Camilo se articula para definir envolvimento em disputas entre aliados

Em vários municípios, o governador não se envolverá diretamente, porque há muitas candidaturas de partidos da sua base aliada. Interlocutores do chefe do Executivo levantam cenários nas cidades para ajudar a definir estratégias

Legenda: O governador ainda deve discutir sua participação na campanha com auxiliares do Governo do Estado
Foto: Fabiane de Paula

Com uma base ampla de aliados, o governador Camilo Santana (PT) não se envolverá diretamente na campanha em vários municípios cearenses, onde existe disputa entre governistas. Às vésperas do início da corrida eleitoral, o chefe do Executivo Estadual procura fazer um mapa da disputa, junto com interlocutores, para definir a sua participação no pleito, enquanto alguns aliados estão na expectativa pelo envolvimento ou não do governador na campanha.

Recentemente, durante as convenções partidárias - que se encerraram no último dia 16 de setembro para a escolha dos candidatos -, foi comum ver fotos de Camilo estampadas em banners e cartazes de candidatos. Nos bastidores, aliados especulam como será a participação do governador na campanha.

Eles apostam que existirão níveis de apoio: em alguns casos, o candidato poderá usar apenas a foto do petista; em outros, Camilo poderá gravar um vídeo; além dos casos em que ele poderá ir presencialmente a municípios. O assessor de Relações Institucionais do Governo do Estado, Nelson Martins, diz que fez um levantamento do cenário eleitoral em cada município para apresentar ao chefe do Executivo e definir estratégias.

"A gente vai tratar como vai ser a participação dele em cada município. Evidentemente, naqueles onde o governador foi apoiado por todas as forças políticas, a tendência natural dele é não se envolver. Ele não vai ter condições de ir a todos os municípios, porque a prioridade ainda é a pandemia. Agora, ele vai poder participar (da campanha) naqueles municípios onde não tem problema do ponto de vista político".

Além do que já foi visto nas convenções, há casos mais diretos de associação com Camilo Santana, como o do líder do Governo na Assembleia Legislativa, deputado Júlio César Filho (Cidadania), que registrou como nome de urna na disputa em Maracanaú "Júlio Líder do Camilo".

Municípios

Não é difícil entender essas associações. O governador foi reeleito com quase 80% dos votos em 2018, o que o torna um cabo eleitoral disputado. Em vários municípios, mais de um partido da base aliada tem candidatura.

Em Fortaleza, por exemplo, o PT tem candidatura própria, a da deputada federal Luizianne Lins, e o PDT, comandado pelos irmãos Cid e Ciro Gomes, aliados de Camilo, também tem candidato, o deputado estadual Sarto Nogueira. Não era esse cenário que o governador queria. Ele tentou até a última hora unir os dois principais partidos da base já no primeiro turno.

Como não foi possível a aliança, Camilo não vai assumir oficialmente nenhum dos lados. Primeiro, porque ele não pode participar da campanha de outro partido. De acordo com a lei eleitoral, é vedada a participação, na propaganda em rádio e televisão de cada partido, de filiados a outras agremiações ou a siglas que integram outra coligação.

Estratégias

Assim, o PT e as siglas coligadas a ele poderão usar a imagem do governador, ainda que ele não apoie oficialmente o candidato do PT. Na Capital, o PDT, por sua vez, vai tentar mostrar a ligação com Camilo Santana por meio da parceria administrativa com o prefeito Roberto Cláudio (PDT).

O presidente da sigla pedetista no Ceará, deputado federal André Figueiredo, diz que esse vai ser um dos pontos enaltecidos na campanha do partido. "O PDT não vai poder usar a imagem, mas a presença do secretário de Governo na chapa, o Élcio Batista (candidato a vice), é demonstração de que Camilo continua nessa parceria", diz.

Região Metropolitana

Mas não é só em Fortaleza que Camilo precisará equilibrar a correlação de forças. Em Caucaia, o deputado estadual Elmano de Freitas é candidato do PT a prefeito, mas o governador é apoiado pelo prefeito do município Naumi Amorim (PSD), que busca a reeleição. É outro caso em que não haverá envolvimento do petista não no primeiro turno. Apesar disso, Elmano de Freitas diz que não abrirá mão de mostrar o governador no seu material de campanha.

