Em visita ao Ceará, Arthur Lira articula bloco de oposição a Rodrigo Maia

O parlamentar quer construir bases para disputar, em tom de igualdade, a presidência da Câmara contra o governo

O líder do PP na Câmara dos Deputados, Arthur Lira (AL), esteve na manhã desta segunda-feira (7) no Ceará para reunião de articulação política com PDT e PT. O parlamentar deve se lançar candidato à presidência da Casa, contra o atual presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), nos próximos dias. 

Lira se encontrou com o líder do PDT na Câmara, deputado André Figueiredo, e o líder da oposição, José Guimarães (PT). Insatisfeitos com a aproximação entre Maia e o PSL, do presidente Jair Bolsonaro (PSL), partidos de centro-esquerda estudam migrar para uma candidatura alternativa que teria musculatura para disputar contra o democrata. 

"Estavámos avançados com o Maia, mas essa composição com o PSL complicou", admitiu Figueiredo ao Diário do Nordeste. O impasse é que o grupo do DEM ofereceu as duas principais comissões da Casa, a de Constituição e Justiça e a de Finanças e Tributações, para o PSL. Na prática, segundo Figueiredo, haveria o risco de "atropelo de votações" sem a discussão devida. 

O deputado Arthur Lira viaja o País na tentativa de conseguir apoio de partidos do centro e da esquerda para fazer frente ao candidato governista. Além de PDT e PT, o pré-candidato já conversou com dirigentes do PSB, e se reúne com a presidência do PCdoB ainda nesta segunda-feira. 

Maia no Ceará

Principal nome para comandar a Câmara dos Deputados pelos próximos dois anos, Maia vem ao Ceará na próxima segunda-feira (14). O parlamentar carioca participará de um jantar na residência do deputado federal Domingos Neto (PSD). O deputado também buscará aproximação com o PDT, PRB e PT. Há expectativa de que o governador Camilo Santana (PT) se reúna com o presidente da Câmara. 

Denúncia

O pré-candidato Arthur Lira (PP-AL) é denunciado no Supremo Tribunal Federal (STF) pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, sob acusação de lavagem de dinheiro e prevaricação. Conforme a peça de acusação, o parlamentar teria aceitado, em 2012, R$ 106 mil de propina do então presidente da Companhia Brasileira de Transportes Urbanos (CBTU), Francisco Colombo. 

A acusação, feita no início deste mês de janeiro, foi rebatida pelo advogado do deputado, Pierpaolo Cruz Bottini. Através de nota à imprensa, a defesa informou que apresentou à Polícia Federal a "inexistência de qualquer fato criminoso".

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