Em meio à crise do PSL, Bolsonaro fica mais uma semana longe do Brasil

Presidente só deve retornar a Brasília no fim do mês, após a série de viagens pelos países da Ásia e do Oriente Médio. Ao retornar, ele terá de promulgar a reforma da Previdência e enfrentar a crise interna do seu partido, o PSL

Escrito por Redação, politica@verdesmares.com.br

Política
Legenda: Bolsonaro assinou acordos de cooperação com o presidente da China
Foto: Foto: AFP

O presidente Jair Bolsonaro passará mais uma semana longe do Brasil, em seu giro pela Ásia. Ao retornar ao Brasil no fim do mês, ele terá de enfrentar desafios como apaziguar a crise interna do seu partido, o PSL, antes de promulgar a reforma da Previdência, principal conquista do seu primeiro ano de mandato, e encaminhar as próximas propostas do Governo ao Congresso, como as mudanças no sistema tributário.

Depois de visitar o Japão e a China, ele ainda cumpre agenda em Emirados Árabes, Catar e Arábia Saudita e só deve retornar a Brasília no dia 31. Ao encerrar a visita oficial à China, ele e o dirigente chinês Xi Jinping assinaram 11 atos de cooperação em áreas como energia, educação, ciência e agronegócio. "Eu estava ansioso por essa visita porque temos na China o primeiro parceiro comercial e nos interessa ampliar novos horizontes. O Brasil precisa da China e a China também precisa do Brasil", disse Bolsonaro.

O presidente chinês recebeu o brasileiro com honras de Estado no Palácio do Povo, em Pequim. No início da reunião, ele falou que as relações estratégicas entre os dois países possuem "longo alcance". "É inalterada a tendência de ascensão coletiva dos mercados emergentes como China e Brasil", disse. "A colaboração China-Brasil terá futuro brilhante", afirmou.

O presidente convidou a China a participar do leilão de cessão onerosa de petróleo que acontece no início de novembro. "É o maior leilão de petróleo e gás. A China não pode ficar ausente nesse momento", disse, nos minutos oficiais da reunião no Grande Salão do Povo. O setor de petróleo é considerado estratégico pelo Governo brasileiro.

Brasília

Além dos esforços para intensificar as relações comerciais do Brasil, Bolsonaro terá de decidir seu futuro partidário depois de ameaçar deixar sua atual sigla devido a divergências com a direção.

O presidente nacional do PSL, Luciano Bivar (PE), colocou, por exemplo, dois funcionários de seus gabinetes na Câmara na composição do Conselho de Ética do PSL, eleito na última terça-feira, que decidirá sobre a punição de 19 parlamentares bolsonaristas.

Os processos disciplinares fazem parte da briga interna na legenda entre os deputados alinhados a Bolsonaro e o grupo ligado a Bivar.

Um dos funcionários de Bivar eleito para o Conselho de Ética é José Coelho Araújo, que ganhou a presidência do colegiado. Ele trabalha desde maio como assessor parlamentar na segunda vice-presidência da Casa, ocupada pelo dirigente do PSL. Araújo tem salário de R$ 13,9 mil. O outro é Robson Vieira Soares, lotado como secretário parlamentar no gabinete pessoal de Bivar na Câmara desde fevereiro, com salário de R$ 10,5 mil.

O Conselho de Ética do PSL é formado por seis membros, todos ligados ao presidente da sigla. Além do total apoio do Conselho, Bivar também detém maioria (13) entre os 17 titulares da Executiva Nacional. Na ala de apoio a Bolsonaro, estão o senador Flávio Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro e o ministro de Turismo, Marcelo Álvaro Antônio.

Após visitar Japão e China, Bolsonaro chega a países do Oriente Médio, completando uma semana de compromissos externos. O presidente só volta ao Brasil no dia 31, quando terá de aparar arestas no seu partido

Flamengo

O presidente deu um agasalho do Flamengo para o presidente da China, Xi Jinping, após reunião no Palácio do Povo. Ao entregar o presente, Bolsonaro disse que o clube carioca é o "melhor time brasileiro do momento". A equipe lidera o Campeonato Brasileiro.

Torcida

O brasileiro brincou que, devido ao bom desempenho, atualmente, todos os brasileiros são flamenguistas. Ele afirmou ter certeza de que os 1,3 bilhão de chineses também torcerão pelo time na final da Libertadores em novembro.