CCJ do Senado encerra audiência com Sergio Moro após oito horas e meia

Ministro da Justiça expressa repúdio a ameaças de congressistas

Legenda: Ministro da Justiça tentou esclarecer parlamentares sobre o caso de mensagens vazadas envolvendo seu nome
Foto: Foto: Agência Senado

A audiência com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado terminou depois de oito horas e meia. Ao longo do dia, pelo menos 40 senadores usaram a palavra para perguntar e fazer comentários. 

O senado Cid Gomes (PDT-CE) pediu a instalação de uma CPI para propor medidas para dar mais segurança ao sigilo das comunicações e investigar um possível acordo entre o juiz e o Ministério Público.

"Proponho que instalemos uma CPI, e já tenho requerimento pronto para isso, que de forma isenta e imparcial faça o aprofundamento nas duas grandes questões que são objeto dessa celeuma que já se apelidou de Vaza Jato: averiguar, investigar e propor medidas para dar mais segurança e garantia ao sigilo das nossas comunidações, e ao mesmo tempo, investigar se houve conluio entre um integrante da magistratura e o Ministério Público, o que certamente compromete o processo e compromete o funcionamento do Estado Democrática de Direito", defendeu o cearense.

>Não tenho apego ao cargo. Se houver irregularidade, saio, diz Moro no Senado
>Senadores cearenses participam de audiência com Sergio Moro na CCJ

Já o senador Eduardo Girão (Podemos) afirmou que a Lava Jato fez um "grande bem ao Brasil". O parlamentar definiu os vazamentos do The Intercept Brasil como "criminosos" e disse também que operação Lava Jato não direcionou as investigações apenas para alguns siglas parlamentares. "Vários partidos foram envolvidos nessa operação. Se não tivera prisões de todos os partidos, é por causa justamente do foro privilegiados", comentou Girão. 

Na fala final, Moro manifestou repúdio a ameaças contra parlamentares. Ele afirmou que é preciso "baixar a temperatura um pouco" e melhorar o diálogo no Parlamento.

Questionado sobre as supostas mensagens trocadas com procuradores da Lava Jato ao longo da audiência, Moro negou conluio com investigadores e apontou para a existência de um grupo criminoso voltado a anular condenações, atrapalhar investigações e atacar instituições. 

Durante a audiência, Moro cobrou a divulgação integral do material pelo site The Intercept Brasil e disse não ter medo de novas revelações. Além disso, declarou que deixará o cargo se forem constatadas irregularidades.


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