Em conferência, Mandetta lembra de chefia na Saúde e ressalta papel da atenção básica na pandemia

Na Brazil Conference at Harvard & MIT, especialistas destacaram a relevância do SUS na crise sanitária

Legenda: Mandetta foi o primeiro dos quatro ministros da Saúde do Governo Bolsonaro
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta ressaltou, neste sábado (17), a importância da atenção básica e do Sistema Único de Saúde (SUS) no combate à pandemia de Covid-19 no Brasil. Ele participou de painel virtual da Brazil Conference at Harvard & MIT, promovida pela comunidade científica brasileira em Boston, nos Estados Unidos, sobre “O fortalecimento do SUS”.

O debate contou com a participação de outros especialistas, que ressaltaram que a saúde primária pode atuar em quatro frentes específicas no contexto de pandemia: a vigilância em saúde nos territórios, a atenção aos usuários com Covid-19, o suporte social a grupos vulneráveis e a continuidade das ações próprias desse nível de atenção.

De acordo com Márcia Castro, professora associada da Harvard School of Public Health que mediou as discussões no painel, um maior cuidado nessas etapas pelo poder público poderia ter minimizado a crise sanitária que já causou mais de 370 mil mortes no Brasil.

Nessa perspectiva, Mandetta falou sobre a dificuldade de aquisição de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) quando esteve à frente do Ministério da Saúde, o que dificultou o trabalho não só nos hospitais do País, mas também na atenção básica. Ele mencionou capacitação que o Ministério preparava à época para agentes comunitários de saúde recém-cadastrados lidarem com atendimento domiciliar na pandemia.

"O sistema estava vivo, com uma Secretaria Nacional de Atenção Primária toda focada nesse trabalho, mas sem máscara, sem equipamentos de proteção individual, sem capote, como você vai colocar aquelas pessoas numa situação de contato permanente? Era muito difícil você ter aquela fortaleza, olhá-la, saber que você tinha que utilizá-la e você não ter os meios para", disse.

Luiz Henrique Mandetta de camisa vermelha
Legenda: Luiz Henrique Mandetta participou da Brazil Conference at Harvard & MIT neste sábado (17)
Foto: Reprodução/Youtube

Por isso, o ex-ministro lembrou no evento que transformou o Disque Saúde (136) em um grande canal de comunicação entre a população e os entes federados. "(A intenção foi) utilizar ao máximo a tele para comunicar a atenção básica, comunicar a Secretaria, comunicar as prefeituras para testarem na ponta para fazerem as suas estratégias de bloqueio", explicou.

Apesar das dificuldades e do "desprezo" dado à saúde pública, conforme avaliou, o ex-ministro acredita que o SUS sairá "fortalecido" da pandemia.

"Ele resiste na ponta por meio da sua capacidade incomensurável de abrir as portas para a população. Hoje, toda a sociedade brasileira volta os olhos (para ele) e fala 'ainda bem que temos o SUS'. Apesar dos líderes tóxicos procurarem minar as estruturas básicas do SUS, elas são tão sólidas que resistem", concluiu.  

Pandemia no Brasil

Desde fevereiro de 2020, quando o primeiro caso de infecção pelo novo coronavírus foi registrado em território brasileiro, quatro ministros passaram pelo Ministério da Saúde.

O primeiro deles foi Luiz Henrique Mandetta que, após discordar do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre isolamento social, uso de máscaras e prescrição de medicamentos sem eficácia comprovada, foi exonerado do cargo, dando lugar ao também médico Nelson Teich. Este deixou o posto menos de um mês depois de assumi-lo, pelos mesmos motivos de Mandetta. 

Bolsonaro nomeou, então, o general Eduardo Pazuello para a chefia da Pasta. Em seu histórico de gestão, o militar viu o Brasil atingir os recordes de 100 mil, 200 mil e, posteriormente, 300 mil mortes por Covid-19. Pazuello deixou o cargo em março deste ano, após pressões do Congresso Nacional. 

Agora, o ministro da Saúde é Marcelo Queiroga, médico alinhado ao presidente na visão sobre a condução da pandemia.

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