Figuras históricas do PT falam em "autocrítica" nos 40 anos da sigla

Tarso Genro, Aloizio Mercadante e Camilo Santana defendem que os erros cometidos pelo Partido dos Trabalhadores, que completa amanhã quatro décadas de criação, sejam alvo de reflexão, sem excluir também os acertos

O PT completa, amanhã, 40 anos, com figuras históricas do partido ensaiando discurso de autocrítica. A festa, que começou na sexta e prosseguiu, ontem, no Rio de Janeiro, teve uma ausência notada: o ex-ministro Tarso Genro, um dos pilares do Partido, que publicou um texto marcado por um tom de autocrítica, embora reconheça os avanços da sigla quando esteve no poder.

"O Partido dos Trabalhadores faz 40 anos na próxima segunda-feira e hoje começa uma grande festa no Rio de Janeiro. Mas eu não pretendo participar. Não me sinto identificado, hoje, com o tipo de visão que o PT construiu de si mesmo", comentou Genro.

Na sua avaliação, o Partido teve sua renovação bloqueada. "Acho que o partido fez transformações democráticas muito positivas na sociedade brasileira, em particular no Governo do presidente Lula. Mas também acho que ele teve que fazer uma série de modulações na sua linha política que bloquearam a sua renovação", avaliou Genro, que foi duas vezes prefeito de Porto Alegre e ministro da Educação, das Relações Institucionais e da Justiça durante o Governo Lula (2003-2011).

O governador do Ceará também se manifestou, ontem, sobre os 40 anos do seu partido. "Que este momento de celebração seja, também, de reflexão. Reflexão sobre os acertos e, principalmente, sobre os erros cometidos. Sempre defendi que a autocrítica é a melhor forma de corrigir as falhas para poder evoluir", escreveu Camilo em sua rede social. "O mundo mudou. Que o partido também mude para fazer cada vez melhor", acrescentou.

Já o ex-senador, ex-ministro e um dos fundadores do PT, Aloizio Mercadante, 65, diz que uma autocrítica sincera do partido na política e na economia é necessária, mas não pode ser "autoflagelante" nem "autocomplacente".

"A obra que nós construímos é muito maior do que os erros, que não foram poucos, nem pequenos, que nós cometemos", diz ele.

Já a direção nacional do PT divulgou uma nota, ontem, na qual diz que DEM e PSDB, adversários históricos do partido de esquerda, estão excluídos do possível arco de alianças para as eleições municipais deste ano.

O texto contradiz informações passadas antes por dirigentes do PT e a assessoria do partido de que candidatos petistas a prefeito estariam autorizados a receber apoio do DEM e PSDB e poderiam apoiar nomes destes partidos.

Segundo a nota, o PT vai priorizar alianças com os partidos de esquerda (PCdoB, Psol, PDT, PSB, Rede, PCO e UP) mas pode fazer coligações com outras siglas desde que seus candidatos façam oposição ao Governo Bolsonaro e não pratiquem atos de hostilidade contra Lula e Dilma.

 


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