Campanha de Fortaleza é a segunda mais cara do Nordeste

Candidatos à Prefeitura da Capital direcionaram a maior parte dos gastos na produção e gravação de programas de rádio e televisão para o horário eleitoral gratuito. Dados de Fortaleza só são superados pelos de Recife (PE) na região

Legenda: Campanhas da disputa de Fortaleza já superam gastos de R$ 10,8 milhões, atrás apenas do total de Recife (PE)
Foto: Fabiane de Paula

Passado o primeiro prazo da obrigatoriedade de prestação de contas parciais de gastos com a campanha eleitoral, a disputa pela Prefeitura de Fortaleza já desponta como a segunda mais cara do Nordeste. O dinheiro está sendo aplicado principalmente para a produção dos programas do horário eleitoral gratuito no rádio e televisão, além de impulsionamento de conteúdo nas redes sociais e materiais impressos, entre outros gastos. 

Os dados oficiais apontam que o candidato do PDT, Sarto Nogueira, foi o que registrou as maiores receitas (R$ 5,260 milhões), enquanto o postulante do PSL, Heitor Freire, foi o que teve, na Capital, as maiores despesas contratadas (R$ 3,654 milhões).

Somadas as onze candidaturas de Fortaleza, são R$ 13,2 milhões arrecadados e R$ 10,8 milhões empenhados em contratações. Nesse aspecto, Fortaleza fica atrás apenas de Recife (PE), com R$ 12 milhões gastos, e empata em 2º lugar com João Pessoa (PB), que também já gastou R$ 10,8 milhões. A diferença é que a Capital da Paraíba possui 15 candidaturas — quatro a mais que a Capital cearense. 

Os dados foram obtidos no Divulgacand, o portal do Tribunal Superior Eleitoral que demonstra o detalhamento dos gastos e as situações das candidaturas. 

O direcionamento dos gastos para uma superprodução nas imagens que vão ao ar no programa eleitoral e nas inserções diárias é explicado pelo resultado da pesquisa Ibope, contratada pela TV Verdes Mares, e divulgada no dia 14 de outubro. O instituto revela que a maior fonte de informação dos eleitores é a TV, citada por 51% dos entrevistados. 

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Apesar de a campanha nas redes sociais dos candidatos à disputa majoritária em Fortaleza ser a mais cara do País, como mostrou o Diário do Nordeste na edição do último domingo (25), apenas Célio Studart, candidato do PV, direcionou a maior parte dos recursos para o impulsionamento no Facebook e Instagram. O valor chega a R$ 284.130, representando 41% dos recursos arrecadados até ontem. 

Heitor Freire direcionou a maior parte dos gastos para serviços terceirizados. O valor é de R$ 3 milhões. O deputado federal é o único até esse momento da campanha que já empenhou mais dinheiro do que o total que arrecadou.

Dos R$ 350 mil que recebeu do partido para impulsionar a candidatura, Samuel Braga (Patriota) remanejou boa parte do valor para os candidatos do partido à Câmara Municipal. O repasse foi de R$ 114.375,00 — o que representa 32% dos gastos até ontem. 

Na parte de baixo da tabela, Renato Roseno (Psol) e Paula Colares (UP) usaram a maior parte das receitas em materiais impressos. O candidato José Loureto (PCO) foi o único que não comprovou receita nem despesa. 

Rádio e TV 

O consultor político Leurinbergue Lima reforça que “o gasto maior sempre é em rádio e TV, principalmente onde tem rádio e TV, no caso em Fortaleza, Caucaia, Pacajus, Aracati, Sobral e Juazeiro do Norte. Então, nessas cidades, eles precisam investir em propaganda boa”. Segundo ele, “em Fortaleza, a produção está muito bonita, bem feita. E isso custa, tem que ter bons redatores, bons produtores de vídeo, boas produtoras, jornalistas levantando dados, tudo isso é caro. Tem um período que a demanda é enorme e a oferta de profissionais é pequena”.

O consultor cita o caso de Heitor Freire. “A equipe dele veio toda de São Paulo, imagine os custos. E, no caso dele, acho que a candidatura parte do princípio de deixar o nome do partido na prateleira, mostrar que tem candidato, tem vice, apresentar propostas”. A cientista política Paula Vieira, da Universidade Federal do Ceará (UFC), lembra que o maior gasto de rádio e TV é por conta do alcance desses veículos nas cidades de maior população. 

Boa parte dos eleitores no País não tem acesso à internet, e sequer possuem telefone celular para consumir informação.

“Por conta dessa ampliação das plataformas de streaming, temos a impressão de que rádio e TV ficaram fora do circuito, e aí tem duas questões. É o mais democrático, mas não é só por isso que é mais utilizado, é pragmático. A maioria das pessoas ainda assiste à TV e ainda escuta rádio, então são dois recursos que ainda são muito utilizados”, reforça. 

“Como é o que chega nas pessoas, o investimento de fato será maior. E esse investimento tem toda uma preparação que é do marketing, como serão passadas as campanhas; por isso a disputa pela ordem, tempo de TV ainda é muito solicitado, porque é aquele momento em que o candidato vai ter um acesso que não seja o presencial”, analisa Vieira. 

Redes sociais 

O investimento tem sido muito forte na campanha virtual, mas os meios tradicionais de comunicação, como mostram os números do TSE, ainda continuam protagonizando o direcionamento do dinheiro recebido pelos partidos — recurso que pode vir dos partidos e de doações de pessoas físicas

A explicação, para o consultor político Leurinbergue Lima, é que “nem todo mundo curte a página do candidato, mesmo que ele seja impulsionado, não necessariamente vai consumir” o que está sendo divulgado lá. “Mas, mesmo que se consuma menos TV ou rádio, as pessoas assistem a jornal, novela, futebol e passa o comercial, e entra na casa do cara. Por isso investimento maior ainda é nisso”. 

A pesquisadora Paula Vieira cita, por exemplo, uma inserção de candidatos na televisão logo depois de um jogo entre Ceará e Fortaleza, quando a audiência é alta. “Nas redes sociais têm o impulsionamento, mas, por mais que tenha o acompanhamento, não tem o alcance de rádio e TV. Nas redes sociais, as pessoas escolhem um ou outro, ou nenhum para seguir. Não chega tão fácil”, disse. 

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