscam salvar vidas e seguem diretrizes de autoridades de saúde, é criminoso.

"A fake news é abominável em qualquer circunstância, porque trabalha com mentira e com maldade. Mas num momento como esse, isso é criminoso. Isso (fake news) é produzido por pessoas com interesses pessoais, políticos e econômicos envolvidos no assunto. Ninguém é inocente. Nenhum desses (que divulgou o conteúdo distorcido sobre o hospital de campanha) é inocente. Se teve algo que foi objeto de fake news foi esse hospital", afirmou Roberto.

O gestor ressaltou, ainda, que fez questão de "garantir que seu dinheiro, o dinheiro público, seja gasto com qualidade nesse hospital de campanha, que vai salvar muitas vidas".

Valores

Sobre os custos do hospital de campanha, segundo Roberto Cláudio, a estrutura do ambiente hospitalar no local custou R$ 4 milhões, para abrigar 204 leitos de internação que podem ser ampliados para até 336. A assessoria da Prefeitura informou que a configuração arquitetônica da estrutura permite que todos os leitos sejam transformados em leitos de unidade de terapia intensiva (UTI), que seriam utilizados para casos mais complexos.

Para manter a estrutura dos 204 leitos em funcionamento por quatro meses, com insumos médicos, profissionais da saúde e demais despesas, a Prefeitura de Fortaleza prevê um custo de R$ 35 milhões para todo o período. O valor pode aumentar, caso haja necessidade de ampliar os leitos e, consequentemente, equipes de trabalhadores, insumos e demais gastos.

Anteriormente, a previsão do custo global para o hospital de campanha do PV operar com seu número máximo de leitos - que antes era de 306 leitos - era de R$ 80 milhões. No entanto, o valor aumentou para R$ 95 milhões, porque os números de leitos podem chegar a 336 - 30 a mais do que a capacide máxima anterior.

Dessa forma, as despesas da Prefeitura de Fortaleza com o hospital de campanha, pelo período de quatro meses, podem variar de R$ 35 milhões a R$ 95 milhões. A assessoria de comunicação do Paço Municipal explicou que a margem de gastos tem sido utilizada por alguns grupos de forma errada e distorcida, sendo somados os valores, quando se tratam de valor mínimo de custeio (com o hospital funcionando com 204 leitos) e máximo (caso seja necessário ampliar a capacidade para 336 leitos).

Leitos

Os leitos do hospital de campanha do PV irão receber dois tipos de pacientes: os que estão com quadros clínicos leve a moderado, mas precisam de observação, e os que receberam alta da UTI de hospitais, porém devem continuar internados em um ambiente adequado para acompanhamento.

Medidas alinhadas

Roberto Cláudio destacou a importância das ações da Prefeitura de Fortaleza estarem alinhadas com as do Governo do Estado. Para ele, isso demonstra que o interesse em salvar vidas se sobressai. 

Ele reforça, ainda, que, em vários outros estados do País, os decretos e ações municipais não estão alinhadas com a do estado, ou vice-versa.

"Você imagina o cidadão que está em casa, preocupado, vendo as informações sobre a Covid. Ele vai ficar assustado e sem saber o que fazer se ver um Governo dizendo uma coisa, e o prefeito outra. Há vários casos no Brasil em que o Governo (do estado) faz um decreto em um sentido e a Prefeitura faz no sentindo inverso. Não é o caso de Fortaleza e do Ceará, o que ajuda a população a entender melhor o que está sendo feito e seguir uma mesma orientação", finaliza.