Dólares na cueca têm novos indícios de propina

O procurador regional da República, Márcio Andrade Torres, informou ontem que ainda não concluiu as investigações do caso do dinheiro - 200 mil reais na bolsa e 100 mil dólares na cueca - apreendidos no início de julho com o ex-assessor parlamentar José Adalberto Vieira da Silva. Mas os indícios apontam que o recurso é fruto de um esquema de propina envolvendo o ex-assessor especial da presidência do Banco do Nordeste do Brasil - BNB, Kennedy Moura.

O procurador informou ainda que o deputado estadual José Guimarães (PT) já foi ouvido no processo que investiga a origem do dinheiro. O depoimento aconteceu no escritório do advogado Hélio Leitão e, segundo Márcio Torres, nada de novo foi acrescentado.

A Procuradoria da República está concentrando as investigações no envolvimento de Kennedy Moura com um financiamento do banco.

O procurador analisou o contrato do BNB com o consórcio STN (Sistema de Transmissão do Nordeste) e diz estar convencido de que foi feito ´um grande esforço para facilitar´ a concretização do financiamento de R$ 300 milhões de reais firmado com as empresas que conseguiram, ano passado, a concessão para construir e explorar rede de transmissão elétrica.

Márcio Torres informa que foram descobertos vários telefonemas entre José Adalberto e Kennedy Moura na véspera da viagem de Adalberto, de Fortaleza para São Paulo onde ele foi preso no aeroporto de Congonhas. Márcio aguarda o cruzamento de todos os telefonemas dos dois ex-petistas. E espera também o resultado da oitiva, pelo Ministério Público federal de São Paulo, de cinco pessoas citadas.

O procurador da República diz que houve muita flexibilização para viabilizar o empréstimo para o consórcio STN. Para ele, o contrato não se enquadrava nas linhas de liberação de empréstimo com recursos do FNE. ´Uma série de normas que o banco aplicava de um modo geral foi flexibilizada´, disse. Por exemplo, o consórcio de empresas não tinha garantias reais hipotecárias. A garantia deveria ser maior do que o montante do financiamento. Para se resolver isso, foi criado, no banco, uma classificação especial.

RESPOSTA - A direção do Banco do Nordeste já divulgou nota oficial sobre o assunto. Diz que ´reitera a inexistência de quaisquer irregularidades ou descumprimento dos normativos legais que disciplinam o FNE, bem como as orientações do Ministério da Integração Nacional´.

Diz ainda: ´As garantias que respaldam essa operação são típicas das usadas pelo mercado financeiro, público ou privado, em operação da espécie, e receberam anuência da Agência Nacional de Energia Elétrica, responsável pela regulação do setor e pela solidez das empresas do setor e de suas respectivas concessões´.

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