"É tranquilo usar a imagem, porque temos identidade de projeto. Na Assembleia, temos identidade real (com o Governo), não é uma participação passiva. Então o fato dele não ir pessoalmente (à campanha) é absolutamente tranquilo, porque o governador tem uma postura ética e há outra candidatura da base, então compreendo a cautela".

Em outros municípios há dilemas semelhantes: é o caso de Iguatu, onde dois deputados estaduais da base de Camilo - Agenor Neto (MDB) e Marcos Sobreira (PDT) - vão disputar a Prefeitura. Sem contar o prefeito Ednaldo Lavor, do PSD, também da base.

Inhamuns

Tauá, na região dos Inhamuns, é mais um município de conflito. A Prefeitura vai ser disputada pela deputada estadual Patrícia Aguiar (PSD) e por Dr. Edyr (PP), irmão do deputado estadual Audic Mota (PSB). Em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza, o prefeito Edson Sá (PDT), do grupo governista, vai concorrer com o deputado estadual Bruno Gonçalves (PL), que também é da base.

Em Novo Oriente, o prefeito Vanaldo Moura (PSD) vai tentar a reeleição contra Nenen Coelho (Solidariedade). Ainda no interior, Itapajé é um município com muitos candidatos governistas. Além do prefeito Dimas Cruz (PDT), tem Dra. Gorete (PSD), Jonairton da Francisca (PT), Savim (PP) e Stelinha (PTB).

Outros casos

Pedra Branca também deve ser uma saia justa para o governador. O atual gestor, Gois Monteiro (PSD), vai concorrer à reeleição e na disputa há vários candidatos da base aliada: Daniela (PP), Junior do Gilberto (SD), Padre Antônio Menezes (PDT) e Pedro Paraibano (MDB). Em Acaraú, o prefeito Amadeu Neto (PDT), ligado ao grupo do suplente de deputado estadual Duquinha (PDT), vai tentar a reeleição. Do outro lado da disputa, tem Ana Flávia Monteiro (PSB), esposa do deputado federal Robério Monteiro, também do PDT.

Limoeiro do Norte também tem muitos candidatos da base aliada: Caê Pessoa (PL), Mazé Maia (PSD), Rita Peixoto (PT) e o atual prefeito Dr Zé Maria (PSB), que vai buscar a reeleição. Em Pacatuba, muitas forças também são do grupo governista: o prefeito Carlomano Marques (MDB), que tenta a reeleição, Dona Selma (PSD), Dr Renato Célio (PDT) e Jarilson Alexandre (PT).

Diante desses casos, o governador Camilo Santana terá que definir como será o seu envolvimento na campanha dos aliados. Afinal, a eleição de correligionários é importante para a gestão estadual e para pretensões futuras. Segundo o assessor de Relações Institucionais do Estado, Nelson Martins, em 2018, dos 184 prefeitos cearenses, Camilo não teve o apoio de apenas quatro gestores municipais.

Disputas na base governista

Aquiraz
Edson Sá (PDT)
Bruno Gonçalves (PL) 

Iguatu
Agenor Neto (MDB)
Marcos Sobreira (PDT)
Ednaldo Lavor (PSD)

Tauá 
Patrícia Aguiar (PSD) 
Dr. Edyr (PP)

Novo Oriente
Nenen Coelho (SD) 
Vanaldo Moura (PSD) 

Itapajé
Dimas Cruz (PDT)
Dra. Gorete (PSD)
Jonairton da Francisca (PT)
Savim (PP) 
Stelinha (PTB) 

Pedra Branca
Daniela (PP)
Gois (PSD), 
Junior do Gilberto (SD)
Padre Antonio Menezes (PDT) Pedro Paraibano (MDB) 

Acaraú 
Ana Flávia Monteiro (PSB)
Amadeu Neto (PDT) 

Limoeiro do Norte 
Caê Pessoa (PL)
Dr. Zé Maria (PSB)
Mazé Maia (PSD)
Rita Peixoto (PT) 

Pacatuba
Carlomano Marques (MDB)
Dona Selma (PSD)
Dr. Renato Célio (PDT)
Jarilson Alexandre (PT) 

Caucaia
Elmano de Freitas (PT) 
Naumi Amorim (PSD) 

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